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«Diário do SUL» em parceria com a Rádio «Telefonia do Alentejo», entrevistam os 47 presidentes de Câmaras do Alentejo

Bernardino Bengalinha Pinto faz balanço de Mandato

Bernardino Bengalinha Pinto, candidato pelo Partido Socialista a um terceiro mandato na Câmara Municipal de Viana do Alentejo, recebeu-nos em sua casa para uma breve troca de impressões acerca do projecto autárquico que lidera desde 2009 e que pretende ver prolongado até 2021.

Maria Antónia Zacarias

17 Maio 2017 | Publicado : 14:13 (17/05/2017) | Actualizado: 14:17 (08/06/2017) | Fonte: Redação

Quem é Bernardino Bengalinha Pinto?

Sou um vianense por nascimento e criação, tenho 53 anos, sou casado e tenho dois filhos. Fiz a quarta classe na Escola das Escadinhas, com a professora Cidália. Ainda aqui em Viana passei pelo ciclo preparatório, depois estudei em Évora, na Gabriel Pereira. Fiz a tropa em Lisboa e Santa Margarida, depois o meu percurso profissional na Caixa Agrícola do Guadiana Interior, onde desempenhei os cargos de gerente no balcão de Viana do Alentejo, de membro do Conselho de Gestão da referida Caixa. Entretanto, durante esse percurso, tirei a licenciatura em Gestão Bancária.

A par das minhas actividades profissionais, o meu espírito participativo levou-me a manter, desde muito cedo, uma intervenção activa no movimento associativo local. Uma experiência bastante enriquecedora para a minha formação como pessoa, que aprendeu a privilegiar o diálogo, o consenso, o respeito pelos outros e o bem comum.

Eleito como presidente de câmara em 2009, abracei um projecto bastante exigente, a que me dediquei com paixão e em exclusividade, porque gosto do que faço e de me sentir útil à comunidade a que pertenço. Certo é que o bom desempenho de funções tão exigentes, como são actualmente as de um presidente de câmara, apenas tem sido possível porque tenho contado com o indispensável apoio da minha família e a colaboração dos meus colegas autarcas e dos trabalhadores do município.

 

Que balanço faz destes anos à frente da Câmara?

De uma forma geral julgo poder considerar-se bastante positivo o trabalho desenvolvido durante os cerca de sete anos que levamos à frente do município, uma vez que vimos concretizarem-se investimentos muito importantes e estruturantes para o futuro do Concelho, não só materiais, mas também imateriais, mantendo em simultâneo de boa saúde as contas do município.

Apesar da severa crise económica e social que assolou o país nos últimos anos e que, em simultâneo, penalizou as instituições e as famílias, foi possível, com muito esforço e dedicação do executivo e dos trabalhadores da autarquia, concretizar obras importantes que são do conhecimento de todos, em áreas como a modernização administrativa, reabilitação urbana, reabilitação do património cultural, promoção turística, património imaterial, educação e desporto, etc.

Para melhor se poder perceber o que estou a dizer, veja-se o balanço final do primeiro mandato, onde se pode verificar que fizemos o maior investimento de sempre, feito ao longo de um único mandato, numa importância superior a 8 milhões de euros. Isto, numa altura em que o país e a grande maioria das câmaras municipais tinham reduzido drasticamente os seus investimentos.

 

É sabido que já tinha uma larga experiência na área da gestão, mas imaginamos que seja muito diferente ser presidente de câmara do que funcionário bancário…

Naturalmente que a minha experiência anterior como bancário foi vivida numa realidade e num tempo bastante diferentes dos que se vivem actualmente. A gestão autárquica é hoje, sem dúvida, muito complexa e abrangente nas suas especificidades e áreas de intervenção, embora existam princípios básicos na gestão que são comuns a todas as áreas de actividade e que muito me têm ajudado a compreender e a levar a bom porto este desafio. Por outro lado, o exercício do cargo de presidente de uma câmara exige uma entrega total, não se pode ser presidente apenas das nove da manhã às seis da tarde. Praticamente acaba por não sobrar tempo, nem para mim nem para a família...

 

Há quem diga que os bons resultados financeiros da Autarquia se devem também ao facto de não ter feito grandes obras nos primeiros anos do actual mandato, deixando-as, por razões eleitoralistas, para o seu final. Quer comentar?

Como é do conhecimento geral, as autarquias não têm meios financeiros próprios para executar grandes investimentos sem o recurso a fundos comunitários, campo onde temos sido dos municípios que melhor tem aproveitado as oportunidades. Por exemplo, em 2015, ao nível de todo o distrito de Évora, tivemos o 2.º melhor rácio de fundos comunitários por habitante.

O actual quadro de financiamento comunitário, também conhecido por Portugal 2020, está muito atrasado, pelo que as suas verbas só há poucos meses começaram a ser disponibilizadas. Isto significa que  só a partir de agora vai ser possível executar os projectos aprovados, assim como candidatar outros projectos, que em devido tempo elaborámos.

Estou convencido que temos feito o que é possível fazer. Para além da obra da segunda fase do centro histórico de Viana, que abrangerá toda a zona envolvente do Castelo e cujo contrato já se encontra assinado, num investimento de cerca de um milhão e duzentos mil euros, vamos nos próximos dias lançar o concurso para a primeira fase da requalificação do centro histórico de Alcáçovas, que tem uma estimativa orçamental de cerca de um milhão e cem mil euros. Com financiamento já garantido, na ordem dos setecentos mil euros, temos também o Centro Social de Aguiar, que aguarda o chamado "mapeamento", isto é, autorização da Segurança Social. Temos ainda aprovados dois projectos na área cultural, um deles referente aos conteúdos que irão preencher parte do Paço dos Henriques e que envolvem, ambos, cerca de quinhentos mil euros.

 

Algumas obras muito importantes, que dependem da vontade do poder central - lembramo-nos da requalificação da escola secundária e do posto da GNR – estão por fazer. O que se passa?

O executivo de que faço parte sempre privilegiou o diálogo com todas as entidades, colocando em primeiro lugar os superiores interesses do Município. Foi com esse espírito de diálogo e parceria com os diferentes governos, instituições do poder central e outras, que conseguimos concretizar alguns dos nossos projectos e trazer mais-valias para o Concelho. Veja-se o exemplo do Paço dos Henriques, propriedade do Estado Português e que era um processo bloqueado há décadas.

As reabilitações do posto da GNR e da Escola Secundária Isidoro de Sousa, embora não sejam da competência municipal, são situações que precisam de ser resolvidas. Nelas temos trabalhado desde a primeira hora, depositamos grandes expectativas de virem a ser concluídas com sucesso.

Uma outra área da competência do poder central, que muito nos preocupa e que claramente terá de ser melhorada, é a saúde. Tal como já referi, vamos continuar a, persistentemente, exigir junto das instâncias centrais soluções com vista a uma melhor prestação destes serviços à população do nosso concelho.

 

O Concelho de Viana do Alentejo manteve-se estranhamente, durante décadas, afastado do processo do Alqueva. Há novidades neste campo?

Sim, há boas novidades. Finalmente o concelho de Viana foi incluído no alargamento dos perímetros de rega. Trata-se de um projecto que desde o nosso primeiro mandato sempre considerámos estruturante para o desenvolvimento económico do Concelho, tendo em conta a forte vocação agrícola do nosso território, que muito beneficiará com o regadio.

O projecto de alargamento do perímetro de rega do Alqueva ao Concelho de Viana do Alentejo apenas peca por tardio. Entendemos que logo numa primeira fase, quando os perímetros foram definidos, o município e os nossos agricultores deviam ter assumido uma posição mais exigente para que o concelho de Viana pudesse ser integrado, tal como foi agora.

A autarquia, em parceria com alguns empresários agrícolas da região, conseguiu que a proposta de construção de um perímetro de rega no concelho merecesse bom acolhimento por parte da EDIA (Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva), pelo que os projectos estão a ser ultimados com vista à concretização deste importante investimento. Serão beneficiados cerca de 4.500 hectares, distribuídos pelas três freguesias. O caminho faz-se caminhando…

 

Vamos repetir uma pergunta que já lhe tinha sido feita em 2009, aquando da sua primeira candidatura: ser candidato à Câmara Municipal de Viana do Alentejo é, na actual conjuntura, um grande desafio. Porque o decidiu aceitar?

É meu entendimento que o projecto com o qual me comprometi em 2009 continua válido. Considero que há ainda muito por fazer no processo de consolidação e afirmação do concelho de Viana do Alentejo como um território mais desenvolvido, mais moderno e mais atractivo para se viver e trabalhar.

Julgo que a experiência entretanto acumulada ao longo destes últimos anos será naturalmente uma mais-valia para os desafios que se avizinham, nomeadamente na concretização dos muitos projectos que temos em mão para executar.

 

É sabido que mesmo muitos dos seus adversários políticos lhe reconhecem competência e grande sentido de dedicação no exercício do cargo que agora pretende renovar. Será por isso que escolheu estas duas expressões, competência e dedicação, para lema da sua campanha?

Sabe, estas coisas não são normalmente todas escolhidas pelo candidato, mas sim pela equipa que o rodeia e de que ele, obviamente, também faz parte. A minha equipa achou serem "competência e dedicação" duas qualidades que podem, de uma forma geral, descrever os meus mandatos e a minha postura. E creio que o eleitorado também, de alguma forma, o tem vindo a reconhecer, uma vez que nas últimas eleições autárquicas, em 2013, reforçou substancialmente a votação que tínhamos tido em 2009.

 

 

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