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«Diário do SUL» em parceria com a Rádio «Telefonia do Alentejo», entrevistam Santiago Macias, presidente da Câmara Municipal de Moura

“A proximidade com os munícipes e a reabilitação são as marcas do mandato”

Corresponder às necessidades da população, primando pela relação de proximidade com os munícipes foi o que o presidente da Câmara de Moura, Santiago Macias salientou nesta entrevista. Em seu entender, aqui está consagrada a razão do poder local e o mote para conseguir realizar trabalho quando se está à frente de uma autarquia.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redação

06 Junho 2017 | Publicado : 15:49 (06/06/2017) | Actualizado: 14:16 (08/06/2017)

O edil considera que a reabilitação urbana, quer ao nível das habitações, como do espaço público e dos monumentos ajuda a uma melhor qualidade de vida e a uma maior dinâmica social e empresarial. Santiago Macias lamenta que o hiato de tempo entre o último quadro comunitário e o atual tenha sido demasiado longo, a seu ver, tendo prejudicado a concretização de alguns projetos. Não obstante, salientou o esforço feito pelo executivo para investir na atração de empresas, na fixação de pessoas e empresários, congratulando-se pelo facto de haver quem tenha sabido apostar nas potencialidades agrícolas deste território. O turismo é outro setor que aponta como decisivo para o desenvolvimento do concelho que tem sabido manter a sua identidade.

 

Qual é o balanço que faz do mandato à frente do Município de Moura?

Tivemos que trabalhar, ter uma atitude pedagógica com as populações porque nós não fomos eleitos para nos lamentar das dificuldades, mas tivemos que as ultrapassar. Conseguimos umas de uma forma mais eficaz e outras vezes menos, daí queremos estar perto dos munícipes e explicar o que acontece. Subjacente a tudo isto esteve o hiato de tempo entre os dois quadros comunitários, o que dificultou ainda mais o nosso trabalho.

 

Qual foi a maior preocupação destes quatro anos?

As dificuldades existem, mas destaco o envelhecimento e degradação das estradas e caminhos municipais. O concelho de Moura tem 170 quilómetros que são da responsabilidade do município, mas nós só podemos fazer a reparação de uma forma parcial. Com a nova agricultura, com o aumento do tráfego e da tonelagem dos veículos, a degradação das estradas foi sendo mais acentuada. Uma outra problemática diz respeito ao pavilhão desportivo e à piscina municipal. São infraestruturas que estão a responder à população, mas com lacunas, o que nos obriga a intervir. No caso do pavilhão, a reparação custa cerca de 200 mil euros, e é igualmente necessário intervencionar as a piscina descoberta e coberta. Ou seja, nesta altura, em vez de estarmos a fazer investimentos para requalificação aprofundada, estamos apenas a fazer cuidados paliativos. Andamos a pôr pensos rápidos quando devíamos andar a fazer operações cirúrgicas.

 

Em seu entender, quais são as principais marcas do seu mandato?

Há uma linha de continuidade dos mandatos anteriores e que passa por uma ideia que temos vindo a defender, há muito tempo, e que nos parece essencial. Não há renovação no município se a alma das localidades não acompanhar esse desejo. Daí que tenhamos apostado na reabilitação urbana no sentido global, nomeadamente com uma intervenção no abastecimento de água, mas também em dar novas funções a velhos edifícios. Um segundo aspeto ligado a este é a preocupação com as questões sociais baseadas na habitação. Não há dignidade dos munícipes que vivem em condições sub-humanas. Assim, fizemos intervenções em habitações de particulares que não tinham condições para pagar e estamos a intervir em bairros municipais porque essas casas já não correspondem às necessidades contemporâneas. Ao longo do mandato, e sem ajudas externas, cerca de 800 mil euros foram investidos neste projeto.

 

Orgulha-se do trabalho realizado, apesar de todas as condicionantes?

A nossa equipa orgulha-se de ter trabalhado em várias áreas. O exemplo disso foi o facto de o município ter sido premiado, a nível nacional e regional, pelo trabalho de reabilitação da mouraria de Moura. Tudo isto porque queremos valorizar as especificidades do nosso município. É claro que estas ações refletiram-se na atividade económica. Empenhámo-nos na conclusão das intervenções feitas na zona industrial e no apoio a empresas que se quiseram e querem instalar no nosso concelho, como foi o caso de um centro de inspeção de veículos, bem como de um supermercado de marca nacional.

 

Como perspetiva o futuro do concelho?

Não estou otimista por um lado, mas estou por outro. Ao longo de muitos anos, o Poder Central não conseguiu criar mecanismos para facilitar a fixação de população no interior e quando mais perto nos afastamos da linha da fronteira, mais a situação se torna complicada. A deslocalização da população para o litoral é um problema que nos deve preocupar a todos. Não é com autoestradas, nem com TGV’s que se consegue fixar pessoas no interior. Pensamos que há outras razões. No nosso concelho verifica-se o nascimento de uma nova agricultura, a instalação de novos empresários agrícolas que criam dinâmica económica, mas que do ponto de vista demográfico não são particularmente importantes até porque estas novas atividades não precisam de muita mão-de-obra. Apesar de tudo, estas valências permitem manter a atividade agrícola viva.

 

Mas Moura tem potencialidades, não tem?

Tem do ponto de vista turístico que é um setor que tem vindo a crescer com o número de turistas. Isto tem acontecido porque tem havido uma preocupação na renovação dos espaços públicos. Ninguém vai visitar um território se chegamos lá e a igreja está fechada, se não há uma exposição para ver, se as praças estão degradadas e se os monumentos estão em ruínas. Hoje temos um turista mais informado que recolhe conhecimentos. Neste momento, o castelo está aberto em permanência e isso permite que os turistas o visitem. Sublinhamos ainda o facto de continuarmos a ter um plano de recuperação e requalificação dos espaços públicos e de edifícios que trará um interesse acrescido pela nossa terra. Moura é pouco conhecida e uma das nossas batalhas tem passado, justamente, pela divulgação do que é o potencial do concelho.

 

Vai recandidatar-se à Câmara Municipal?

Não está definido ainda. Temos conversado muito sobre isso, mas há uma coisa de que eu tenho a certeza: saberemos encontrar as melhores propostas e decisões para o concelho de Moura. A CDU tem uma conduta que é a realização de um debate alargado para encontrarmos uma solução que vá ao encontro das populações. Pessoalmente, não é um assunto que me preocupa. Preocupa-me dar conta do recado juntamente com a minha equipa, levarmos o projeto até ao fim e continuá-lo, seja o presidente da Câmara, o Santiago Macias, ou outro elemento da CDU.

 

Que conselho faz ao seu sucessor ou sucessora, caso não se recandidate?

Nós somos transmissores, não viemos inventar nada. Temos que ter a modéstia de encarar esta missão como transitória, mas que deve ser levada com empenho em todos os momentos do mandato. Aquilo que estamos a preparar já nesta altura é o próximo mandato. Nós não podemos encarar os mandatos com festas de inauguração ou conclusões de obras de final de ano. Começo a ter a ideia, cada vez mais arreigada, de que as pessoas gostam que os trabalhos sejam feitos em continuidade. Neste momento, temos seis obras de grande dimensão que vão ser começadas, num investimento de mais de cinco milhões de euros e que são fundamentais para o concelho.

 

Que obras são?

Uma é o Centro Documental da Oliveira que tem financiamento comunitário (dois milhões de euros) que vai ficar instalado num palacete que necessita ser reabilitado. Temos a torre do relógio na Amareleja, que é usada só numa parte do ano porque não tem telhado, mas vamos avançar com esta obra também. Temos o Bairro do Carmo que tem que ser requalificado. Temos a antiga estação de comboio que vai ser adaptada a terminal rodoviário e ainda uma obra de requalificação das muralhas que estão em muito mau estado. Precisamos de dinamização financeira que muitas vezes nos falta, mas o dinheiro escasseia.

 

Mas a Câmara está com as contas equilibradas?

Está. Tem endividamento como todas as câmaras têm. A nossa dívida é de cerca de nove milhões de euros e destes, sete são à banca e o resto é de curto prazo. Não obstante, temos uma receita que anda pelos 17 ou 18 milhões de euros.

 

Que mensagem deixa aos eleitores?

Gosto de ser confrontado todos os dias com a realidade do concelho e estar sempre disponível para ajudar as pessoas. Curiosamente, houve uma senhora que no meio de um baile de Carnaval que veio ao pé de mim pedir-me uma reunião para passado dois dias. Quando ela chegou ao meu gabinete pediu-me desculpas, mas eu expliquei-lhe que o presidente de uma autarquia não tem horários. A minha preocupação é fazer perceber aos munícipes quais são as nossas opções, porque é que isto ou aquilo foi feito desta ou daquela maneira. E, sobretudo, há uma ideia que tem que ser transmitida em permanência e que é o facto de que, apesar das dificuldades que vivemos, a atitude tem que ser positiva e de confiança no futuro. Nós estamos num território que não é particularmente privilegiado, com exceção de algumas bolsas de terreno particularmente férteis.

 

Tem vontade de continuar este trabalho?

Do ponto de vista pessoal, este trabalho não é de hoje. Continuarei sempre a trabalhar na região, independentemente do enquadramento que tenha, seja na Câmara Municipal de Mértola, onde sou funcionário, seja na Câmara de Moura como autarca, seja noutro local qualquer. Também já fui docente na Universidade de Évora. Quanto ao meu futuro poderá passar, seguramente, aqui pelo Alentejo.

 

 

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