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“Diário do Sul” em parceria com a Rádio “Telefonia do Alentejo” entrevistam Manuel Condenado, presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa

“Candidatura a Património Mundial da Humanidade é determinante para o desenvolvimento do concelho”

A candidatura de Vila Viçosa a Património da Humanidade, a manutenção do saneamento financeiro e a requalificação urbana associada ao desenvolvimento turístico são os projetos estruturantes do executivo para o concelho.

Maria Antónia Zacarias

08 Junho 2017 | Publicado : 11:58 (08/06/2017) | Actualizado: 14:13 (08/06/2017) | Fonte: Redação

Conseguir tirar proveito de todas as potencialidades a nível patrimonial, edificado, mas também imaterial, são os pilares que norteiam a estratégia de Manuel Condenado, presidente da Câmara Municipal. A seu ver, é importante e urgente que o centro histórico desta vila seja requalificado como forma de atrair mais turistas e conseguir que seja distinguido com o selo da UNESCO. No entanto, o autarca mostra-se igualmente preocupado com a qualidade de vida das populações, afirmando que o executivo tem apostado na área social como forma de dar resposta aos mais carenciados, mas também aos jovens que não quer ver partir em busca de emprego noutros locais do Alentejo ou do país. O setor do mármore continua a ter peso na economia regional, mas o edil entende que o tecido empresarial deve ser alargado a outros setores para criação de mais postos de trabalho. Manuel Condenado salienta, contudo, que acredita que se Vila Viçosa for Património da Humanidade, todas estas metas vão ser alcançadas.

Qual é o balanço que faz do mandato à frente do município?

Estamos moderadamente satisfeitos com o que fizemos neste mandato. Uma obra importante em diversas vertentes da nossa atividade. No início do mandato, sabíamos que iria ser um mandato difícil. Fui vereador no último mandato e sabia o que iria herdar caso vencesse, como aconteceu. Uma herança socialista muito complicada, ruinosa, com fundos disponíveis negativos de um valor elevado, pagamentos em atraso em cerca de 1,5 milhões de euros, dívidas aos fornecedores, o que levou a penhoras e a injunções. Os serviços estavam desorganizados, o espaço público igualmente, os edifícios municipais, as viaturas e equipamentos estavam degradados. Perante isto, percebemos que tínhamos muito trabalho a realizar. Neste momento, a situação financeira está regularizada, diminuímos para menos de metade a dívida global, os pagamentos a fornecedores estão em dia e são feitos a tempo e horas. Os fundos disponíveis são satisfatórios e positivos. Posso afirma que estamos em boas condições de iniciar um outro ciclo na nossa atividade. Existe um grande clima de confiança das instituições e das pessoas relativamente à câmara, resultado de uma estabilidade política que conseguimos criar.

Pode apontar quais são as marcas da sua governação?

Uma das marcas deste mandato é, sem dúvida, o saneamento financeiro. Outra igualmente importante é a candidatura de Vila Viçosa a Património da Humanidade. É um processo muito moroso. A primeira vez que apresentámos a candidatura foi há cerca de 12 anos. Reativámos todo esse processo e já conseguimos que, em maio de 2016, Vila Viçosa ingressasse na lista indicativa a Património Mundial. Temos agora a possibilidade de trabalhar e entregar o dôssier da candidatura até setembro de 2018. Tudo isto é feito numa ótica de dar seguimento à linha estratégica que está definida e que assenta no desenvolvimento turístico do concelho. Vila Viçosa tem belezas singulares a nível do património religioso, edificado e imaterial e, de facto, é uma das nossas ambições a valorização deste património, justificando-se assim esta candidatura.

Face aos condicionalismos que identificou, o que é que ficou por fazer?

A autarquia realizou, para além do que referi, ações no âmbito social e ambiental e a nível de outro tipo de obras noutras vertentes. A nível do ambiente requalificámos a ETAR de Vila Viçosa, que tinha ficado ao abandono no mandato anterior. Iniciámos um processo de instalação de contentores subterrâneos no centro histórico da vila que resultou em grande sucesso e que vem valorizar a candidatura a Património da Humanidade, construímos uma casa mortuária na sede do concelho, ainda estamos a construir infraestruturas básicas na área industrial de Vila Viçosa e numa freguesia rural. Realizámos muitas obras e demos muita importância ao espaço urbano, no qual fizemos dezenas de obras quer na vila, quer nas freguesias rurais. Efetuámos algumas pavimentações, requalificámos a piscina coberta que, de certo modo, estava abandonada e investimos muito, e já o tínhamos feito em mandatos anteriores, a nível do planeamento.

O espaço urbano é motor de desenvolvimento, a seu ver?

Há poucas semanas foi publicado em Diário da República, o Plano de Urbanização de Vila Viçosa. Está na fase terminal, o Plano de Salvaguarda de Valorização do Centro Histórico de Vila Viçosa. Isto demonstra que damos muita importância a esta questão para que não haja discricionariedade quando houver que tomar decisões. O ordenamento é fundamental porque o ambiente urbano tem, para nós, uma importância, acrescida. Mas, apesar de tudo, fica sempre alguma coisa por fazer. Vamos tentar recuperar o cineteatro Florbela Espanca, mas se não conseguirmos até ao final do mandato, quem estiver no próximo terá que o fazer. É um equipamento coletivo com muita importância em termos da identidade cultural. No anterior mandato, o teto colapsou por falta de limpeza, e estamos agora a efetuar a elaboração de projetos para financiamentos a fundos comunitários. Isto claro, se nos for possível, uma vez que temos duas outras candidaturas já apresentadas com vista à requalificação da alameda das piscinas, no âmbito da mobilidade urbana, e a Gago Coutinho no âmbito da regeneração urbana. Vila Viçosa tem muito património, embora a maioria seja da Igreja e da Fundação Casa de Bragança e, não escassas vezes, existem dificuldades na sua reabilitação. Como tal, temos que criar parcerias, ser mais pró-ativos para encontrar recursos.

Quais são os principais problemas existentes no concelho?

O executivo tem que trabalhar para captação de investimentos. A nossa preocupação é gerar emprego. Há muitos jovens desempregados e temos que definir estratégias para captação de investimento e para criar postos de trabalho. Outra das preocupações tem a ver com bolsas de pobreza que ainda existem e temos que trabalhar para que desapareçam. Há a salientar que temos feito um esforço nesse sentido com a criação de um cartão social para idosos para pagamento de medicamentos e descontos em serviços municipais. Temos um cartão jovem com benefícios, um regulamento específico para a natalidade e atribuímos 20 bolsas de estudo. Contamos ainda com uma oficina domiciliária através da qual realizamos pequenas obras nas habitações aos utentes o cartão de apoio social. Temos também a ação social escolar e há a sublinhar o trabalho de rede que existe com a Cáritas, Santa Casa da Misericórdia e Cruz Vermelha, conseguindo dar-se uma resposta social adequada à população.

Setor do mármore e plano de urbanização

contribuem para a dinamização do concelho

Quais são as potencialidades deste território?

Existe muita qualidade de vida. Temos um recurso natural que é o mármore, não é por acaso que é conhecida pela capital do mármore. É verdade que não estamos tão fortes como estávamos há 30 anos atrás porque a crise afetou todo o território. Atualmente, temos cerca de 50 pedreiras em atividade. É um recurso que dá emprego a milhares de trabalhadores, o que dinamiza todo o setor, quer ao nível da atividade de exploração, quer da transformação. E temos o outro recurso que é o património e tudo o que é adjacente, como o turismo e os serviços e é por aí que temos que definir as nossas estratégias de desenvolvimento.

Recandidata-se à câmara municipal de Vila Viçosa?

Neste momento, estamos num processo de auscultação, é este o nosso método de trabalho. Conhecemos as disponibilidades de todos os que compuseram a lista e sabemos que são quase totais do primeiro ao último lugar. Perante isto, está a ser elaborado o programa eleitoral e a escolher-se os melhores candidatos para levar a cabo este programa eleitoral. No dia 25 de junho vai ser feita a apresentação pública das listas dos candidatos. Temos uma certeza: vamos concorrer a todos os órgãos autárquicos do concelho e temos a convicção de que vamos ganhar. Temos essa confiança.

Caso seja candidato e venças as eleições, isto é apenas o início do plano estratégico?

O nosso projeto autárquico foi pensado para mais de quatro anos. Temos uma estratégia definida, desde logo, reitero a candidatura de Vila Viçosa a Património da Humanidade e a estabilidade política que é determinante para levar a bom porto os nossos projetos. É importante referir o trabalho por administração direta. Sabemos que existem ganhos substanciais quando é a própria câmara a realizar os projetos, no próprio gabinete da divisão do urbanismo e são os próprios serviços operativos a realizar determinado tipo de obras que temos capacidade de realizar. Numa linha de continuidade, vamos dar apoio ao tecido empresarial, como já o fizemos este mandato, com a isenção de todas as taxas que o pequeno comércio pagava ao município. Criámos também um sistema de isenção de taxas para a recuperação de imóveis degradados, o que é importante sempre na perspetiva da regeneração urbana e da candidatura ao Património Mundial.

Qual é a mensagem que deixa a todos os calipolenses?

Uma mensagem de esperança. Penso que a população assumiu alguns desideratos que foram assumidos pelo executivo municipal. A gestão da água como um bem público deverá manter-se. A delegação de competências também deve prosseguir com as juntas de freguesias. As finanças saudáveis devem manter-se. Continuar com uma agenda cultural rica e dinâmica como tem sido nos últimos tempos. É importante preservar este espírito de que os serviços da câmara têm que ser de qualidade e céleres na resposta a dar aos munícipes. O associativismo é muito forte no nosso concelho com quem temos protocolos e isso dá dinâmica ao concelho. Deste modo, apelo à população para dar continuidade à participação cívica e manter-se solidária.

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