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“Diário do Sul” em parceria com a Rádio “Telefonia do Alentejo” entrevistam António Figueira Mendes, presidente da Câmara Municipal de Grândola

“Equilíbrio das contas mostra caminho para um futuro com muita esperança nos próximos anos”

Um concelho que quer desenvolver-se assente no tecido económico, na criação de postos de trabalho para fixação da população, no turismo de mar, mas também rural onde se incluem as florestas e a possibilidade das atividades ao ar livre. É assim que o presidente da Câmara Municipal de Grândola, António Figueira Mendes, quer que o território se afirme no mapa, depois de ter sanado as dívidas existentes.

Maria Antónia Zacarias

12 Junho 2017 | Fonte: Redação

O autarca salienta que o caminho está traçado, sendo agora necessário percorrê-lo, mas sem tirar os pés da terra. Quer com isto dizer, não gastando mais do que aufere, uma vez que o saneamento financeiro da câmara foi um dos desafios deste executivo que, segundo o responsável, foi conseguido com uma gestão criteriosa, sem esquecer os munícipes. António Figueira Mendes considera que estão, agora, reunidas todas as condições para o executivo começar a pôr em prática uma série de projetos, entre os quais o ordenamento do território que passa pela regeneração urbana dos centros históricos de Grândola e Melides, numa ótica de atração turística. O autarca, que já desempenhou estas funções durante muito tempo, sendo um profundo conhecedor do poder autárquico, diz que o concelho tem um grande futuro pela frente.

Qual é o balanço que faz deste mandato?

Embora tenhamos entrado com uma situação difícil do ponto de vista financeiro, é positivo. Temos procurado responder às expetativas que criámos às populações do concelho. Fizemos uma gestão financeira rigorosa, em que poupámos nestes três anos, quatro milhões e seiscentos mil euros, reduzimos a dívida em mais de 30 por cento, sem penalizarmos os nossos munícipes. Exemplo disso é que diminuímos o IMI, a derrama, e procurámos uma gestão rigorosa, fazendo poupanças, racionalizando os meios humanos e os equipamentos que tínhamos. Tudo isto permitiu que, já este ano, se começasse a investir depois de a casa estar mais ou menos arrumada. Tínhamos um PAEL que nos manietava e que não nos permitia fazer investimentos do ponto de vista legal. Liquidámos o PAEL. Tínhamos faturas em atraso, mas atualmente estamos a pagar a 60 dias, o que levou as empresas a confiarem em nós. Estamos capazes de responder às exigências atuais e apresentar candidaturas aos fundos comunitários com vista a obter um financiamento de cerca de dez milhões de euros. Portanto, está tudo a correr bem.

Quais são as marcas da sua governação?

Penso que o saneamento financeiro foi um ponto importante. Uma coisa é investirmos e outra é investirmos com alguma segurança e com alguma ponderação. Não podemos gastar mais do que temos e não podemos contrair créditos se não tivermos dinheiro para os pagar. Outra marca é o movimento associativo que é muito forte. No entanto, não havia regras para apoio a estas associações e nós criámo-las, fizemos regulamentações concretas, definidas, transparentes, em que todos sabem o que recebem e o que os outros recebem. As associações apresentam um plano de atividades, nós decidimos o que vamos apoiar e no final do ano têm que nos fazer um relatório com aquilo que efetivamente realizaram. Ainda há pouco tempo fizemos uma sessão onde todas as associações assinaram os protocolos com a Câmara e todos ficaram a saber o que auferem, sem qualquer problema. Uma outra marca é a dinamização do desporto e da cultura. Nós temos grandes condições, do ponto de vista físico e ambiental, que permitem fazer muito desporto ao ar livre, como o BTT, os duatlos. Neste momento, há um grande movimento do ponto de vista desportivo com caminhadas, provas de atletismo e ciclismo. Vamos ter um evento que esperamos que duplique o número de participantes em relação há três anos que é a ultra maratona Melides-Tróia em que aguardamos que participem cerca de 700 atletas. É uma prova dura, existem poucas no mundo que é correr pela areia. É uma iniciativa que tem uma grande visibilidade contribuindo para a dinâmica da economia local e promoção turística da nossa costa.

A administração direta também foi privilegiada em Grândola?

Com certeza. Quisemos voltar aos tempos em que a Câmara tinha os seus próprios meios para construir algumas das obras que necessita, ou seja, usar a administração direta. As reparações de ruas, as pequenas obras de construção civil são exemplos do que a câmara tem capacidade para fazer. No entanto, durante um período de tempo, isso deixou de ser possível não só porque a autarquia não tinha pessoal, como os equipamentos estavam obsoletos. Tínhamos uma frota completamente velha e perante isso tivemos que adquirir máquinas, ferramentas, viaturas e abrimos concurso para admitir pessoas para os serviços operacionais. Daí a algum tempo estaremos capazes de responder às necessidades de responder à comunidade.

O que ficou por fazer?

Muita coisa, mas ainda bem que o poder local tem este desafio de em cada dia termos coisas novas para fazer. Resolvidos os problemas básicos, poderia pensar-se que estava tudo feito, mas afinal há requalificações para fazer como a repavimentação das estradas e dos arruamentos. Estamos agora a reparar as vias que há mais de 30 anos não tinham qualquer tipo de conservação. Além disso, as autarquias têm hoje outro desafio que é a dinamização económica do concelho. Neste sentido, o que estamos a fazer com algum êxito, é a dinamizar a pequena área industrial que nos últimos dois anos tem tido uma grande procura. Temos feito promoção e agora há um conjunto de empresas já a laborar, que veio ampliar a zona industrial. Só havendo empresas é que podem ser criados empregos. Olhando agora para o território temos 45 quilómetros de faixa costeira muito bem preservada com projetos de grande envergadura que, por via da crise, uns pararam, mas que parece que estão agora a querer retomar a sua atividade. Uma das grandes preocupações é o ordenamento do território. O nosso turismo também é rural, uma vez que temos quatro ou cinco unidades de quatro estrelas que têm uma ocupação muito interessante ao longo do ano, o que é uma valia porque não temos um turismo de sazonalidade. O desenvolvimento turístico passa também pela floresta.

Floresta é vista como um potencial no concelho

Quer dizer que a floresta é, em seu entender, uma grande potencialidade do concelho?

Sem dúvida. Nós tivemos a cortiça que há uns anos era a base da nossa economia, mas agora só restam duas fábricas. Mas temos que valorizar a serra que temos e que é uma grande potencialidade, embora a doença dos sobreiros tenha tido impactos negativos. Mesmo assim ainda somos dos maiores produtores de cortiça com grande qualidade. Temos parcerias com a Faculdade de Ciências de Lisboa, com uma estação experimental na serra de Grândola no sentido de ir estudando as doenças do montado. Em simultâneo temos uma realidade que é nova e que é o pinheiro manso. Em termos nacionais temos cerca de 30 por cento da produção de pinhão e está a plantar-se muitos mais pinhais com outra forma de cultura que permite produzir pinha muito mais cedo. Nesse sentido, instalou-se uma fábrica de produção de pinhão que já está a exportar tudo o que produz, bem como uma estação experimental para certificação dos pinheiros, permitindo que o pinhão obtenha um valor acrescentado.

Voltando um pouco atrás, o facto de não haver, em seu entender, sazonalidade no turismo é uma alavanca para o setor?

O turismo rural tem ajudado à criação de muitos postos de trabalho nos últimos anos, embora muitas vezes não tenhamos a ideia da importância que isso tem sido. Essas quatro ou cindo unidades que se instalaram na zona industrial têm privilegiado a contratação de pessoas do concelho. Contudo, temos uma grande lacuna que é precisamente a falta de formação ao nível do turismo, mas já temos um protocolo com o Instituto Politécnico de Beja no sentido de colmatarmos essa falha. A nossa gastronomia é muito interessante, mas nem sempre a qualidade do serviço corresponde ao esperado. Daí a importância da formação, sobretudo para melhoria da oferta turística e com um desígnio mais alargado que é o desenvolvimento integrado como forma de impedir o abandono do interior do concelho.

Vai recandidatar-se à Câmara Municipal?

Estou a tentar convencer-se em consonância com a minha família que é sempre algo complicado. Já estive no poder autárquico muitos anos, não acompanhei o crescimento das minhas filhas e agora coloca-se o mesmo com as minhas netas. Portanto, esta é uma situação complexa. É um desafio que tenho que decidir nos próximos dias.

Qual deve ser o futuro do concelho, independentemente da sua decisão e da votação dos eleitores?

Creio que a primeira coisa que deve ser feita é continuar com os pés da terra, é preciso gerir com parcimónia os fundos que são de todos nós para que não venhamos a cair numa situação que já tivemos. Depois, eu diria que o caminho está feito, sendo necessário acompanhar os projetos que estão em curso. Mesmo dentro da vila temos a requalificação do jardim 1.º de maio que está numa situação muito degradante e que já foi o nosso ex-libris. Vamos reconstruir a biblioteca pública nacional e a praça onde se insere, a escola primária de Grândola, a antiga igreja de S. Pedro e a avenida Jorge Nunes que é uma artéria fundamental para o concelho. A regeneração urbana de Grândola e de Melides são também outras âncoras fundamentais para o concelho. Como tal, reafirmo que o caminho está aberto para termos um futuro com muita esperança nos próximos anos.

Qual é a mensagem que quer deixar para toda a população de Grândola?

Desejo que acreditem em si próprios, que ajudem, que sejam sujeitos ativos das transformações que querem fazer no concelho, isto é, que participem. É para eles que o desenvolvimento irá resultar, mas para isso é preciso que eles deem os seus contributos e que sejam críticos porque isso no fundo é que definirá o futuro que queremos para todos nós. É igualmente decisivo que votem, pois creio que temos que valorizar a democracia porque passaram poucos anos e o que estamos a ver pelo mundo fora é que as coisas não estão assim tão ganhas. O poder democrático não é estático, nem eterno, logo as pessoas têm que estar ativas, vigilantes e nada melhor do que foi aquilo que o 25 de abril nos deixou que foi a possibilidade de votar, independentemente das convicções políticas de cada um. As pessoas têm que acreditar na política porque é uma atividade nobre. Se há um político ou outro que não se portou bem, os eleitores têm que castigá-lo e isso é feito pelo voto.

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