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Quinta, 29 Outubro 2009 09:39 |
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José Veríssimo de Mira é do Sporting "à séria". É daqueles "Leões" que se orgulha de ser diferente. Mesmo em época baixa. Este engenheiro civil nasceu em Lisboa, mas tem ascendência em Évora, a terra do seu pai, onde vem com frequência, mantendo por aqui alguns negócios.
"Lembro-me muito bem das férias em casa da minha avó, da Feira de São João. Isso marcou a minha infância", recorda ao "Diário do Sul", admitindo ter saudades do ambiente das caçadas. A paixão pelos carros é antiga. Vem do tempo da sua adolescência, onde alguns exemplares deixaram marcas para a vida. Mais tarde, movido pela nostalgia, comprou um, depois outro e mais outro. Quase sem dar por isso, José Veríssimo de Mira já somava uma dezena de automóveis. Uns antigos, outros clássicos. Nunca mais parou de coleccionar viaturas. Hoje tem mais de cem para os lados do Carrascal, na freguesia da Azoeira (Mafra). Os veículos, para todos os gostos, estão fechados em armazéns, mas, todos eles, se encontram prontos a ir para estrada. E há com cada obra de arte! O que leva alguém a apostar numa colecção de automóveis capaz de atingir esta dimensão? Na minha adolescência tive alguns carros que me marcaram. Fui sempre um apaixonado pelos carros, com ligações sentimentais aos primeiros automóveis que tive. Surgiu-me a hipótese de comprar alguns carros, fiz o seu restauro e, quando me apercebi, já tinha dez automóveis. A partir daí nunca mais parei. Depois de uma colecção tão grande, ainda continua a estar disponível para comprar um carro que lhe agrade? É claro que não posso comprar todos os que me aparecem, até porque alguns não valem a pena. Os donos pedem muito dinheiro e o estado de degradação das viaturas é tão grande, que o restauro ultrapassa largamente o valor comercial do carro. Mas sei onde estão alguns, tenho-os referenciados e se alguma das pessoas decidirem vendê-los por outros preços, talvez possa comprar. Desde que seja pelo justo valor.Isso quer dizer que a colecção ainda comporta mais carros? Não, por uma questão de espaço. A colecção já ultrapassa a centena de clássicos e só em caso excepcional é que posso avançar para a compra. E o que gostaria ainda de ter? Essa é pergunta que me fazem regularmente e também de qual é o carro que mais gosto, mas é difícil de responder. Quando nós temos um carro destes começamos a ter quase um sentimento de paternidade. Não tenho os carros com o intuito de os comercializar. Isto é para manter. Se nós tivermos mais de um filho e nos perguntarem de qual gostamos mais, nós não sabemos o que responder, porque gostamos de todos da mesma maneira. Com os carros passasse um bocado isso. Depois, alguns deles, até pelo mau estado em que estão, precisam de ser restaurados por nós, com a sua reposição à época e aí ganhamos uma certa amizade. Se calhar, é como ter um animal de estimação.Mas há algum que goste mais de conduzir? Todos eles têm as suas características próprias. Uns são mais fáceis de conduzir, outros são mais agradáveis, mas todos eles têm um encanto qualquer que nos liga a eles. Por acaso, tenho dois ou três que gosto mais de conduzir. De resto, aqueles carros têm que andar, porque isso faz parte da sua manutenção e quase todas as semanas têm que sair. Como é impossível sair com todos, vamos alternando consoante as concentrações que haja. Umas vezes saem uns, outras vezes saem outros. Eu tento adaptar os carros as características dos eventos, onde, muitas das vezes, não é a competição em si que está em causa, mas antes o restauro, o estado em que estão e a beleza do carro. Um sonho chamado Museu Pelo meio deste longo caminho, alimenta agora o sonho de fazer um museu inovador em Portugal. Qual é ponto de situação? Eu queria fazer um museu, de facto, mas neste país qualquer iniciativa nunca é apoiada. As pessoas não encaram este tipo de iniciativas como um património cultura que pode ser aproveitado. Isso é um bocado fruto da nossa cultura e dos políticos que nós temos, que não apoiam nada, mas depois gostam de usufruir. Repare que manter um museu é muito caro, até porque eu tencionava fazer um museu com escola de formação, mas só se tiver apoios. Estou convencido que daqui por uns anos ninguém vai saber mexer nestes carros, porque hoje as automóveis são todos electrónicos, com máquinas que detectam avarias e que até reparam algumas. Além de que os seus carros estão em armazéns... Pois é e precisávamos de instalações climatizadas, com pisos especiais e por aí fora. Estou em fase de conversação com algumas câmaras, que estão interessadas no museu, mas a verdade é que pode haver boas vontades, mas depois falta o resto. Eu não posso estar a contribuir para o desenvolvimento de um concelho e de uma região só à minha custa e sem ajudas. Tem ideia do que pode representar este sector em termos turísticos? Posso dizer que dos vários museus que já visitei, alguns já são de tal forma importantes que foi através deles que as terras foram conhecidas, como aconteceu em Cangas, próximo de Placência. Estou convencido que nesta freguesia onde estou, a Azoeira, inserida na zona saloia do Oeste, iria acontecer o mesmo. Mas acha que o Estado não está sensibilizado para este género de arte? O Estado não está sensibilizado para nada. Nestas questões ainda muito menos, apesar de haver governantes que têm carros clássicos. É verdade que cada um interpreta a arte à sua maneira, mas um carro é uma peça de arte. Veja que Espanha tem essa cultura, porque quando se compra um carro destes é sempre arte que está a entrar no país. Mas aqui, se quiserem, podem levar tudo lá para fora. Évora - Cidade do Automóvel Clássico 14 e 15 de Novembro 2009 - Évora – Rossio de S. Brás Regressa em Novembro com a 3ª Edição do evento Évora cidade do automóvel clássico e antigo já no dia 13, 14 e 15 de Novembro de 2009. Prevê-se que este ano traga até Évora mais de 600 participantes em 220 automóveis e mais de dez mil visitantes durante os três dias do evento. Para esta edição estão previstas as presenças de vários coleccionadores e de expositores de todo o país. Évora Cidade do Automóvel Clássico e Antigo integra três grandes momentos: A Exposição dos Automóveis e Motos que terá início no sábado dia 14 de Novembro, com expositores, stands de automóveis antigos, coleccionismo e acessórios e a prova Rally das Princesas, uma prova exclusiva a senhoras. O jantar de sábado seguido de um grande espectáculo na Arena d’Évora; Por fim no Domingo a prova " Circuito das Muralhas" atrairá seguramente muita gente para apreciar esta prova de Regularidade Absoluta. Este evento embora dedicado aos Automóveis e Motociclos Clássicos e Antigos, não se destina apenas aos aficionados por este tema assumindo-se como um evento para toda a família e público em geral. Do programa lúdico, destacar-se-á por exemplo um parque de diversões para os mais jovens, uma noite temática de fado (sexta-feira) e um grande espectáculo de música ligeira (sábado), na Arena d’Évora. Pela terceira vez Évora irá receber o evento Évora Cidade do Automóvel Clássico e Antigo. Este evento inédito em Portugal é considerado a maior concentração de automóveis clássicos e antigos da Península Ibérica. Exposição de Automóveis, coleccionismo, antiguidades, velharias, motos, diversão, animação, espectáculos e gastronomia, tudo dias 14 e 15 de Novembro em Évora O evento será patrocinado pelo Diário do Sul/Rádio Telefonia em associação com a Câmara Municipal de Évora e outros patrocinadores para este que voltará a ser este ano a maior Concentração de Automóveis Clássicos e Antigos da Península Ibérica. |
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