|
A “situação muito saudável” da banca portuguesa foi aplaudida hoje por analistas económicos consultados pela agência Lusa em Paris, na sequência dos testes de resistência aos bancos europeus.
“Os resultados dos testes provam que é preciso, de uma vez por todas, deixar de misturar as situações da Espanha e de Portugal”, comentou Pascal de Lima, economista chefe da Altran Financial Services, em Paris.
“Contrariamente ao que se vinha ouvindo por todo o lado, a situação da banca portuguesa não é a mesma que a da Grécia e que a de Espanha e os resultados dos testes de ‘stress’ são a prova disso”, sublinhou o economista francês.
“Confirma-se que tem fundamento a grande apreciação que têm as participações francesas com Portugal, algo que não foi afetado, por exemplo, com a descida recente de notação da dívida portuguesa”, recordou Pascal de Lima.
O economista frisou a situação “muito positiva” dos maiores bancos portugueses, “que apesar de terem uma rentabilidade mais baixa que a banca de outros países, gozam de uma solvabilidade que resulta de uma grande respeito das regras europeias do setor e de boas práticas de gestão”.
“O Estado português tem dívidas, mas o Estado não é todos os bancos”, acrescentou o economista, para quem “o nível excessivo de crédito ao consumo em Portugal não eclipsa o rigor das instituições financeiras”. O economista refere, a propósito, que “não é de agora a influência de uma cultura anglo-saxónica de gestão financeira que a banca portuguesa reflete há vários anos”.
A nota positiva dos bancos portugueses nos testes de resistência é, para Pascal de Lima, “uma das duas exceções” entre os resultados, tendo em atenção a antecipação de resultados negativos veiculada por vários analistas.
“A outra exceção é a da Alemanha, cujos bancos resistem apesar de terem uma parte grande do peso da dívida soberana de vários países da cintura mediterrânica”, afirmou Pascal de Lima.
Os bancos europeus têm 72 por cento do total de exposição à dívida dos países da União Europeia e, dessa fatia, os bancos alemães respondem por 20 por cento, ligados sobretudo à dívida soberana da Grécia, acrescentou o economista.
“Por isso, os resultados dos bancos portugueses e dos bancos alemães são duas boas notícias deste teste europeu”, sublinhou Pascal de Lima.
A nota positiva da banca portuguesa num cenário “catastrófico” é também uma boa novidade para os empresários de França e de Portugal, afirmou à Lusa o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa (CCIFP).
Carlos Vinhas Pereira declarou que “os resultados dos testes à banca criarão um clima de confiança maior no mercado em relação aos bancos portugueses”.
“O resultado positivo indica que Portugal, que era posto no mesmo saco que os países em situação difícil, os ‘PIGS’, afinal merece mais confiança”, afirmou o presidente da CCIFP.
“Para as empresas, a prova de que a banca portuguesa tem capacidade de resistir a uma nova crise, que era o que estava a ser avaliado, criará seguramente mais oportunidades de crédito do que aquelas que havia numa situação de grande prudência”, adiantou ainda Carlos Vinhas Pereira.
|