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“Diário do Sul” em parceria com a Rádio “Telefonia do Alentejo” entrevistam Luis Dias, presidente da Câmara Municipal de Vendas Novas

“Quero um concelho jovem, moderno, com rumo ao progresso e à sustentabilidade”

Afirmar Vendas Novas como um concelho jovem, moderno, com rumo ao progresso e à sustentabilidade são os objetivos do executivo de Vendas Novas e que permanecem num próximo mandato se os eleitores voltarem a escolher a gestão socialista nas próximas eleições autárquicas.

Maria Antónia Zacarias

08 Junho 2017 | Publicado : 11:44 (08/06/2017) | Actualizado: 11:52 (08/06/2017) | Fonte: Redação

Qual é o balanço que faz do mandato à frente do município?

Defino-o como surpreendente porque as expetativas que tínhamos ao início estão completamente ultrapassadas e queremos continuar a fazer o melhor a cada dia. Em 2013, quando chegámos, as expetativas eram tão baixas e a capacidade do município era tão baixa, que ninguém reclamava, ninguém se queixava de nada. Hoje sentimos, a cada atendimento que fazemos, a cada ação que se concretiza no concelho de Vendas Novas, que todos querem alguma coisa e é tudo para melhor. Hoje todos pedem, todos dão a sua palavra para que a Câmara consiga fazer sempre mais e melhor porque é isso que gera o progresso. Sentimos que as pessoas querem mais e gostam do que estamos a fazer. Esse reconhecimento é a grande mais-valia de ser autarca nos dias de hoje, que é um papel tão difícil.

Consegue identificar quais são as marcas da sua governação?

Em 2013, quando aceitei o desafio para as eleições, quando decidi vestir a camisola de Vendas Novas, fi-lo a sério. Tenho tentado fazer um trabalho que vá ao encontro das necessidades das pessoas com uma grande aposta na educação como contributo para o futuro. Tenho tentado fazer sempre um trabalho sincero, em prol do concelho. Como grandes marcas destaco, assim, a educação em que procurámos resolver os problemas que existiam nas escolas e nos nossos alunos. Atuámos ao nível das cantinas, projetando o ensino em Vendas Novas. Tínhamos alunos que tinham que ser transportados da escola para as cantinas para poderem almoçar. Como tal, o primeiro grande investimento que fizemos na educação foi criar uma rede de cantinas escolas, o que permitiu aos estudantes almoçar nas suas próprias escolas as escolas com meios próprios da Câmara Municipal e com fundos comunitários. Atribuímos anualmente manuais escolares a todos os alunos do primeiro ciclo, a cerca de 400 alunos, num investimento total de 25 a 30 mil euros. Estas medidas revelam que o ensino tem vindo a ser trabalhado ao longo deste mandato de uma forma muito séria, muito empenhada, para garantir que os nossos alunos sejam melhores profissionais, mais competitivos, de forma a terem o seu lugar no mundo.

Há outros projetos e iniciativas que evidencia?

Vendas Novas é um concelho em que não há muita ligação das pessoas ao lugar. Inverter isso foi outra das nossas estratégias para fazer criar em cada um dos nossos habitantes um sentimentos de pertença a este espaço. Não esqueçamos que Vendas Novas é uma terra de passagem que liga a cintura de Lisboa ao Alentejo, como tal sentimos necessidade de criar no coração de cada um uma vontade de viver e sentir Vendas Novas todos os dias. Exemplos disso foram: o reavivar da tradição das marchas populares, uma tradição desde a década de 40 e que após o 25 de abri foi morrendo; também o madeiro do Natal na parada D. Pedro V em frente ao município, voltou a ser feito pelos artilheiros. As próprias festas do concelho foram reavivadas com o objetivo de agradar as pessoas, com a gastronomia, as atividades culturais, as desportivas e a tauromaquia. Hoje, os venda-novenses sentem-se mais fortes, ligados a uma comunidade em que se sente bem.

Ao longo do mandato privilegiou sempre a participação pública. O que o levou a escolher essa estratégia?

As ferramentas de participação pública são a terceira marca que gostaria aqui de destacar, sem dúvida. Desde as assembleias participativas que realizámos por cada uma das localidades do concelho, até depois à construção do Orçamento Participativo que todos os anos permite que 250 mil euros sejam investidos em projetos que as pessoas escolhem são exemplos desta nossa estratégia. A população decide onde quer investir, sendo que há um projeto maior de 200 mil e cinco de dez mil de euros de maior proximidade. Esta ação tem sido um grande sucesso, registando-se taxas de participação elevadas.

O que ficou por fazer?

Tanto. Quem sonha e tem visão nunca está parado. Entre 2013 e 2017 preocupamo-nos com a gestão porque quando chegámos tínhamos sete milhões e meio de euros de dívida, o que representava quase o orçamento de um ano. Neste momento, resolvemos metade da dívida e chegámos ao final de 2016 com quatro milhões, o que nos permite ter hoje tesouraria e ambição para fazer mais e melhor. No entanto, no concelho de Vendas Novas falta muita coisa, desde as infraestruturas mais básicas que não eram trabalhadas há décadas como as estradas que estavam uma lástima. Também a requalificação urbana é outro dos projetos previstos. Mas este quadro comunitário vai permitir-nos ter uma série de projetos de investimento, nomeadamente apostar na mobilidade sustentável e em atividades desportivas pois temos um parque desportivo que acolhe muitas modalidades. E já temos a candidatura do novo quartel aprovada e da loja do cidadão. O turismo ainda é um ponto fraco, mas temos um turismo gastronómico com as nossas bifanas, um turismo militar com o nosso regimento de artilharia e temos como aposta no futuro um turismo industrial.

Precisamente. Tem havido um reforço no tecido industrial?

Vendas Novas tem uma taxa de desemprego de cinco por cento. Somos o concelho do Alentejo com menos desemprego, onde o fator industrial e o setor económico são características muito fortes, além das bifanas, obviamente. Temos hoje um parque industrial que, depois da crise, já deu a volta. Hoje sentimos que as empresas tiveram a resiliência suficiente para ultrapassar, estão mais fortes, com a internacionalização afirmada e estão a usufruir de um quadro comunitário que lhes vai permitir alavancar grandes investimentos e gerar, cada vez mais, emprego. O parque industrial emprega 1100 pessoas e com as empresas que temos certas e a iniciar construção muito em breve vão chegar aos 1500 postos de trabalho. Somos fortes no setor da cortiça e na produção de componentes automóveis. Era preciso diversificar e temos uma fábrica de pranchas de surf que é a principal exportadora europeia para todo o mundo. Temos também o vinho e o caviar que já vai iniciar a produção. Também há mais duas farmacêuticas a sedearem-se no concelho. Estamos prontos para nos tornarmos num dos principais centros de indústria do Alentejo. Criámos a start up Alentejo para incubação de setores criativos e, em dois meses, 11 novas empresas já existem. Temos todas as condições para ser a porta de entrada de empresas para a região.

Luís Dias vai recandidatar-se

porque “missão só está no início”

Vai recandidatar-se?

Sim, vou recandidatar-me à Câmara Municipal de Vendas Novas. Quando aquilo que fazemos nos deixa orgulhosos e realizados, não podemos virar costas ao desafio que iniciámos. A missão ainda agora começou. Não quisemos apenas recuperar financeiramente a câmara, fazer alguns investimentos, mas também não queremos deixar o trabalho a meio. Estou cá para ficar, tenho muito prazer em representar Vendas Novas e com toda a humildade que me é conhecida, se os venda-novenses quiserem, terei todo o orgulho em continuar a desenvolver um trabalho capaz de tornar o concelho mais forte e mais sustentável. As perspetivas são em crescendo, queremos um projeto com futuro e é isso que vamos fazer até ao fim dos cinco meses de trabalho que ainda nos faltam e depois de vencermos as eleições. Nestes quatro anos fizemos em Vendas Novas um virar de página em todos os setores.

Como perspetiva o futuro do concelho?

Com muita cautela porque há uma ameaça quanto à autonomia dos concelhos, nomeadamente com a redefinição daquilo que são os concelhos, as freguesias e também as competências. Mas não temos medo porque sabemos que no terreno fazemos cinco vezes melhor do que alguém no Terreiro do Paço. É por isso que temos assumido, na área da saúde, competências que não são nossas, mas que sabemos que vão ajudar as pessoas. Há hoje mais médicos nos centros de saúde porque a Câmara assume despesas que não estão na sua alçada. Também na área do ensino assumimos responsabilidades que não são nossas. Portanto, se a descentralização for feita com pés e cabeça não nos mete medo. Estamos prontos para a aceitar com a noção de que com mais autonomia local, teremos um melhor serviço público. Vamos continuar a apostar no ensino com a expansão do ensino via tablet, método de ensino a todos os alunos do 1.º ciclo onde haverá funcionalidades aplicativas vocacionadas também para conhecerem mais sobre a identidade do concelho e terem acesso às novas tecnologias, tornando-se mais competitivos. Todos os alunos, quase 450, vão ter o seu tablet porque os nossos jovens merecem um bom futuro.

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