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«Diário do SUL» em parceria com a Rádio «Telefonia do Alentejo» entrevista Sílvia Pinto, presidente da Câmara Municipal de Arraiolos

“Preocupamo-nos com os grandes projetos, mas também com as pequenas obras, apostando num contacto próximo com as populações”

A atual presidente da Câmara Municipal de Arraiolos, Sílvia Pinto, está a cumprir o seu primeiro mandato à frente dos destinos deste concelho do distrito de Évora. No entanto, já fazia parte do executivo municipal há mais tempo, tendo ocupado o cargo de vereadora.

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redação

07 Junho 2017 | Publicado : 12:28 (07/06/2017) | Actualizado: 14:13 (08/06/2017)

Com cerca de 7400 habitantes, Arraiolos é um concelho com “futuro”, nas palavras desta jovem autarca. Um dos projetos que apontou como marcante na sua gestão é a requalificação do cineteatro municipal, que já tem a candidatura aprovada e cujas obras deverão começar em breve. As políticas sociais também têm sido uma das apostas ao longo deste mandato, no qual houve a preocupação com grandes obras, mas também com pequenos aspetos que “ajudam a melhorar a qualidade de vida dos munícipes”. Num momento em que ainda não está decidido se Sílvia Pinto se recandidata a este cargo, a mensagem que a autarca deixa a um possível sucessor é que considera “fundamental ouvirmos as populações”.

 

- Qual o balanço que faz do seu primeiro mandato?

- Faço um balanço bastante positivo, tendo em conta todas as alterações em termos de legislação que aconteceram desde o início deste mandato e tendo em conta que também foi numa altura em que aconteceram alguns aspetos mais negativos, como a extinção de freguesias do nosso concelho. Além disso, o quadro comunitário começou bastante tarde. Apesar de tudo isso acho que conseguimos ultrapassar muitas das dificuldades e fomos construindo e atingindo os nossos objetivos, de acordo com o que foi proposto aquando da nossa candidatura em 2013. Fomos trabalhando junto das populações, com as populações, desde os aspetos mais pequenos que estão à porta de cada um e que é necessário fazer, às coisas um pouco maiores e com maior volume de investimento.

- O que é que a tem preocupado mais durante estes quatro anos?

- Embora não esteja diretamente relacionado com a autarquia, preocupa-me o desemprego e os baixos rendimentos, situações que trazem problemas sociais a muitas famílias. Nós temos procurado minimizar alguns desses problemas, aumentando o apoio em termos da área social, dentro das nossas possibilidades. As bolsas de estudo de apoio ao ensino superior, a oferta dos manuais escolares de 1.º ciclo ou a oficina solidária de apoio às habitações degradadas são exemplos disso. Mas o emprego é de facto aquilo que pode ajudar a melhorar estas situações. Para isso, o Alentejo precisa que o Governo Central olhe para a nossa região e faça uma discriminação positiva e que incentive as empresas a fixarem-se por cá porque efetivamente a criação de emprego é uma necessidade.

- Quais os projetos que marcam a sua gestão à frente dos destinos da Câmara de Arraiolos?

- A requalificação do cineteatro é um deles. Estamos a aguardar o visto do Tribunal de Contas para podermos avançar com a obra. É um projeto que será cofinanciado pelo quadro comunitário, num investimento de cerca de 1,2 milhões de euros. Este equipamento já está antigo e precisa de se adequar aos novos tempos, incluindo ao nível das acessibilidades. Ao longo deste mandato temos desenvolvido também outros projetos. Gostava de salientar o “Arraiolos Mais Limpo”, virado para a área do ambiente e para a sensibilização na gestão dos resíduos. Houve a aquisição de uma nova viatura de recolha de resíduos, mas o projeto também passa por outro tipo de sensibilização, nomeadamente junto das escolas. Para além disso, tem estado a ser feita a recuperação dos ecopontos com um artista de Arraiolos, o José Gandaia. Em todas as freguesias do concelho, os ecopontos estão a ser pintados com motivos de cada uma das localidades. Apostámos muito no desenvolvimento de atividades de animação porque acreditamos que nos trazem bastante desenvolvimento económico. Temos como exemplos “O Tapete Está na Rua” ou a “Mostra Gastronómica” que já aconteciam e aos quais tentámos acrescentar alguma mais-valia, para atrair mais pessoas ao concelho e até promover estes produtos no resto do país ou além-fronteiras. Procurámos ainda dinamizar mais os centros interpretativos, como o do Mundo Rural no Vimieiro e o do Tapete de Arraiolos no centro da vila.

- Quais as potencialidades de Arraiolos?

- O nosso concelho tem muito para mostrar. O artesanato, do qual o Tapete de Arraiolos é o ex-líbris, ou a gastronomia são dois exemplos disso. Neste último campo, recordo que conseguimos registar a marca Empada de Arraiolos, mas temos também produtos reconhecidos ao nível do vinho, queijos ou doces. Arraiolos tem a vantagem de estar muito perto de Évora e há que saber aproveitar isso, inclusive do ponto de vista turístico. Tem a mais-valia das pessoas que sabem acolher, quem visita Arraiolos fica também encantado com a forma como é acolhido, o que também valoriza a nossa terra.

- A valorização do Tapete de Arraiolos é algo com que se têm debatido. Como está esse processo?

- Neste momento estamos a trabalhar com a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo na questão na candidatura a Património Imaterial da Unesco. Já apresentámos a ficha para o inventário nacional, que é um requisito para que se faça essa candidatura à Unesco. Acreditamos que tudo isso será uma mais-valia para valorizarmos este artesanato tão próprio da nossa terra.

 

- Tal como acontece em muitas zonas do interior, Arraiolos debate-se com o problema do envelhecimento da população. Que políticas têm desenvolvido nessa área?

- Arraiolos, tal como o resto do Alentejo, é um concelho com bastante população envelhecida. Nós procuramos chegar mais perto dos idosos e desenvolvemos alguns projetos, como o “Viver Sénior”, que tem várias áreas temáticas, como a música, desporto ou histórias. Desta forma conseguimos chegar às pessoas que estão um pouco mais isoladas e permite que as pessoas continuem a ser ativas. O cartão social do munícipe ou a oficina solidária, que já tinha referido, são outras das nossas políticas nesta área.

- O que é que gostava de ter feito e ainda não se concretizou?

- Há uma coisa que gostava de ter feito e ainda não fiz, mas espero que, pelo menos, a candidatura fique aprovada até ao final do mandato, que é a regeneração das piscinas municipais que já estão um pouco desatualizadas. Temos um projeto neste campo que vamos apresentar neste quadro comunitário. Já fizemos a reabilitação do circuito de manutenção que é um espaço que fica adjacente às piscinas municipais e desta forma completaríamos todo esse complexo. Temos também o projeto da dinamização da Barragem do Divor que também vamos apresentar a este quadro comunitário. A recuperação da envolvente do Arraiolos Multiusos é outro dos projetos em mente. Ideias não nos faltam, assim existam candidaturas que possam ser aprovadas, pois sem esses fundos muito dificilmente conseguimos suportar todo o investimento.

- Como perspetiva o futuro do concelho?

Arraiolos é um concelho com futuro. Está muito bem localizado geograficamente, beneficia bastante do turismo e pode beneficiar ainda mais. Tem uma zona industrial que é apetecível, até pela sua proximidade a Évora. Tem ainda a mais-valia do património. Considero que é um concelho “completo” e onde há “respostas” para diferentes gostos.

- Vai recandidatar-se à presidência da Câmara de Arraiolos?

- Na CDU temos uma forma de trabalho de auscultação e de trabalho conjunto e neste momento está a decorrer esse trabalho. O que posso dizer é que estarei disponível para o que esta coligação entender que eu deva fazer.

- Qual a mensagem que gostaria de transmitir ao seu sucessor, caso não continue neste cargo?

- Arraiolos é um concelho que merece continuar a ser bem valorizado. Quem tem amor à terra sabe o que ela precisa e sabe trabalhar para ela. É fundamental ouvirmos as populações, devemos trabalhar para as pessoas e com as pessoas para construirmos um concelho com cada vez mais qualidade de vida. É assim que temos trabalhado e é assim que consideramos que quem vier deve continuar a trabalhar. Uma das chaves do poder local é essa proximidade e numa câmara municipal com a dimensão que tem a de Arraiolos, basta nós querermos um bocadinho e facilmente temos este contacto com as pessoas.

- E a mensagem que deixa aos eleitores?

- Gostava que fizessem uma avaliação do trabalho que tem sido desenvolvido e que votassem em consciência, mas que votassem. Não fiquem em casa e deem uso ao voto, pois é para isso que vivemos num país democrático.

 

 

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