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“Diário do Sul” em parceria com a Rádio “Telefonia do Alentejo” entrevistam José Calixto, presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz

“Concelho quer assumir-se como um território com centralidade no Alentejo”

A valorização do território, a estabilidade nas políticas que tem vindo a traçar num projeto que foi feito para três mandatos e uma vivência democrática na gestão autárquica transparente e com respeito por todos são, de acordo com o presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, José Calixto, as principais marcas do executivo socialista e destes últimos anos à frente do município.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redação

07 Junho 2017

O autarca afirma que tudo isto tem vindo a ser conseguido pelo esforço desempenhado, nomeadamente o que foi feito em termos de concretização de projetos que foram submetidos a financiamentos comunitários. José Calixto orgulha-se de dizer que são poucos os concelhos que têm cerca de dez milhões de euros já aprovados para a realização de investimentos que, em seu entender, vão valorizar o território, sobretudo em termos de requalificação urbana e, consequentemente, maior qualidade de vida para a população. Esperança no futuro assente na preservação da identidade, mas sem esquecer a modernidade, continuam a ser os pilares da governação à frente do município de Reguengos, como frisou o autarca.

Qual é o balanço que faz deste mandato à frente da autarquia?

É um balanço francamente positivo, em que se consolidou uma estratégia no âmbito do quadro comunitário que terminou em 2015. Este mandato permitiu que no ciclo de apoio que decorreu entre 2007 e 2014, acedêssemos a fundos comunitários na casa dos 11 milhões de euros com a execução de dezenas de projetos. Tivemos o cuidado de planificar este ciclo autárquico que vai com dois mandatos e que se consolidará neste terceiro a que nos candidatamos. Os fundos comunitários marcaram uma estratégia de consolidação no desenvolvimento de todo o território, tendo sido dada muita atenção a todas as comunidades pequenas em termos de acessos rodoviários, numa segunda fase à requalificação urbana e às infraestruturas de saúde, uma vez que todas as extensões de saúde da responsabilidade da câmara estão requalificadas ou foram feitas de novo. Uma intervenção ao nível dos estabelecimentos escolares está quase a terminar, ainda temos uma escola que precisa de intervenção ao nível da eficiência energética. Tudo isto foi um percurso que fizemos no sentido de aproximar o nível de desenvolvimento da mais pequena aldeia ao nível da cidade sede de concelho.

Identifique quais foram, para si, os projetos âncora deste período de tempo?

Tivemos projetos âncora muito relevantes no mandato anterior e infelizmente este quadro de apoio não nos permitiu executar grandes projetos. Agora claramente deste trabalho de planificação resulta um plano estratégico de desenvolvimento urbano, um planeamento ao nível do plano de ordenamento do território do Alentejo, chamado PROTA, que nos transformou num dos cinco municípios de ordem superior do Alentejo Central. Isso permitiu-nos definir três prioridades: a mobilidade urbana, a regeneração urbana e o apoio a comunidades desfavorecidas urbanas. Este foi um grande trabalho de definição de objetivos que nos permitirá, em 2017, apresentar aos nossos munícipes com um projeto consolidado em cerca de dez milhões de euros de fundos comunitários garantidos. Nestes dois mandatos destaco as obras de requalificação do Palácio Rojão, do Parque da Cidade, do Mercado Municipal, obras que encaixam numa estratégia que terá agora o Centro de Acolhimento Turístico no antigo café central. A renovação da Praça da Liberdade e a ciclovia da cidade de Reguengos são outros dois exemplos. A conjugação destas obras fará com que no final do terceiro mandato tenhamos uma nova cidade e um novo concelho.

O que é que o preocupou mais durante este tempo?

Sem dúvida, o atraso no novo quadro comunitário. A execução deste quadro comunitário poderia ter sido completamente diferente daquela que temos. Perdemos muito tempo, dois anos e meio em discussões e elaboração de regulamentos perfeitamente estéreis. Isto atrasou o que realmente as pessoas precisam e que são as obras que lhe melhorem a qualidade de vida. Não gosto que os autarcas sejam colados àquelas pessoas que seis meses antes das eleições andam atrás dos empreiteiros para acabar obras. Por isso, vou propositadamente atrasar obras para não ser identificado com isso.

Em seu entender, que potencialidades tem este concelho?

Temos hoje uma estratégia de valorização do nosso território assente na vinicultura e no turismo em espaço rural e afirmamos a marca da capital dos vinhos de Portugal para podermos ser conhecidos lá fora. Obviamente que queremos consolidar políticas de proximidade com as pessoas. Apostar na centralidade que cada concelho tem no setor da vitivinicultura e no setor do turismo em Monsaraz e em todo o nosso território são alguns dos nossos objetivos tendo em conta o que o concelho tem. Destaco ainda a transparência na gestão municipal, o que nos colocou na linha da frente a nível nacional e isso dá muita confiança a quem aqui quer investir.

 

Já sabemos que vai recandidatar-se, mas caso não ganhasse, teria a consciência de que tinha feito o melhor pelo concelho?

Não é uma hipótese que sequer ponha, mas caso não ganhasse, teria a convicção de que este trabalho não pode parar. Poucos candidatos poderão apresentar-se às eleições com a certeza de que têm para o concelho de 12 mil habitantes, cerca de dez milhões de euros de fundos garantidos para fazer aquilo que está definido para o futuro do concelho. Se houvesse um retrocesso, estar-se-ia a penalizar o concelho.

Caso vença, o que podem esperar de si?

Um respeito muito grande pelos atendimentos semanais, estar presente no movimento associativo e nas suas necessidades e o apoio à ocupação dos jovens que não estão ainda no mercado de trabalho. É claro que este mandato é de grandes desígnios, dos quais saliento a execução de obras fundamentais na requalificação urbana, na mobilidade urbana, na preservação do património e no apoio às comunidades urbanas desfavorecidas. Mas temos outros, pois no final deste mandato ou no início do próximo, queremos ter uma acessibilidade rodoviária completamente diferente. Nós temos sido muito penalizados por ter um acesso rodoviário que tem tirado a vida a muitas pessoas, que tem prejudicado muitos investimentos. Portanto, conseguirmos ter um acesso rodoviário que nos elimine um dos mais graves pontos negros rodoviários do Alentejo é fundamental, deixando todos com elevado grau de satisfação até pelas várias décadas que vem sendo ansiado.

Gostaria também de ter o seu nome associado à expansão do bloco de rega agrícola de Alqueva?

Claro que sim, até porque a questão da execução do bloco de rega agrícola de Reguengos, que ascende a 40 milhões de euros, é fundamental para o nosso território. Quando acontecer vai resolver alguns perigos porque o lençol freático tem tendência a esgotar-se. Os hectares de vinha fazem com que haja cada vez mais necessidade de rega, passando-se o mesmo com a olivicultura. A água é determinante para a expansão agrícola e para o aumento dos postos de trabalho e dinâmica empresarial. Há agricultores do meu concelho que já têm que transportar água por meios rodoviários, o que é verdadeiramente demolidor para qualquer concorrência para mercados internacionais. Por fim, temos para breve a assinatura de um contrato no âmbito da saúde em que o município muito antes de haver passagens de competências para os municípios, irá assumir formalmente a saúde com a introdução de algumas especialidades no centro de saúde.

Que mensagem quer deixar aos reguenguenses?

Eu penso que os reguenguenses têm a sorte de ter um concelho com estabilidade política, social, cultural, e com uma perspetiva estratégica com setores que criam valor todos os dias, com investimentos produtivos quer no setor privado, quer no setor público municipal. E dou exemplos: o mercado municipal que não tem um espaço livre, a requalificação da biblioteca pública e a compra de uma máquina de projeção de cinema que leva muita gente às sessões. Queremos transmitir uma mensagem de esperança em que a nossa estratégia nos está a criar valor, a dar centralidades. Naqueles mapas dos 14 concelhos que temos com o poder de compra, com os índices de transparência, de natalidade, de segurança, verificamos que Reguengos pode ter esperança, assumindo-se como um concelho que quer ser uma centralidade no Alentejo.

Por fim, pode dizer-se que a finalidade do executivo tem sido a preservação da identidade do povo e do território?

Sem dúvida. Manter a identidade, não só aquela que define o presente e nos pretende afirmar no futuro, com uma estratégia clara, mas também a nossa identidade cultural. Estamos num território no qual valorizamos muito os nossos cinco mil anos de ocupação romana, os nossos monumentos megalíticos, a nossa paisagem cultural, todo o nosso património construído, o Castelo de Monsaraz, as fortificações de Monsaraz. A requalificação de todos os panos de muralha com um último troço a poente que nos levará a poder fazer um circuito pedestre à volta do castelo absolutamente diferente, um circuito externo, contemplador de toda a paisagem envolvente vai ser possível. Portanto, o executivo promove as artes e ofícios do nosso povo, acreditando que deve ser dado valor a todo o trabalho que foi feito em São Pedro do Corval, por exemplo, para manter 22 olarias em pleno funcionamento. Devemos continuar a fazer com que venham até nós todos aqueles que não acreditam que haja um lago que tem 1180 quilómetros de margem ou que tenhamos 150 monumentos megalíticos, onde é possível ter contacto com um tear onde se fazem as mantas de Reguengos. Este concelho é único!

 

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