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Com o início da época do calor, verifica-se também o aumento de ectoparasitas, e sendo a prevenção contra pulgas e carraças extremamente importante para os nossos amigos de quatro patas, não podemos descurar a prevenção contra mosquitos. Estes são muitas vezes vectores de parasitas que podem desencadear patologias potencialmente fatais nos nossos animais, como a Leishmaniose e a Dirofilariose, ou o parasita do coração. Neste artigo vamos focar a nossa atenção na dirofilariose.
A Dirofilariose é causada por um parasita nemátode (Dirofilaria immitis), semelhante aos que se alojam nos intestinos dos animais, mas que se aloja no coração. Este parasita é transmitido entre animais infectados através de um mosquito vector (mais propriamente um flebótomo). Assim quando o “mosquito” pica um cão reservatório, para além de se alimentar ingere também microfilárias (formas larvares imaturas) que ao fim de 10-15 dias, a temperaturas médias de 25 oC, transformam-se em formas infectantes. Estas serão transmitidas a outro cão quando o mosquito picar novamente. Estas temperaturas necessárias à maturação do parasita explicam a sua incidência superior nesta região, assim como no Ribatejo, Estremadura, Algarve e ilha da Madeira. Após o cão, ou mais raramente o gato, ser infectado as microfilárias atravessam a pele e os músculos alojando-se no ventrículo direito, onde num espaço de 6 meses dão origem a formas adultas, que podem medir entre 15-35 cm. As formas adultas migram algumas para as artérias pulmonares e outras para a veia cava caudal, causando pois sintomatologia variada (consoante o grau de infestação e a localização dos parasitas). Os sinais mais comuns são a tosse crónica, a intolerância ao exercício, a perda de peso, a ascite (líquido abdominal livre) e o edema pulmonar. A morte de parasitas pode levar à formação de êmbolos pulmonares e, em algumas situações, quando um rolhão de parasitas se aloja na veia cava caudal, ocorre um síndrome, comummente conhecido com síndrome da veia cava, que é potencialmente fatal. Quando se suspeita de dirofilariose, o diagnóstico pode-se fazer através da visualização directa de microfilárias num esfregaço de sangue ou através da detecção de antigénios de parasitas adultos no sangue do cão (este teste só se deve fazer 6 a 7 meses após a infecção, pelo que não se aconselha a fazer em cachorros). O tratamento de animais infectados efectua-se com medicamentos orais e injectáveis, de forma faseada. Geralmente aconselha-se o proprietário a internar o seu animal na clínica veterinária, na fase em que se causa morte dos parasitas adultos, de modo a controlarem-se reacções adversas, uma vez que o parasita pode dar origem a trombos. É um tratamento demorado e não sem riscos pelo que a prevenção é mesmo a melhor solução. Assim devemos ter os nossos animais protegidos contra os mosquitos durante o ano inteiro, com um desparasitante externo adequado, e para além disso ainda lhe devemos dar um desparasitante interno mensalmente, que irá actuar junto das microfilárias, evitando que estas passem à forma adulta. Se se tratar de um cachorro com menos de 6 meses pode-se efectuar esta desparasitação interna sem problemas, caso contrário antes de desparasitá-lo é aconselhável ver se já poderá haver infecção, uma vez que ao desparasitarmos vai haver morte de parasitas que entram em circulação. Informe-se junto do seu veterinário qual o melhor esquema para o seu amigo. E assim, com os nossos animais protegidos, aproveitamos ao máximo o verão sem dissabores. |