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SOCIEDADE

Crise faz aumentar pedidos de ajuda a instituições no Baixo Alentejo

Os pedidos de ajuda a instituições sociais do Baixo Alentejo têm aumentado devido à crise, sobretudo por parte de idosos, desempregados e pessoas de classe média que vivem numa situação de “pobreza envergonhada”, alertou o bispo de Beja.

Fonte: LUSA

17 Março 2015 | Publicado : 15:51 (17/03/2015) | Actualizado: 15:55 (17/03/2015)

“As pessoas vivem um momento de mais austeridade” e “mesmo aqueles que antes nunca recorriam a instituições a pedir ajuda”, como pessoas de classe média, atualmente, “alguns com uma certa vergonha, veem-se obrigados a recorrer”, por não conseguirem suportar as despesas, disse António Vitalino Dantas, em entrevista à agência Lusa.

As pessoas que recorrem à Cáritas de Beja pedem ajuda para poderem “solucionar problemas de primeira necessidade”, como falta de alimentos e roupas e dificuldades em pagar despesas básicas, como as de eletricidade, água, médicos, farmácia e prestações da casa.

Através das instituições sociais, “há possibilidades de ajudar as pessoas a que, pelo menos, não passem fome”, mas “há casos sociais graves” de idosos que “estão muito sós”, alertou, referindo que “é preciso estar atento para não deixar essas pessoas morrerem desamparadas e sós”.

Por outro lado, “o desemprego tem afetado muita gente”, sobretudo jovens, que não conseguem o primeiro emprego e, por isso, “muitos emigram”, lamentou António Vitalino Dantas, que está há 16 anos à frente da Diocese de Beja.

A Diocese “não tem grandes meios” e vive “muito de donativos”, mas, “logo que começou a crise”, criou, em 2012, o Fundo de Emergência Social para a Cáritas ajudar famílias com dificuldades.

Através do fundo, “alimentado por muitas fontes”, a Cáritas tem “ajudado muitas famílias”, em várias áreas, para que “não fiquem desamparadas”, frisou, referindo que os refeitórios sociais “têm sido uma grande ajuda”.

António Vitalino Dantas, de 72 anos, que assumiu as funções de bispo de Beja em 1999, sucedendo ao falecido Manuel Falcão, é conhecido como o bispo das tecnologias.

“Um bispo deve comunicar, porque se não comunica e fica só dentro do seu gabinete não tem possibilidades de exercer a sua missão, que é ir ao encontro das pessoas”, defendeu António Vitalino Dantas, que já falou com o papa Francisco uma vez pessoalmente e algumas vezes por escrito.

“É um homem que sempre esteve muito atento aos outros, sobretudo aos mais frágeis, mais débeis. Tem tido uma ação muito benéfica para acordar muitos que estavam um bocadinho adormecidos, a fazer só aquilo que estava previsto no seu programa sem nenhuma novidade. O papa tem-nos trazido muitas novidades, não que ele faça algo novo, mas a maneira como o faz é que nos surpreende”, sublinhou.

Segundo o bispo, o envelhecimento da população e do clero e o facto de os homens “não frequentarem muito as igrejas”, são os principais problemas da Diocese de Beja.

Nos últimos anos, a Diocese tem tido “a média de uma ordenação de um presbítero por ano, o que não vem colmatar aqueles que falecem, mas não é a que está pior no panorama português, e tem recorrido a missionários”.

Numa região tradicionalmente comunista, o bispo assegurou que lida bem com todos os autarcas, sejam de que partido forem, os quais “respeitam muito a Igreja como uma autoridade diferente”.

“Lidamos com pessoas e não com partidos, ideologias e as pessoas são muito humanas, sejam de que partido for, desde que as abordemos com respeito, e, portanto, não sinto nenhuma dificuldade por alguém pertencer a este ou àquele partido”, frisou.

O bispo destacou, também, o trabalho “muito meritório” de salvaguarda e valorização do património histórico e artístico da diocese, o qual começou com o seu antecessor.

António Vitalino Dantas tem, desde novembro de 2014, um bispo-coadjutor com direito de sucessão, João Marcos, que foi nomeado a seu pedido pelo papa Francisco.

João Marcos irá assumir as funções de bispo de Beja quando António Vitalino Dantas completar 75 anos, em novembro de 2016, e pedir resignação, de acordo com o Direito Canónico.

Vitalino Dantas explicou que pediu um bispo-coadjutor para o acompanhar nos últimos dois anos à frente da Diocese e para que a sua sucessão decorra sem vazios e não haja nenhuma instabilidade.

Quando resignar, “se tiver juízo, irei, com certeza, voltar àquilo que sempre quis ser, frade missionário, portanto tentarei voltar às minhas origens, que é ser carmelita, mas ainda não sei para onde irei”, rematou.

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