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Aníbal Reis Costa, presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo em entrevista ao “Diário do Sul”, em parceria com a Rádio “Telefonia do Alentejo”

“Regadio de Alqueva fez com que conseguíssemos desenvolver o setor agroindustrial e todo o concelho”

Aníbal Reis Costa, presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo, fez um balanço positivo do seu mandato à frente do executivo desde 2005. A terminar o terceiro mandato, e sem poder recandidatar-se, o autarca afirma que deixa o município de “boa saúde” financeira, após ter conseguido sanar a problemática situação que se verificava quando tomou posse há 12 anos.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redação

17 Maio 2017 | Publicado : 14:25 (17/05/2017) | Actualizado: 14:17 (08/06/2017)

Licenciado em Gestão e Administração Pública, o autarca garantiu ter pautado a sua gestão de acordo com a sua personalidade, uma pessoa que tem lutado, da melhor forma que soube, pela sua terra. Considerou que Ferreira do Alentejo tem inúmeras potencialidades, nomeadamente o regadio de Alqueva e a privilegiada localização geográfica que, em seu entender, tem potenciado a dinâmica empresarial e o desenvolvimento económico que elegeu como um dos pilares da sua ação.

Qual é o balanço que faz dos três mandatos à frente do município?

É um balanço extremamente positivo até pelos resultados que obtivemos. Recentemente, soubemos que Ferreira do Alentejo é o concelho do distrito de Beja com a menor taxa de desemprego, o que se deve também a intervenção da autarquia. Desde que assumimos funções em outubro de 2005 elegemos como prioridade, o desenvolvimento económico. A captação de investimento foi e é fundamental para tentar travar a sangria demográfica que nós temos sofrido no interior do país. Estes mandatos foram marcados por vicissitudes várias, atravessámos toda a crise em Portugal, logo, a conjuntura foi difícil, o que nos levou a tomar decisões nem sempre compreendidas pela população.

Não obstante, considera que a missão assumida há 12 anos foi cumprida?

Sem dúvida. Conseguimos equilibrar as contas da autarquia. Quando chegámos em 2005 tínhamos o grande ónus de pagamento de empréstimos que foram contraídos pra investimento do concelho e quem teve que os pagar fomos nós. Até agora, temos todos os empréstimos, de médio e longo prazo, pagos. Amortizámos cerca de sete milhões de dívida e temos, neste momento, a melhor saúde financeira de sempre, o que nos dá uma satisfação acrescida. O saneamento financeiro permitiu, em 2016, lançar obras e investimentos que ascendem a quase cinco milhões de euros com apoios comunitários, o que vai fazer com que haja uma alavanca para o concelho. Posso afirmar com satisfação que o próximo executivo vai herdar a câmara na plenitude das suas potencialidades, sem se preocupar com qualquer ónus.

Quais são os projetos que elege como marca da sua gestão à frente dos destinos da autarquia?

A primeira de todas as marcas é o desenvolvimento económico porque tivemos que nos empenhar em sanear as contas. Neste âmbito, dinamizámos o Parque de Empresas e Serviços do Alentejo que, atualmente, está quase lotado, tendo apenas três lotes disponíveis. Este cenário leva-nos, de uma forma muito determinada, a avançar para o projeto de ampliação desta infraestrutura que consideramos fundamental para acolhermos novas empresas. Começámos também a dinamizar o parque de agroindústria para dar uma face mais visível ao projeto do Alqueva. Levou bastante tempo a ser dinamizado porque os efeitos da barragem de Alqueva também foram morosos, mas agora são inquestionáveis e reconhecidos a nível nacional e internacional. A acrescentar a isto, salientamos a captação de investimento privado, pois lançámos há cerca de quatro anos, um ninho de empresas em Ferreira do Alentejo a que associámos pela primeira vez um serviço exclusivo no que diz respeito ao desenvolvimento económico e que designámos como Centro de Desenvolvimento Económico. Esta valência é da responsabilidade da Câmara Municipal e dá apoios aos empresários, procura investimento privado e faz candidaturas a fundos comunitários. Estas funções ficaram na dependência plena do presidente do executivo.

Esta aposta no desenvolvimento económico foi feita para dar respostas às emergências sociais?

São situações que dependem umas das outras inevitavelmente. Do ponto de vista social há a destacar o projeto “Ferreira Solidária”, um serviço de apoio ao idoso, no qual procurámos envolver as próprias entidades empresariais para que pudessem assumir a sua responsabilidade social. Temos também “Ferreira sustentável”, outro projeto lançado em 2008, através do qual se fez sensibilização dos munícipes para o problema ambiental, apostando nas energias solares e na construção de novas Estações de Tratamento de Águas Residuais do concelho onde fizemos um investimento brutal porque estavam desadequadas das necessidades atuais.

O setor da agricultura é o principal motor da economia deste concelho?

Temos muitos casos de pessoas que felizmente já não se vão embora deste território porque começaram a arranjar um pedaço de terra, envolvem-se na atividade e têm sucesso, sendo importantes para a região. Quero aqui expressar uma palavra de apreço porque são aquilo que as pessoas devem ser, procurar fazer a vida na terra e contribuir para o seu desenvolvimento. Tudo isto se tem passado no caso da agricultura, mas também da agroindústria porque é, sobretudo, esta que cria fortuna. É preciso lembrar que fomos dos primeiros a beneficiar do regadio do Alqueva, como tal conseguimos fixar essas indústrias, nomeadamente na área do olival com a criação de lagares de grandes dimensões e tecnologia da mais avançada do mundo, mas também recebemos recentemente uma empresa de transformação de frutos secos.

O problema das contas públicas interferiu na concretização de projetos que estavam pensados para este território?

Claro que sim, até porque muitos destes projetos estavam pensados há quatro ou cinco anos. Só agora os podemos realizar depois de efetuado o saneamento financeiro e pela melhoria da conjuntura que atravessamos. Evidencio ainda a alteração que houve na forma de olhar o poder local e a importância que foi reconhecida para o desenvolvimento do país. Atualmente, a Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo pode contratar a crédito e começar a recrutar pessoas, em oposição ao tempo em que chegámos a perder 30 por cento dos funcionários. Isto aconteceu nos últimos dez anos, o que teve um impacto forte no concelho, apesar de termos feito um grande esforço no sentido de atenuar o problema. Mesmo assim, foi possível realizar projetos, tais como a requalificação urbana, a conclusão do estádio municipal, a criação de um espaço de espetáculos e a modernização da entrada e saída do concelho. Juntamos a isto a criação da primeira loja social que contou com a ajuda de muitas empresas, instituições e população como forma de apoiar os mais necessitados.  

Quais são, a seu ver, as potencialidades do concelho?

São muitas! O potencial do desenvolvimento do Alqueva e que tem a sua expressão maior, neste momento, em Ferreira do Alentejo. Somos o espelho vivo, a prova real de que o Alqueva funciona e que continua a ter um grande potencial que pode ser aprofundado em termos agroindustriais. O mesmo acontece em termos turísticos com a construção de alojamentos de turismo rural que ascendem a 17, o que era impensável há três anos. Criámos uma rede informal de agentes turísticos que reúne periodicamente e que procura, de alguma forma, transmitir as verdadeiras preocupações e lançámos, recentemente, um desdobrável com a listagem de todos os alojamentos do concelho.

Não podendo recandidatar-se, como perspetiva o futuro de Ferreira do Alentejo?

Sou muito otimista relativamente ao concelho de Ferreira do Alentejo. Nós temos um enorme potencial a nível da agricultura e agroindústria, a nível turístico e das energias renováveis, pois somos o segundo concelho maior de produção de energia através do fotovoltaico. Todos estes fatores positivos fazem-me crer que o concelho vai ter um grande futuro a nível regional e nacional. Já é capital do azeite, somos o maior transformador de azeitona do país e estão a aparecer muitas outras culturas a nível da fruticultura. Ferreira do Alentejo tem tudo para continuar a desenvolver-se, a ser dinâmica e penso que vai alongar-se pela região que tem o benefício do regadio.

O que pretende transmitir ao seu sucessor ou sucessora, quem quer que ele/ela seja?

A Câmara de Ferreira do Alentejo tem vindo a fazer um caminho de grande afirmação a nível regional que é necessário manter. É, neste momento, reconhecida como uma autarquia cumpridora, que tem sabido colocar os interesses do concelho à frente de quaisquer outros. Isso deve ser uma marca nossa, um trabalho que tem que ser continuado. É extremamente complicado herdar um município que tem muitas responsabilidades e menos possibilidades de fazer coisas. Quem vier que procure gerir, da melhor forma, o orçamento municipal que é fundamental para que futuramente as aspirações das pessoas possam ser cabalmente concretizadas, nunca esquecendo a necessidade de exercer uma política proativa de captação de investimento.

Qual é a mensagem que deixa aos eleitores do seu município?

Procurem votar da forma mais consciente, mas que votem. Ao longo destes 12 anos tenho assistido a um claro desinvestimento na participação cívica, sobretudo na margem dos 20 aos 45 anos, que efetivamente está alheada. Não podem ser apenas as pessoas de 60 anos que têm que tomar decisões. É preciso fazer perceber que não se pode fazer apenas críticas, mas devem propor alternativas. Têm que se envolver na conceção de políticas e de ações. A nossa população está, cada vez, mais velha, é mais diminuta e se não houver uma participação cívica, o futuro não vai ser assente na cidadania. Os jovens têm que se envolver na causa pública, seja por exemplo através das coletividades. Nós sempre apoiámos muito o associativismo porque é um dos últimos bastiões de participação cívica no concelho.

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