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«Diário do SUL» em parceria com a Rádio «Telefonia do Alentejo» entrevistam Armando Varela, presidente da Câmara Municipal de Sousel

“Educação e sector da carne são as grandes potencialidades deste concelho do Alto Alentejo”

Armando Varela, encerra três mandatos à frente dos destinos do concelho de Sousel com um balanço positivo. É esta a ideia defendida pelo autarca que elegeu a educação e as pessoas como as marcas da sua gestão. A educação porque entendeu que é um dos pilares de construção de uma sociedade, daí Sousel ser um dos três concelhos que mais competências transferidas tem nesta área. O edil considerou que este território tem na educação uma grande centralidade regional que entronca numa melhor qualidade de vida.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redacção

18 Maio 2017 | Publicado : 12:09 (18/05/2017) | Actualizado: 14:17 (08/06/2017)


Armando Varela salientou ainda as potencialidades nas áreas da agroindústria e da carne, evidenciando igualmente o esforço que o executivo fez na captação de investimento para o concelho que quer que seja, cada vez mais, conhecido através de uma aposta no turismo religioso. Armando Varela despede-se da Câmara de Sousel, considerando que foi a experiência de que mais se orgulha de ter vivido, garantindo que foi decisiva para a sua preparação enquanto autarca e para o novo desafio que assume enquanto candidato à Câmara Municipal de Portalegre.

Qual é o balanço que faz do mandato à frente do município?

Ao longo destes 12 anos, o balanço que eu faço é claramente positivo. O concelho que vou deixar tem melhor qualidade de vida do que aquele que herdei há 12 anos. Houve opções que foram feitas ao longo deste tempo. Nem sempre foram ao encontro, provavelmente, daquilo que as pessoas entendem que é mais adequado, mas foram aquelas que eu entendi que davam resposta às necessidades do concelho de Sousel.

 

Que decisões destaca?

A primeira decisão foi alocar todos os recursos disponíveis para remodelar todas as estruturas de água e saneamento do concelho. Este território tinha uma água muito calcária.

A freguesia onde vivo, que é Casa Branca, tem uma água muito calcária e era normal as pessoas levantarem-se de madrugada para encher garrafões para terem água durante o dia. Face a isto era determinante criar condições para a satisfação desta necessidade básica. Havia ETAR’s que estavam projectadas construir, mas não estava previsto como é que os efluentes domésticos chegavam às ETAR´s.

Tivemos que reformular toda a zona de efl uentes para as ETAR’s que não existiam e que eram novas. Isto significou que nos primeiros dois anos de mandato foram investidos neste projecto cerca de sete milhões de euros, sendo que houve investimento financiado a 40 e a 70 por cento.

Este tipo de obras são daquelas que os autarcas fogem como o Diabo da Cruz porque não se vê, ninguém se lembra do que aconteceu depois de estar feito.

Mas eu tomei esta opção porque entende que constrói-se uma casa pelos alicerces. Concluída esta obra demos início ao desenvolvimento de outros projetos.

 

Quais são as marcas dos seus três mandatos?

Sem dúvida, a educação. Sousel tem uma rede de transportes própria que garante que as crianças do concelho tenham no final do dia mais duas horas disponíveis para estudar, brincar ou até dormir. Tínhamos um parque de viaturas completamente obsoleto e era preciso investir nele para que os alunos chegassem a casa mais cedo, pois não esqueçamos que tínhamos 120 crianças que iam para Estremoz e para Sousel. A escola de Sousel tinha perdido a validade em 2001 e era preciso deitar mãos à obra. Não podemos deitar culpas aos outros e não fazer nada. Daí termos iniciado, em 2008, um projeto de conceção de arquitetura e execução de um centro escolar que foi aberto em 2016. Foi um investimento de sete milhões de euros, comparticipado com fundos comunitários e com o apoio do Ministério da Educação. Neste espaço juntámos desde o jardim-de-infância até ao terceiro ciclo, sendo que desde 2013 foi possível passar a ter ensino secundário em Sousel. Este ano, temos 87 alunos do ensino secundário. É um número modesto quando comparado com outros concelhos do Alentejo, mas há quatro anos tínhamos zero alunos. O que fizemos foi democratizar o acesso ao ensino e conseguir manter abertas todas as escolas do primeiro ciclo nas diversas freguesias.

 

Para além da educação, houve mais apostas do executivo?

Recordo ainda que recebemos, em setembro de 2015, um contrato de transferência de competências em matéria de educação. Em outubro de 2015, o mesmo aconteceu no que concerne à transferência de competências em matéria de saúde. Isto quer dizer que em Portugal há três concelhos que cumulativamente aceitaram este desafio de ter mais competências nestas duas áreas. Penso que isto faz a diferença. Além de tudo isto, fizemos um esforço enorme para modernizar a vida das pessoas, para melhorar a sua qualidade de vida, para resolver os problemas do dia-a-dia que as pessoas têm, mas gostaria de ter conseguido gerar mais emprego.

 

Continua a fazer esse esforço?

Nós temos um enorme problema no país. As projecções demográficas apontam que em 2060 podemos ter 6,5 milhões de portugueses, o que significa uma redução de cerca de 35 por cento daquilo que temos hoje. O cenário do interior é pior do que o do litoral e dentro do interior o do Alto Alentejo é ainda pior. Sousel é um concelho pequeno que tem cerca de cinco mil habitantes em que é ainda mais difícil fixar as pessoas. Mas o emprego que é necessário para fixar as pessoas não é o emprego público, mas sim o setor privado tirando partido dos recursos endógenos de cada território.

 

Isso tem vindo a ser feito?

Sim. Temos vindo a fazer um trabalho crescente de captação de investimento privado. Quando cheguei à Câmara fui confrontado com um processo que estava em curso e que era o encerramento nacional da rede de abate. Na altura, o governo do engenheiro José Sócrates entendia que a rede nacional de abate devia ser privatizada. Hoje falamos tanto sobre privatizações e quem diria que, há 12 anos, o governo de então entendeu que aquela rede era para acabar. O que esteve em cima da mesa foi o encerramento do Matadouro Regional do Alto Alentejo onde trabalhavam cerca de 130 pessoas e foi possível criar condições para impedir o encerramento. Houve empresários nos concelhos de Sousel e de Estremoz que estiveram disponíveis para a privatização, a Câmara Municipal também comprou uma quota do matadouro e, desde essa altura, que nós priorizámos a manutenção do emprego e o seu crescimento.

 

Qual é a situação empresarial atual do concelho?

Ajudámos a criar um núcleo empresarial que é associado do NERPOR e consecutivamente da AIP, construímos um centro de apoio às micro empresas que já está a iniciar o seu funcionamento e que será inaugurado ainda este mês ou em abril e que cria condições para incubar até dez empresas. Além disso, ampliámos a zona industrial de Sousel porque as pessoas queriam terrenos, mas não estes não existiam. Neste sentido, fi zemos um investimento de mais de 500 mil euros para ampliar a zona industrial e, assim, disponibilizámos solos.

Fomos dinamizando também um gabinete de apoio ao desenvolvimento económico procurando captar investimentos como, por exemplo, uma empresa na área da biotecnologia com tecnologia de ponta que eu espero que possa começar a trabalhar o mais rapidamente. Esta empresa é o exemplo de que podem fixar-se no Alentejo e não só nos grandes centros, trabalhando em parceria com o Instituto Superior de Portalegre e com a Universidade de Évora.

 

Como perspetiva o futuro deste território?

Este é o tempo de Sousel tirar partido das suas condições geográficas que são ótimas, está a 17 quilómetros da autoestrada, o que é uma mais-valia para a dinamização empresarial, mas também para o turismo.

Constituímos há três anos uma associação da fi leira da carne do Alentejo para aqui instalar um Centro Nacional de Competência da Carne em Sousel porque entendemos que este deve ser um fator decisivo e o exemplo disso é a aposta dos empresários na agroindústria e na produção animal. O turismo é outra das potencialidades do concelho, nomeadamente tirando partido do património religioso.

 

Está a falar na coleção dos Cristos?

Sim. Temos um projecto emblemático há muitos anos que é o chamado Museu dos Cristos, mas não basta ter comprado um espólio. Como tal, neste momento, já foi notificada a empresa para assinar-se o contrato de empreitada para requalificação de um edifício existente que pretende criar condições para que o espólio dos Cristos possa ser visitável ao longo de 12 meses em 12 exposições que vão alterar ao longo do ano com mostras fixas e outras temporárias. Queremos que este seja um dos pontos importantes numa rota do património religioso que pode contribuir para atrair turistas e para gerar dinâmica territorial.

 

O que aconselha ao seu sucessor, uma vez que não pode recandidatar-se?

Que possa olhar os projetos que têm vindo ser desenvolvidos de forma consensual, dando continuidade ao trabalho feito, reajustando-o às opções políticas e acreditando naquilo que pareça ser o mais correto para o concelho.

 

Qual é a mensagem que deixa a todos os eleitores?

Nunca irei esquecer estes 12 anos em Sousel. Tenho muito que agradecer ao povo do meu concelho que me deu a oportunidade para ser o seu presidente. Eu procurei ser o presidente não só daqueles que votaram em mim, mas ser o presidente de todos. O mundo muda devido aos inconformados. Eu sempre fui inconformado. Sempre acreditei que depende de nós ajudar a fazer mais e melhor. Foi uma grata honra e um enorme privilégio ter sido presidente da Câmara de Sousel nestes 12 anos. Certamente que não agradei a todos, mas procurei ser isento nas minhas decisões, ser honesto nos meus propósitos e ser ambicioso nos projetos que lancei para o concelho. Quer pelas funções que tenho tido a oportunidade de desempenhar fora do concelho, seja a nível da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo, quer mesmo ao nível do meu partido que é o Partido Social Democrata, não tenho dúvidas que ao fi m destes 12 anos, Sousel é um nome que é mais conhecido do que era quando fui eleito e, sobretudo, acredito que deixo um concelho em que as crianças e os jovens estão mais bem preparados para enfrentar o futuro.

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