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“Diário do Sul” em parceria com a Rádio “Telefonia do Alentejo” entrevistam José Manuel Grilo, presidente da Câmara Municipal de Portel

“Mandato foi vocacionado para a intervenção social para melhorar a qualidade de vida”

O Poder Local tem hoje um novo desafio. É esta a convicção do presidente da Câmara Municipal de Portel que defende que o tempo somente da realização de obras físicas está a dar lugar a ações vocacionadas para a promoção de uma melhor qualidade de vida das populações.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redação

13 Junho 2017

A fixação das pessoas num território do interior, sobretudo dos jovens qualificados com sentido empreendedor, a criação de emprego resultante de investimentos resultantes da existência da barragem de Alqueva e a atração turística deste território quer pela paisagem, quer pela cultura e pela identidade do povo que traz o cante alentejano na alma são potencialidades determinantes para um melhor futuro do concelho de Portel. José Manuel Grilo faz um balanço positivo do seu mandato, criticando, contudo, o programa comunitário que considera que não tem em consideração as especificidades dos concelhos. Não obstante, o autarca afirma que a Câmara tem uma situação financeira estável que permite realizar projetos importantes. A reabertura do tribunal é apontada como uma grande vitória do executivo, garantindo também não desistir da inversão da união das freguesias, desvendando assim a possibilidade de se recandidatar a mais um mandato à frente da autarquia de Portel.

Qual é o balanço que faz do seu mandato?

Faço um balanço extremamente positivo. Foi um mandato em que nos dedicámos muito a encerrar as obras do antigo quadro comunitário e a preparar as novas. Mas antes de tudo foi um mandato muito virado para os novos desígnios do que é o Poder Local. Antes as câmaras faziam muita obra, mas hoje em dia e no concelho de Portel está arrumadinho. Faltam-nos pessoas, algum emprego e queremos dar vida a todos os equipamentos que temos. Outra das nossas preocupações, talvez a principal, foi a vontade de apostar e reforçar a vertente social com os apoios. Nos tempos que correm, o papel da autarquia é ter uma intervenção na área social, cultural, desportiva e muito em especial na área também da educação.

Dê alguns exemplos do que foi feito nestas áreas.

Como referi, este foi um mandato vocacionado para as intervenções sociais, das quais destaco as ofertas dos manuais escolares do primeiro ao nono ano, abrangendo mais de 300 alunos, a atribuição de subsídio de 500 euros aos seis alunos que frequentam o ensino universitário. A isto acrescentamos a implementação de um programa de ocupação denominado “250”, dirigido para aqueles que acabam o curso e estão à procura de um primeiro emprego, com idades compreendidas entre os 18 e os 25 anos, e que podem ter uma ocupação em atividades sociais com a duração de nove meses com uma bolsa de 250 euros mensais. Salientamos ainda as atividades curriculares que são gratuitas, entre outras.

O que gostaria de ter feito e não conseguiu?

O projeto da requalificação das piscinas era um projeto que eu gostaria de ter iniciado, mas foi completamente impossível porque volveu algum tempo em termos de elaboração e por ser um investimento próprio da autarquia. É verdade que esta obra só vai ser possível devido a uma gestão financeira estável, nunca dando o passo maior que a perna. Portel recebe 500 mil euros todos os anos para fazer investimentos. Se não fossem os fundos comunitários e algum dinheiro que temos em caixa, este projetos eram totalmente impossíveis. Espero que até 2020, este projeto das piscinas seja financiado, uma vez que este equipamento tem mais de 30 anos e estas piscinas nunca foram financiadas.

Quer dizer que a região está a ser prejudicada com o novo quadro comunitário?

O Alentejo 2020 foi feito com regra e esquadro e não se ajusta à realidade da nossa região. Um outro projeto que ainda não conseguimos realizar foi a requalificação da Escola EB2, 3, mas que gostaria muito de ter iniciado. Outro são as Estações de Tratamento de Águas Residuais, um projeto com as Águas de Lisboa e Vale do Tejo, que está a ser concluído em Alqueva, Amieira e Portel restando agora fazer a fase de testes para que comece a funcionar muito em breve. Nas outras freguesias falta lançarem-se os concursos para que possam ser iniciadas ainda este ano. Não obstante, tentei responder às expetativas dos munícipes e às suas reivindicações. E posso exemplificar.

O que foi feito, em seu entender, nesse sentido?

Temos o cartão do idoso, dos jovens, proporcionando uma maior qualidade de vida a quem aqui vive e a quem nos visita. Temos transporte público das freguesias para a sede de concelho, uma ação que não era da nossa competência, uma vez que devia ser da responsabilidade do Governo. No âmbito dos transportes escolares foi feito um investimento enorme na aquisição de transportes, uma vez que comprámos dois autocarros, um de 55 lugares e outro de 32 com uma plataforma especial elevatória para quem tem mobilidade reduzida. Adquirimos duas carrinhas de nove lugares, uma de 15 lugares e um minibus de 15 lugares que faz o transporte dos alunos de São Bartolomeu do Outeiro para Oriola pelo facto do encerramento da escola de São Bartolomeu do Outeiro.

Como perspetiva o futuro de Portel?

Eu acredito sempre no futuro e digo que não podemos baixar os braços. Temos que lutar sempre mais, mas faltam-nos mais pessoas, mais rendimento e mais emprego. Se conseguíssemos localizar aqui um projeto estruturante, acredito que isto seria possível. Daí a nossa aposta em Alqueva com a modificação do Plano de Ordenamento da albufeira. Não esqueçamos que atualmente temos limitações ao nível da utilização balnear, mas mesmo assim conseguimos realizar provas em águas abertas. No entanto, se pudéssemos fazer uma praia fluvial com algum investimento da Câmara ou outro tipo de atividades de aproveitamento de água, o território teria maior dinamismo quer em termos turísticos, como económicos. Olhando para o futuro, quero dizer que tudo o que o executivo puder fazer para ajudar a melhorar a qualidade de vida da população, vamos continuar a fazer. É um concelho envelhecido, com alguns jovens, com dificuldade de emprego, mas gostaríamos de tê-los a trabalhar connosco. Mas vamos tentando fazer o melhor pelo concelho.

Montado, Alqueva e as gentes da terra

são os motores de desenvolvimento do concelho

Quais são as potencialidades do concelho de Portel?

O montado, o Alqueva, as próprias pessoas, os produtos regionais e as pequenas indústrias agroalimentares. O montado dá uma base de emprego e temos esperança em Alqueva e na própria agricultura. Vão aparecer dois ou três projetos na área da agricultura, ligados à criação de gado que vão ser um investimento privado que vai dar algum ânimo à freguesia de Monte do Trigo. As obras que estão previstas no âmbito do perímetro de rega a Viana vão beneficiar a freguesia de Oriola. Portanto, se apostarmos nas pessoas e no empreendedorismo, o concelho ficará melhor. Também em termos turísticos não esqueçamos o que isso implica, a que acrescento o projeto de requalificação urbana de todos os acessos à volta do castelo.

Vai recandidatar-se à Câmara Municipal?

É uma pergunta de difícil resposta. Eu já tenho a confiança do Partido Socialista para a recandidatura e já me foi comunicado que se quiser avançar, avanço. Eu sou independente, bem como todo o meu executivo. É provável que decidamos dentro de meses. Mas, de facto, a decisão está dentro de mim. Foram 16 anos como vice-presidente e quatro como presidente. É claro que gostava de dar continuidade a alguns projetos, mas não sabemos o dia de amanhã, porque em termos familiares pode haver alguma ponderação. Neste momento, o que importa é dar continuidade ao mandato atual e iniciar os projetos que temos para o futuro. Nunca estivemos agarrados ao poder, tem que se estar por vontade própria e ter os votos e a confiança do povo. Uma das vitórias de que me orgulho é o diálogo que tem existido com o Poder Central e que fez com que o tribunal fosse reaberto.

Essa foi uma das suas grandes reivindicações, o mesmo acontece com as freguesias.

É verdade. Um dos problemas com que nos vamos continuar a debater é com a reposição das freguesias, para que volte a ter-se legalidade. É difícil gerir as diferentes realidades porque as freguesias têm uma identidade forte. Mas a autarquia teve um papel para minimizar estas diferenças com a transferência de verbas para as juntas de freguesia. Os acordos vão com os índices de distribuição, ou seja, cada freguesia sabe qual é a verba que lhe cabe e a que tem direito, independentemente de estarem unidas. É preciso lembrar que as nossas juntas de freguesia são autênticas lojas do cidadão, com um serviço impar para as populações.

Qual é a mensagem que quer deixar aos portelenses?

É uma mensagem sempre de esperança no futuro. Se calhar, já houve tempos mais difíceis e temos que acreditar em nós próprios. Enquanto presidente de Câmara, quer seja eu ou outra pessoa qualquer que venha a seguir, julgo que a realidade que nós conseguimos alcançar não poderá voltar atrás. A Câmara deve ser sempre uma boa parceira dos nossos munícipes, dos nossos idosos, das nossas crianças e dos nossos jovens. É esta mensagem que eu gosto sempre de transmitir, mas lembrando a importância da intervenção de todos, com o espírito crítico de todos. Eu prezo-me de estar próximo das populações, vou onde todos vão, as pessoas conhecem-me, sabem a minha maneira de ser, vamos ouvindo algumas críticas sempre no aspeto construtivo para fazer com que as coisas aconteçam melhor. Os nossos munícipes podem confiar no seu município para desenvolvermos, cada vez mais, o nosso concelho. Os projetos estruturantes vêm aí, vamos continuar com as obras, embora eu julgue que atualmente o Poder Local tem que olhar sobretudo para o setor social.

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