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“Diário do Sul” em parceria com a Rádio “Telefonia do Alentejo” entrevistam António Valério, presidente da Câmara Municipal de Alvito

“Queremos uma gestão autárquica transparente para que todos saibam como gerimos o dinheiro”

Educação, turismo, agricultura e indústrias resultantes deste setor são os pilares da gestão do executivo comunista de Alvito. A afirmação é feita pelo presidente da Câmara Municipal que considera que este concelho tem muitas potencialidades que foram aproveitadas, no atual mandato, e que contribuíram para um maior desenvolvimento deste território.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redação

13 Junho 2017

António Valério defende que a educação é um dos setores que maior peso tem na construção de uma comunidade proactiva e participativa no presente e futuro do concelho, sobretudo ao nível da fixação dos jovens, contrariando a propensão para a desertificação. O turismo é igualmente apontado como uma área em que é preciso apostar, tendo o autarca destacado a Escola Profissional com uma oferta formativa de referência que mostra que mais de 98 por cento dos alunos tem emprego após a conclusão dos estudos. A agricultura aparece também como decisiva, nomeadamente com a rentabilização da água de Alqueva. Contudo, António Valério desafia os empresários do concelho a serem mais empreendedores, dando como exemplo alguns dos concelhos vizinhos que são mais audazes. Outra das apostas salientadas foi a vontade e a concretização de uma rigorosa transparência das contas da autarquia, sublinhando que o objetivo que tem definido é que o município fique, no próximo ranking, nos dez primeiros. O presidente do executivo anuncia também que vai recandidatar-se ao cargo por acreditar em todo o trabalho desenvolvido e no que tem ainda para fazer. Garante que tem muito para dar a este território que classifica como estando no coração do Alentejo.

Qual é o balanço que faz do seu mandato?

Ficou aquém do que eu ambicionava. Nós autarcas somos sempre demasiado ambiciosos, mas ainda bem que o somos para promovermos os nossos territórios. Durante o mandato atuámos em duas grandes frentes. Uma que poderia chamar-se de projetos materiais e outra que tem a ver com os imateriais. Em termos de obras, a recuperação dos terrenos de Assis, que é uma zona degradada de Alvito, servirá para criar um projeto que vai traduzir-se na Escola Profissional de Alvito. É um projeto que ronda os dois milhões de euros, que contamos com o apoio comunitário do PARU e com o apoio da Nova Alvito que é a entidade detentora da escola profissional de que a Câmara também faz parte. O projeto está feito, aprovado e está em fase de lançamento o concurso para início das obras. É o maior investimento que se fez nos últimos 30anos no concelho.

Que projetos considera marcas da sua gestão?

O executivo realizou muito trabalho, nomeadamente a reabilitação das piscinas municipais que tinham equipamentos completamente desadequados, modernizámos os tanques, tudo num investimento de 500 milhões de euros à custa do município. Estamos agora a dar início à segunda e terceira fases que significam melhorias dos balneários, colocar em funcionamento o bar para garantir que aquele espaço tenha utilidade durante todo o ano. Também duas ruas vão ser intervencionadas em Alvito e em Vila Nova da Baronia com um investimento de 600 mil euros, bem como a remodelação de todas as redes de saneamento. Investimos igualmente nas remodelações dos jardins para melhorar a qualidade de vida de Alvito e de Vila Nova da Baronia, como forma de atrair mais turistas. Do ponto de vista das obras imateriais há a destacar o Alvito Social que é um cartão que permite disponibilizar um conjunto de serviços, de meios e apoios às famílias carenciadas do concelho. Damos apoio ao arrendamento para os mais carenciados, os jovens têm benefícios a nível dos espetáculos, aquisição de terrenos para casa própria e para o empreendedorismo com o objetivo de fixar os nossos jovens no nosso território. A juntar a isto temos a universidade sénior que existe há três anos, sendo de salientar o bem-estar dos alunos que são maioritariamente mulheres, sendo um espaço de convívio e de aprendizagem.

A área social é, assim, um dos pilares do concelho? Há outros?

Sem dúvida. Aprovámos, recentemente, um regulamento de concessão de benefícios aos bombeiros de Alvito. Criámos dois regulamentos, um que já foi aprovado em Câmara, o outro que irá ser aprovado que é vocacionado para os dirigentes associativos porque estamos a falar de pessoas que dedicam o seu tempo livre em prol dos outros, como as associações culturais e desportivas e dos bombeiros. Mas temos um outro pilar que é a educação. Possuímos um gabinete de apoio à família para a promoção do sucesso escolar, que foi candidatado a fundos comunitários e que é constituído por um psicólogo, sociólogo, animador social e cultural. Entendemos que a educação é um fator essencial para a promoção do nosso território e esse tem sido uma das nossas grandes apostas. Melhorámos as bolsas de estudo para os nossos jovens, criámos bolsas de estudo de mérito porque achamos que temos a obrigação de reconhecer aqueles que pelo seu trabalho, pelo esforço e empenho, alcançam excelentes resultados e que serão uma mais-valia para o concelho de Alvito. Temos ainda um prémio de mérito desde o ensino básico ao secundário porque entendemos que os alunos devem ser estimulados.

Com tantos projetos enunciados, o que ficou por fazer?

Há sempre muita coisa para fazer. Mas fizemos muita coisa também ao nível do turismo. Fizemos o projeto que foi o mais importante para o desenvolvimento do concelho. A Pousada do Castelo de Alvito é da Fundação Casa de Bragança e estava a ser explorada pelo Grupo Pestana. Há um ano e tal foi-me dito que não estavam interessados em continuar. Fiquei muito preocupado porque o castelo é uma imagem de referência do nosso concelho. Ter o castelo encerrado era muito complicado. Tivemos que encontrar uma solução e falei com o diretor da escola profissional de Avito e aceitámos o desafio. Há um ano voltámos a reabrir a Pousada do Castelo de Alvito. Estamos a falar de 16 postos de trabalho diretos, dezenas e centenas de turistas que ali ficam alojados e tem sido um sucesso até agora, com muito trabalho e dedicação. Mas continua a preocupar-nos a conservação da igreja matriz de Alvito que apresenta problemas a nível dos azulejos que estão a cair, não só pela segurança das pessoas, mas também dos turistas. É um monumento manuelino muito importante, sendo necessária uma intervenção urgente no edifício.

Agricultura, educação e turismo

são pilares de desenvolvimento

A seu ver, quais são as potencialidades deste território?

Para além do património, também a forma como as pessoas recebem. A acrescentar a isto temos a agricultura que tem um potencial extraordinário, com a água de Alqueva, mas gostava que os meus empresários estivessem mais empenhados, dinâmicos e intervenientes. Há alguns sinais de investimentos de empresários vindos de outros concelhos, sobretudo ao nível do amendoal e do olival. Volto a insistir na educação. Somos um concelho que tem 2504 habitantes e 500 alunos, mas 90 por cento vêm de outros locais para a escola profissional. Entendemos que a educação é um fator essencial para as pessoas, mas também para o desenvolvimento económico de um território. Se conseguirmos melhorar e qualificar ainda mais a nossa escola profissional, tornando-a como referência terá grandes impactos positivos. Os cursos lecionados são ligados à restauração, à hotelaria, ou seja, ao turismo e 96 por cento dos que terminam estão empregados e isso é o melhor cartão-de-visita da escola. Queremos alargar a oferta formativa também para a área da agricultura porque é preciso não só produzir, mas também transformar a matéria-prima no nosso território, apostar na indústria transformadora e a indústria agroalimentar para mandar para o mercado o produto final.

Vai recandidatar-se à Câmara Municipal?

Já é praticamente sabido que sim. A apresentação pública vai ocorrer no próximo dia 29, às 20h, em Alvito. Recandidato-me porque acredito que sou capaz de fazer alguma coisa por Alvito, por acreditar que tenho ainda alguma cosia para dar ao concelho e contribuir para o seu desenvolvimento. Gosto muito do que estou a fazer, ser útil a alguém é a maior recompensa que tenho. No entanto, gostaria que a população fosse mais participativa. Gostava que participassem mais na Assembleia Municipal e nas reuniões da Câmara Municipal, mas vou apostar mais nisso. Fui absorvido por muita coisa, muito trabalho, estamos os dois sozinhos, eu e o vereador, acabando por ser um trabalho muito envolvente.

Qual é a mensagem que deixa aos seus munícipes?

Estou completamente disponível para servir Alvito e as populações do concelho. Estou cá para ouvir as pessoas, aliás tem sido essa a minha preocupação. Eu recebo as pessoas a qualquer dia da semana, a qualquer hora desde que esteja disponível. Gostava de destacar o facto de que quando chegámos a Alvito, o concelho estava nos últimos lugares no ranking nacional de transparência dos municípios. Hoje estamos entre os 80 primeiros, mas o meu objetivo é ficarmos no próximo ranking nos dez primeiros. Foi um trabalho excecional que fizemos na questão da transparência que é outra das nossas prioridades. Queremos que a gestão autárquica seja a mais transparente possível para que todos os cidadãos saibam a forma como nós gerimos o dinheiro deles. A situação financeira do município é muito boa, não temos dívidas a curto e longo prazo, o que nos permite fazer tanta obra sem ser necessário recorrer ao crédito e fazer e mostrar trabalho.

Qual é a frase que define o seu concelho?

Um bom concelho para viver. É um concelho com coração. Aliás, o nosso símbolo é um coração porque demonstra que somos apaixonados pelo que fazemos, mas por outro lado também que estamos no centro do Alentejo. É o coração do Alentejo e é isso que queremos continuar a ser.

 

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