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“Diário do Sul” em parceria com a Rádio “Telefonia do Alentejo” entrevistam Carlos Pinto Sá, presidente da Câmara Municipal de Évora

“Foi preciso retomar o caminho do reequilíbrio económico do município para fazer investimentos”

O reequilíbrio económico e financeiro da autarquia foi o grande objetivo do executivo comunista à frente da Câmara Municipal de Évora desde outubro de 2013. O presidente, Carlos Pinto Sá disse que, apesar dos constrangimentos, foi possível “limpar” a imagem de Évora, voltando a conquistar credibilidade.

Maria Antónia Zacarias

18 Maio 2017 | Publicado : 12:21 (18/05/2017) | Actualizado: 14:16 (08/06/2017) | Fonte: Redacção

O autarca salientou que isto é provado com o Plano de Saneamento Financeiro que permitiu obter no mercado bancário um empréstimo de 32 milhões de euros, a uma taxa de juro muito baixa, o que possibilitou perspetivar o futuro e os investimentos que a cidade e o concelho precisam. Carlos Pinto Sá sublinhou que Évora tem potencialidades enormes, a nível aeronáutico, um centro histórico reconhecido e uma identidade cultural forte capaz de atrair turismo e impulsionar uma dinâmica económica local e regional. Investir na requalificação da urbe e das freguesias, proporcionando melhores condições de vida à população, é o caminho que a CDU quer prosseguir nesta autarquia alentejana.

Qual é o balanço que faz do mandato à frente do município?

Eu julgo que é um balanço muito positivo. Naturalmente que não houve só coisas positivas. Também houve erros. Não obstante, atingimos os principais objetivos a que nos propusemos quando nos submetemos a eleições e começaria por salientar o reequilíbrio económico e financeiro do município, condição absolutamente necessária para poder voltar a construir-se um futuro em Évora. Um futuro que estava hipotecado. O Partido Socialista tinha deixado uma herança muito pesada, uma dívida de 98 milhões de euros com resultados operacionais negativos de mais de 11 milhões de euros e um prazo médio de pagamento a fornecedores de 1867 dias. Portanto, era preciso retomar o caminho do reequilíbrio económico e financeiro do município.

Em seu entender, isso foi conseguido?

Conseguimo-lo! Fomos capazes de antecipar em dois anos estes resultados. Atingimos o final de 2016 sem pagamentos em atraso no município e alcançámos o equilíbrio orçamental. É um avanço muito significativo, mas mais importante ainda foi o facto de termos garantido, apesar de tudo, alguma margem para investimentos no concelho. Disso são exemplos as candidaturas a fundos europeus para revitalização do centro histórico em que recebemos cerca de 15 milhões de euros para serem investidos até 2020 e também um conjunto de valores para turismo para criar um centro de colhimento ao turista no Palácio D. Manuel. Assim, o primeiro grande objetivo que tínhamos foi completamente atingido e fomos além do que nos propúnhamos.

Os constrangimentos financeiros condicionaram a atuação do executivo em que medida?

Apesar de não termos verbas para fazer investimento conseguimos entregar, ao longo deste mandato, cem casas de habitação social e comprar 40. Fizemos um grande esforço para reforçar a rede social para dar resposta às carências da população. A média dos rendimentos dos pensionistas em Évora é de 338 euros por mês e é um dos mais altos do Alentejo e isso está abaixo do nível de dignidade humana. Conseguimos a primeira grande infraestrutura pública desportiva para Évora e garantimos o funcionamento daquele complexo aberto a todos os eborenses, onde milhares de pessoas passam por lá todos os dias. Tivemos que negociar as dívidas com os fornecedores, mas tivemos dificuldades com as Águas de Portugal com quem foi feito um negócio ruinoso, o que representou um défice de cinco milhões por ano. É um problema que ainda não está resolvido. Precisamos sair desta situação para ganhar de novo autonomia e fazer os investimentos que Évora precisa.

Quais são, em seu entender, as marcas da governação?

Uma delas é a questão do saneamento financeiro, como já referi. Uma outra é a democraticidade e participação dos cidadãos. Foi alterada a política de relacionamento com o movimento associativo, com as empresas, temos uma relação saudável que procura unir e não dividir, motivando à cooperação porque entendemos que isso beneficia muito Évora. Esta reconciliação com Évora e os eborenses foi e é muito importante. Na área económica fizemos uma grande aposta na diversificação dos setores. Hoje temos a sede do cluster aeronáutico em Évora aprovada, temos oito empresas a instalar-se e a fazer um investimento de 178 milhões de euros que vão criar 960 postos de trabalho nos próximos dois ou três anos. Captámos uma empresa do setor agroalimentar de descasque de amêndoa para Azaruja, freguesia rural do concelho. Isto leva-nos a acreditar que há uma dinâmica muito grande.

Também no setor do turismo?

Sem dúvida! O turismo aumentou 20 por cento ao ano com a colaboração da Entidade Regional de Turismo e com os operadores turísticos que são fundamentais. O turismo tem que ser sustentado numa vivência de Évora e que assenta na revitalização do centro histórico que é um processo que há-de ser longo, complicado e que precisa de investimento. Já conseguimos 9,5 milhões de euros para infraestruturas, para o espaço público, revitalização do parque habitacional e para recuperação do Palácio D. Manuel e do Teatro Garcia de Resende. No entanto, temos consciência de que é preciso criar condições à população para que perceba que vale a pena viver no centro histórico. Para isso, temos que facilitar a mobilidade, trazer atividade económica para dentro deste espaço e reanimar o mercado municipal, por exemplo.

Uma das críticas apontadas foi a falta de limpeza. Como comenta?

O problema é que, por vezes, a memória é curta. Há muitos anos que não tínhamos uma cidade tão limpa, embora ainda estejamos longe do que queremos. Intervimos nas arcadas que estavam negras e havia lixo por todo o lado. Contudo, é preciso ir mais longe na limpeza e isso exige a cooperação de todos, nomeadamente os comerciantes perceberem que os lixos têm que ser colocados a certas horas e temos que comprar viaturas para andar dentro do centro histórico. É verdade que na primavera e verão de 2016 tivemos uma quebra, mas desde aí evoluímos para uma cidade já muito mais limpa do que existia. Mas queremos mais. Queremos uma cidade caiada e adquirimos um carro para recolha do lixo dos contentores enterrados que estiveram muito tempo sem ser usados.

Em termos culturais, o que foi feito? Como está a recuperação do Salão Central?

Foi retomado um diálogo saudável com os agentes. Hoje temos no teatro uma programação onde há um conjunto de espetáculos acessíveis para a população. Apostámos também na animação do centro histórico nos espaços públicos. Pagámos tudo o que era devido aos agentes culturais, dívidas desde 2009, mas estamos impedidos de dar apoio monetário, por isso, prestamos apoio logístico. Quanto ao Salão Central, não nos comprometemos com este espaço, mas anuncio que fizemos uma candidatura para a sua recuperação que está aprovada e estamos a trabalhar no projeto. já da sua recuperação para que se torne num espaço multiusos, espetáculos de vários tipos e outro tipo de iniciativas.

A autarquia já desistiu de vender os terrenos junto à rua de Avis?

O concurso esteve aberto e fechou sem haver ofertas, penso que por razões burocráticas. Estamos a terminar o estudo sobre o que aconteceu e depois colocaremos à Câmara a decisão reabrir o concurso. A nosso ver, quanto mais afastado o centro comercial estiver do centro histórico pior é para este espaço. Nós queríamos ir mais longe e tivéssemos nós condições faríamos um centro comercial a céu aberto no centro histórico com os comerciantes existentes e com os que quisessem juntar-se. Como não temos esse instrumento temos que fazer o que é possível.

O Rossio de São Brás é outro dos espaços que todos os executivos reconhecem que necessita de intervenção, mas até hoje não foi feita.

Este espaço tem que ser intervencionado. Mais uma vez o problema é dinheiro. Também apresentámos uma candidatura para limpar a cara ao Rossio, encontrar um pavimento que minimize o problema. Já conseguimos uma parte do dinheiro, falta ainda outra, porque são quatro hectares, o que é uma vasta área. Temos consciência de que o Rossio tem que constituir uma zona de receção à cidade e, como tal, deve estar bem cuidada.

Vai recandidatar-se à Câmara?

Ainda estamos a discutir no âmbito da CDU essa situação. Nós temos uma marca nossa de discussão coletiva. Contudo, é preciso dizer que foi feito um trabalho positivo em termos globais e que criou expetativas para o futuro de Évora que não tínhamos. Este coletivo da CDU está com grande força para dar continuidade ao trabalho que foi iniciado há quatro anos e, portanto, encontrarmos as soluções adequadas para a Câmara, para a Assembleia Municipal e para as freguesias que garantam a continuidade desse trabalho.

Como perspetiva o futuro do concelho?

Évora tem a enorme vantagem de ser um concelho muito dinâmico no Alentejo, tem potencialidades imensas que temos que saber aproveitar ao nível da economia, da cultura, da área social, procurando definir quais são os caminhos comuns para fazer o trilho para esse desenvolvimento. Penso que, posto isto, Évora tem capacidade para superar a crise nacional que ainda nos afeta para garantir um desenvolvimento, sendo que para mim o desenvolvimento implica também justiça social. Acreditamos que Évora pode dar um contributo decisivo para o desenvolvimento do país com a aeronáutica, a agropecuária, a tecnologia e a Universidade com os seus conhecimentos científicos.

Qual é a mensagem que deixa aos eleitores?

A primeira mensagem é que a política é com todos. Quando não se vota estamos a permitir que outros votem por nós. Cada um deve votar em consciência. Como tal, deixo um apelo à participação não apenas ao voto, mas à participação cívica. Intervenham, participem, mas também ajudem a construir projetos. Um bom eleitor é o que participa na vida cívica e, portanto, deixar o apelo ao voto sim, mas à participação para em conjunto podermos melhorar a cidade de Évora, o concelho e o Alentejo.

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