merida enamora 2
Diario do Sul
diario jornal

“Diário do Sul” em parceria com a Rádio “Telefonia do Alentejo” entrevistam Hortênsia Menino, presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo

“Gestão aberta e participada continua a ser a característica da nossa governação”

Gestão participada, em que a população é chamada a expressar as suas ideias, bem como a descentralização de competências da Câmara Municipal para as Juntas de Freguesias foram duas das principais marcas da governação comunista à frente do município de Montemor-o-Novo.

Redação

12 Junho 2017

A afirmação é feita pela presidente, Hortênsia Menino, que salientou a importância de envolver a comunidade nas decisões políticas, como forma de ir ao encontro das suas expetativas. A autarca salientou também a aposta forte na captação de empresas e ideias inovadoras para o concelho, lembrando a criação de uma incubadora de empresas e alertou para a necessidade de rentabilizar a valia do regadio da Barragem dos Minutos como fomentador de novas culturas, tornando mais dinâmica a agricultura. Hortênsia Menino disse acreditar no futuro do concelho, defendendo que este tem potencialidades, nomeadamente a sua localização estratégica, bem como a fileira da carne, que podem contribuir para a geração de riqueza e criação de emprego na região.

Qual é o balanço que faz do mandato à frente do município?

O balanço que fazemos deste mandato autárquico é muito positivo, naturalmente com algumas intervenções menos bem conseguidas. Este balanço não pode ser dissociado daquilo que foi o contexto político nacional que teve impacto na vida das pessoas, mas também nas condições para a gestão do poder local. Foi nesse cenário que tentámos planear aquilo que tínhamos proposto, tentando garantir que fosse dado cumprimento à generalidade das propostas que tinham sido feitas.

Quais são, em seu entender, as marcas da governação?

Em termos de prática de governação, mantivemos uma gestão aberta e participada com as populações, com um programa regular de visitas, de encontro com as populações e reuniões com os trabalhadores da Câmara Municipal. Pensamos que é fundamental para irmos acertando o nível das nossas decisões e a resposta que damos às pessoas. Mantivemos também um elevado nível de descentralização de competências da Câmara Municipal para as juntas de freguesia que foi extremamente importante para garantir que a população pudesse ter uma resposta mais próxima e mais rápida no novo quadro legal de atribuição de competências. Negociámos com todas as freguesias um pacote global de descentralização que permitiu e continua a permitir essas intervenções. Fortalecemos também as relações com os agentes económicos locais, criámos o programa “Mor mais economia – desenvolver, empreender e inovar”, que tenta fomentar redes de empresários, para além de contactos diretos entre a Câmara Municipal e as próprias empresas.

Há mais projetos a destacar?

Sim. Dinamizámos também o programa “Ao sabor das estações” que está focado na promoção dos produtos locais e que envolveu um conjunto de parceiros locais. Depois alguns projetos em concreto que marcaram pela importância, pela necessidade da sua concretização, nomeadamente os investimentos na rede de saneamento numa gestão pública e nesse âmbito foi concluída a ETAR de Lavre e a ETAR de Montemor-o-Novo está em construção. Temos também um novo centro escolar que veio dar uma resposta mais qualificada e mais moderna às necessidades educativas da cidade de Montemor. E aquele que, para nós, também é um projeto bastante importante que é a nova oficina da criança que vai ter um espaço criado de raiz que inauguraremos em breve. Esta construção vai permitir também um salto qualitativo do ponto de vista do que é um espaço aberto, que apela à criatividade, permite as crianças desenvolverem as suas capacidades artísticas, motoras e atividades de tempos livres.

O que é que faltou fazer?

Um dos projetos que gostávamos de ter feito foi a recuperação do mercado municipal e do espaço envolvente. É um projeto que está integrado no quadro de financiamento que já está aprovado. Há um outro que também é importante que é o Centro de Artes Disciplinares no Convento da Saudação, no Castelo de Montemor-o-Novo, que é uma parceria com o Espaço do Tempo.

O que pretende continuar a desenvolver no próximo mandato?

Os projetos que referi terão a sua continuidade, embora a questão de me recandidatar ou não ainda estar em avaliação interna no quadro das forças políticas que integram a Coligação Democrática Unitária (CDU). Não há ainda uma decisão tomada, pois como sabem, é feita uma avaliação e uma discussão alargada sobre as propostas de listas aos órgãos autárquicos.

Em seu entender, o concelho tem potencialidades?

Muitas. Em primeiro lugar, a localização, em particular a proximidade a Lisboa. Há a salientar também as condições de acessibilidade, as características do relevo, bem como as questões do património cultural. Também os setor agrícola tem um peso importante que ainda assim é imprescindível potenciar. Montemor tem igualmente um peso muito relevante, a nível nacional, do ponto de vista, da fileira da pecuária. Com a associação de produtores temos vindo a construir esse trabalho no sentido de poder consolidar a fileira da carne, nomeadamente ao nível da transformação e da comercialização, acreditando que assim teria mais-valias para todo o concelho.

O facto de Montemor ser atravessado por uma estrada nacional é uma vantagem ou uma desvantagem?

Se por um lado, Montemor continua a ser atrativo por este cruzamento da rede rodoviária, em que temos atividades que têm vindo para aqui precisamente por essa centralidade na região Alentejo. Por outro lado, dentro da cidade, do ponto de vista da vida das pessoas e da gestão urbana, ter o atravessamento de uma estrada nacional é, de facto, um constrangimento. Há muitos anos que reivindicamos uma solução, por exemplo, a construção de uma variante rodoviária à cidade, que aliás está prevista na lei de ordenamento do território. Percebemos que do ponto de vista da capacidade de investimento é um projeto muito significativo e estamos a trabalhar com as Infraestruturas de Portugal no sentido de encontrar uma opção que visasse reduzir, pelo menos, o impacto que tem o atravessamento de veículos pesados na própria avenida.

No que concerne à agricultura, está-se a tirar partido da água resultante da Barragem dos Minutos?

A Barragem dos Minutos pode ainda ser mais potenciada do que tem sido até agora. Estamos a fazer diligências junto das entidades oficiais no sentido de saber para quando haverá um plano de ordenamento da barragem. De qualquer forma, no quadro das oportunidades, o aproveitamento do perímetro de rega da Barragem dos Minutos, até numa perspetiva de diversificação da atividade económica do concelho pode ser extremamente relevante pode trazer para Montemor-o-Novo novas atividades agrícolas.

Tem havido um esforço para atrair novas empresas?

Sim. Em 2013 instalámos um centro de acolhimento a micro e pequenas empresas, o CAME, numa parceria com a Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo (ADRAL), numa perspetiva de poder criar uma incubadora de ideias e ajudar ao arranque de atividades empresariais. Temos uma rede de mentores para acompanhar os projetos, o que valoriza os empreendedores e os seus negócios. Além disso, queremos promover o CAME junto das universidades e politécnicos da região como forma de contribuir para o desenvolvimento do território.

Como vê o futuro do concelho?

Montemor tem capacidade para se consolidar como centro económico e com maior peso do ponto de vista agrícola. Ambicionamos um quadro político nacional que possa criar condições para que as regiões, fora das grandes áreas metropolitanas, tenham mais oportunidades. Eu creio que Montemor tem todas as condições para podermos ter aqui outro tipo de atividades económicas que sejam geradoras de emprego. O nosso grande desafio é que sejam criadas condições no concelho para fixar jovens, para criar emprego e riqueza, elevando a qualidade de vida de todos os montemorenses.

O que pretende dizer a todos os habitantes do concelho de Montemor-o-Novo?

Gostaria que todos dessem o seu contributo todos os dias. É importante que os montemorenses participem na vida política para o desenvolvimento da cidade e do concelho e que, depois, em época de eleições façam uma avaliação justa daquilo que considerarem mais importante para o nosso território. Deixo, assim, um apelo à participação e ao envolvimento de todos os habitantes. O futuro de Montemor será tanto melhor quanto mais montemorenses se envolverem nessa participação, nessa discussão coletiva de projetos e de ideias. Tenho a certeza que, assim, o futuro de Montemor-o-Novo será melhor para todos, independentemente de quem for o vencedor das eleições.

 

 

 

Dê-nos a sua opinião

Incorrecto
NOTA: As opiniões sobre as notícias não serão publicadas imediatamente, ficarão pendentes de validação por parte de um administrador.

NORMAS DE USO

1. Deverá manter uma linguagem respeitadora, evitando conteúdo malicioso, abusivo e obsceno.

2. www.diariodosul.com.pt reserva-se ao direito de eliminar e editar os comentários.

3. As opiniões publicadas neste espaço correspondem à opinião dos leitores e não ao www.diariodosul.com.pt

4. Ao enviar uma mensagem o utilizador aceita as normas de utilização.