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“Diário do Sul” em parceria com a Rádio “Telefonia do Alentejo” entrevistam Gonçalo Lagem, presidente da Câmara Municipal de Monforte

“Quero fazer deste território um sítio melhor para quem cá reside, quem cá trabalha e quem nos visita”

Aumentar a receita, rigor na gestão autárquica e objetivo de mesmo assim fazer obra e melhorar a qualidade de vida dos munícipes de Monforte foram as grandes marcas da gestão comunista à frente da Câmara Municipal. De acordo com o presidente, Gonçalo Lagem, esta forma de fazer política, colocando os interesses da população à frente de tudo, é decisiva para a construção de um presente e de um porvir capaz de orgulhar todos os que aqui habitam.

Maria Antónia Zacarias

13 Junho 2017 | Fonte: Redação

Deixar um legado àquilo que será o futuro em nome do que é a identidade, aquilo que é a paixão, o território e a terra são os princípios que o autarca afirma terem norteado todo o seu mandato. Gonçalo Lagem salienta que Monforte é hoje já uma marca muito conhecida a nível regional e nacional. Em seu entender, isso deve-se aos antepassados, às empresas que têm ajudado a levar mais longe o nome do concelho, bem como aos seus embaixadores, alguns que escolheram este concelho para viver. Daí, o edil alertar para a necessidade da promoção deste território assente em grandes potencialidades como as empresas ligadas à agricultura, à economia social e inevitavelmente ao turismo.

Qual é o balanço que faz do seu mandato?

Passados três anos e meio estão algumas obras por concretizar, outras foram realizadas, vamos efetuar até ao final do mandato mais obras, por isso, penso que o balanço é extraordinariamente positivo. Tendo em conta que entrámos num cenário de crise, de grande rigor por parte da legislação, com um dívida superior a 3,5 milhões de euros, transformámos muita dívida em pouca dívida e pouca obra que herdámos em muita obra. Iniciámos o mandato com cerca de 5,200 milhões de euros, este ano, muito por culpa da operacionalização de Portugal 2020, estamos com um orçamento de 7,400 milhões euros, o que significa que temos vindo a aumentar o nosso orçamento. Chegamos ao final do mandato e investimos no concelho cinco milhões de euros em obra que é visível, que serve os interesses das pessoas e que está de mão dada com o desenvolvimento social e económico do concelho. Fomos à procura de mais receita, sem sacrificar os bolsos dos munícipes, embora tenhamos aumentado o preço da água porque era uma obrigação legal, mas mesmo assim continuamos a ter a água mais baixa do norte alentejano.

Pode identificar as marcas da gestão à frente do município de Monforte?

Temos várias. Foi realizada muita obra que gostaria de destacar. A construção de uma sala para eventos que não havia no concelho porque as pessoas casavam em Monforte e faziam o copo de água noutros locais, mas hoje temos todas as condições para fazerem aqui as suas festas. Fizemos a requalificação do loteamento do Tapadão onde vivem, talvez, mais famílias jovens, cerca de 55 famílias, onde estavam duas artérias por pavimentar à frente das portas das pessoas. Isso foi feito e está tudo jardinado, com um parque infantil. Construímos um passeio pedonal junto à escola para salvaguarda de toda a comunidade escolar. Ordenámos o trânsito com lombas e semáforos. Fizemos a requalificação da entrada sudeste de Monforte com um passeio pedonal que permitirá aos peões transitar sem ir no meio da faixa de rodagem. Assinámos o contrato da sinalização horizontal e vertical de todas as vias de Monforte. Nas freguesias inaugurámos uma obra de requalificação do bairro da Asseca em Vaiamonte. No Assumar fizemos a requalificação do loteamento dos Loureiros e o jardim da Fonte de Baixo. Está neste momento em curso, a 30 por cento, por isso vamos receber uma majoração comunitária, a requalificação do antigo hospital que é o centro de estudos e formação e universidade sénior que era o único edifício público que no centro histórico faltava requalificar, um edifício que estava em risco de ruir.

Como foi isso possível tendo em conta as dificuldades financeiras da autarquia?

Conseguimos não só sustentar financeiramente a Câmara, porque hoje temos uma dívida que já não chega aos dois milhões e estamos a pagar aos fornecedores a 23 dias. Portanto, boas contas, saúde financeira na Câmara, maior confiança dos nossos fornecedores. Tudo isto foi alcançado. Restruturámos a dívida, sustentámo-la, aumentámos a receita, fizemos investimento porque fomos extremamente competentes no que diz respeito à utilização dos financiamentos comunitários. Se trabalharmos sempre assim, vamos conseguir reduzir a dúvida ou chegar mesmo a zero, tendo em conta que se trabalharmos sempre com os 15 por cento da contrapartida nacional e não fizermos empréstimos irresponsáveis, sem a garantia que vamos ter uma mais-valia no futuro, tudo é possível. Estamos a trabalhar corretamente sempre em prol do concelho.

O que ficou por fazer?

Infelizmente, somos nós autarcas que temos que nos adaptar àquilo que são os quadros comunitários quando deveriam ser estes a adaptar-se àqueles que são os anseios legítimos dos autarcas que representam, no fundo, as populações. É a vontade das populações que deveria ser respeitada pelos apoios comunitários, mas infelizmente é ao contrário. Por uma questão de prioridade e de financiamento no quadro comunitário 2020 fizemos aquilo que era uma necessidade das pessoas. Temos que estar na política para servir as populações e nunca jamais para nos servirmos. Ficaram por fazer estradas, embora avancemos com um empréstimo para fazer a ligação do Assumar ao IP2 porque este quadro comunitário não financia as estradas. É uma estrada muito perigosa, bastante estreita. Fica a faltar o embelezamento das freguesias e da sede de concelho e ter uma maior capacidade no que diz respeito ao abastecimento público de água. No passado foi desperdiçada uma grande oportunidade, mais precisamente em 2010, aquando da negociação da contratualização do anterior QREN para dotar a freguesia de Santo Aleixo no que diz respeito à remodelação da rede de águas e esgotos.

Vai recandidatar-se à Câmara?

Sim. Nós somos eleitos da CDU e temos uma forma de trabalhar que nos distingue de todas as forças políticas. Embora não tenha sido ainda oficializada e anunciada a minha recandidatura, a decisão está tomada. Irá ser oficializada em finais de junho, mas sempre tivemos esta convicção porque fizemos um trabalho extraordinário tendo em conta a conjuntura que vivemos. Eu, com o meu executivo, fizemos obra e queremos dar-lhe continuidade.

Monforte é hoje já uma marca muito conhecida

a nível regional e nacional

Em seu entender, quais são as potencialidades deste território?

Monforte é hoje já uma marca muito conhecida a nível regional e nacional. Isso devemos aos nossos antepassados que temos que respeitar sempre e às empresas que têm ajudado a levar mais longe o nosso nome. Nomeadamente a uma empresa que se chama Fertiprado que tem 60 funcionários fixos, trabalha na área da produção de sementes para pastagens e forragens para o gado. Tem uma sucursal em Espanha, em França, Itália, Uruguai, tem mão-de-obra altamente qualificada e tudo isto na freguesia de Vaiamonte. Depois temos a Associação de Criação de Bovinos da Raça Alentejana que tem um trabalho notável e que contribui para que Monforte seja uma referência nesta área. Falamos também no Centro de Recuperação de Menores do Assumar que faz um trabalho fantástico com tecnologia de ponta no tratamento aos estímulos das crianças do sexo feminino com deficiências, são cerca de 120 crianças e 70 funcionários. A acrescentar a isto temos os nossos vinhos, queijos, património edificado e imaterial. Se juntarmos os nossos embaixadores como José Carlos Malato, João Moura que é um dos cavaleiros de referência, o mesmo com Paulo Caetano, Maria Moura Caetano que é penta campeã nacional de dressage e Manuel Luís Goucha que tem casa no concelho, podemos afirmar que Monforte está a ser muito bem promovido.  

Como perspetiva o futuro?

Se não fosse com otimismo, não me levantava todos os dias para exercer as minhas funções. Não podemos estar de outra forma a gerir a nossa autarquia, fazer do nosso território um sítio melhor para quem aqui reside, mas também para quem aqui trabalha e quem aqui nos visita. Queremos honrar aquilo que é nossa história. Há uma frase que não me canso de dizer e que é de um amigo meu que foi vice-presidente da Câmara Municipal de Monforte, Gabriel Laureano Martins e que é: “Foi aqui que nasci, foi aqui que cresci e foi aqui que vi nascer e crescer os meus filhos. Seria aqui que adoraria, um dia, ajudar a criar os meus netos”. É desta forma que devemos estar, honrar os nossos antepassados e fazer tudo o que está ao nosso alcance para que as gerações vindouras consigam encontrar o mesmo território, com os mesmos valores, os mesmos princípios que nós encontrámos e, se possível, com valor acrescentado que foi isso que nós cá andámos a fazer estes anos todos.

Qual é a mensagem que quer deixar aos seus munícipes?

Quero deixar uma palavra de esperança porque conseguimos vencer as contrariedades. Temos 247 desempregados e no passado tínhamos aproximadamente 400, isto quer dizer que a nossa sociedade está bem viva, está dinâmica e ultrapassou os problemas existentes. Assistimos à qualificação e fixação de jovens que ficaram no concelho resultante dos postos de trabalho criados. Tendo em conta que temos uma comunidade de étnia cigana e que contam para o número de desempregados porque não têm hábitos de trabalho, se bem que nós os estimulemos todos os dias, são cerca de 200 elementos. Logo, temos 47 pessoas para empregarmos para reduzir a taxa de desemprego. Quando entrámos em 2013 éramos o último concelho do país em termos de notoriedade e já subimos cerca de 60 lugares, o que significa que estamos a fazer uma recuperação boa. Se juntarmos os investimentos que já referi e outro que acrescento como a construção do Lar de Santo Aleixo que irá permitir que os idosos do concelho regressem à sua terra natal, criado mais cerca de 15 ou 20 postos de trabalho, isto permitirá a sua fixação e constituição de família, compra de casa e inverter a tendência da desertificação. Se todos estes ingredientes se cruzarem teremos um território com maior densidade populacional, com maior qualidade de vida, bem-estar social que é isso que nós pretendemos para o nosso concelho de Monforte.

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