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O primeiro ministro defendeu ontem que nunca como agora as escolhas políticas foram tão claras entre o Governo e a oposição de direita, que disse pretender enfraquecer o Estado social e cortar nos salários dos funcionários públicos.
Estes pontos foram referidos por José Sócrates mesmo na parte final da sua intervenção na abertura do debate do “Estado da Nação”, na Assembleia da República.
Depois de fazer um balanço das políticas desenvolvidas pelo executivo, o primeiro ministro aproveitou para traçar linhas de demarcação face aos sociais democratas, embora nunca se referindo diretamente ao PSD. Segundo Sócrates, a agenda do Governo “não é a da redução e enfraquecimento do Serviço Nacional de Saúde, não é a agenda do duplo pagamento dos serviços públicos de educação e de saúde e não é a agenda da transferência de recursos públicos para pagar serviços privados”.
“Nunca como agora as escolhas foram tão claras. Uns acham que o caminho é efetuar cortes profundos nos salários dos funcionários públicos, mas que é um sacrilégio estabelecer tetos para as deduções fiscais e que as taxas às mais valias bolsistas deveriam ser meramente simbólicas”, afirmou, numa crítica implícita às objeções que o PSD tem levantado em relação às intenções do executivo para o Orçamento do Estado para 2011.
Num recado indireto ao PSD, José Sócrates considerou ainda que esse tipo de atuação “pode contar com o favor ocasional dos extremismos políticos que, na ânsia de derrotar o Governo, não hesitam em coligações negativas e contra-natura”.
“Mas não contam com o Governo, porque é outro o programa”, acentuou.
Na sua intervenção, José Sócrates reconheceu a existência de dificuldades conjunturais na economia, mas defendeu a existência de sinais positivos, como a redução das desigualdades, da pobreza ou do número de inscritos nos centros de emprego.
Sócrates destacou ainda indicadores que considerou positivos em relação à posição de Portugal ao nível da utilização das energias renováveis, ou no que respeita à mais recente trajetória de execução orçamental. “Crescimento da economia, diminuição do emprego registado: estes são sinais animadores. São factos reais que não nos devem fazer perder a consciência das dificuldades, mas que nos devem fazer ter confiança na nossa capacidade de superar as dificuldades”, sustentou.
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