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“Diário do Sul” em parceria com a Rádio “Telefonia do Alentejo” entrevistam António Anselmo, presidente da Câmara Municipal de Borba

“Borba tem tudo para ser a melhor terra do mundo”

Um concelho com muitas potencialidades, desde o vinho, o setor dos mármores, os queijos e as ervas aromáticas, o património edificado e imaterial, o saber receber da população e a localização estratégica. São estas as características que o presidente da Câmara Municipal de Borba evidencia como primordiais e que têm vindo a contribuir para o desenvolvimento deste território.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redação

13 Junho 2017

António Anselmo lembra que apesar da herança pesada da dívida da Câmara, o executivo conseguiu realizar obra, apostando naquelas que eram mais importantes e necessárias para a população. A ideia de ouvir os habitantes tem estado sempre subjacente, segundo o edil, às decisões que têm sido tomadas ao longo destes quatro anos. Questões básicas como construção de casas de banho em vários pontos do concelho, jardins e requalificação de parques, apontando, deste modo, a regeneração urbana como outra das suas premissas. António Anselmo lança, contudo, um desafio ao espírito empreendedor dos jovens e aos empresários para se instalarem neste concelho para conseguir criar postos de trabalho e, em simultâneo, ajudar à fixação de população. É com otimismo e esperança que diz ver o futuro do concelho afirmando mesmo que, perante tudo isto, Borba é mesmo o melhor concelho do mundo.

Qual é o balanço que faz do seu mandato à frente da Câmara Municipal?

É muito positivo porque quando chegámos tínhamos uma dívida de cerca de 11,5 milhões de euros e agora desceu para os sete e meio, ou seja, conseguimos reduzir quatro milhões de euros. Quem deve, paga e nós pagámos. Quando há pouco dinheiro, há opções e nós tentámos fazer de uma forma equilibrada tudo. Apostámos na área social, cultural e nos equipamentos. Só em viaturas desde 2014 até 2017 foram investidos 560 mil euros, quase tudo a pronto pagamento. Perante este cenário foi preciso saber definir prioridades e assumir responsabilidades, trabalhando sempre para o bem-estar das pessoas. Em obras gastámos cerca de 300 mil euros, 50 mil euros nas obras de escoamento das águas pluviais em frente à Câmara. Fizemos aquela que consideramos a obra mais importante para o concelho e que foi a ligação de uma variante a estradas adjacentes na zona do Alto dos Bacelos. Fizemos casas de banho que eram necessárias em vários locais e parques infantis e remodelámos outro destes equipamentos. Perante isto, posso garantir que soubemos gerir o dinheiro que tínhamos à disposição da melhor maneira.

Quais foram essas prioridades, ou seja, que marcas considera relevantes durante este tempo de executivo?

Como diz o poeta: “Pomos tudo o que é, no mínimo que se faz”. Apesar de todas as limitações que tínhamos, conseguimos realizar muitos eventos culturais. Temos um ponto a favor que é a nossa localização estratégica. Temos a autoestrada à porta, estamos perto de Elvas e Évora que são duas cidades Património Mundial e próximo de Estremoz e de Vila Viçosa. A nossa pequenez torna Borba em grande. Borba tem tudo, tem mármores, tem vinho, tem tradição, cultura, património e é preciso que as pessoas acreditem em Borba. Por isso, fizemos o posto de turismo que divulga o que há de bom no concelho. Olhámos para um lagar - que era uma construção resultante de uma história de amor de um pai por um filho - que estava abandonado e nós fizemos dali um museu que é um património em termos de arqueologia uma coisa do outro mundo. Falou-se numa igreja e hoje é um museu de arte sacra em Borba. A juntar a isso temos património militar como é o caso da batalha de Montes Claros em Montes Claros. Há uma série de coisas que obrigam as pessoas a vir a Borba. Quem tem história, quem tem tradição e quem tem memória tem que ser valorizado.

Apesar dos constrangimentos financeiros de que falou, o que ficou por fazer?

Há três anos que ando a tentar negociar um investimento grande para Borba que poderá ter um retorno financeiro para o município de pelo menos 400 mil euros e, caso se concretize, vai ter um grande impacto positivo com a criação de uma grande quantidade de postos de trabalho. Mas tudo tem que ser feito com ponderação e com paciência e, sobretudo, com muita atenção. No entanto, eu sou otimista por natureza e, ao mesmo tempo, um insatisfeito. Quando chegámos ao município, era Governo o PSD e fui falar com os responsáveis governamentais de quem nunca recebi um não, mas sempre solução. A ideia era conseguirmos abrir um concurso para colocar no quadro muitas pessoas que estavam em situação precária. Trabalhadores que estavam há muito tempo sem vínculo e isso foi alcançado e o exemplo é que hoje estão lá. Um autarca tem que pedir ajuda para resolver os assuntos, por isso, tenho a consciência muito tranquila.

Vamos agora falar de potencialidades. Quais são, em seu entender, as que têm mais importância no concelho?

O vinho e o mármore com extração e transformação. As crises que se passam no Médio Oriente, que se arrastam pela Europa, tiveram um impacto nos mármores no concelho porque era a maior pujança da economia. Com a redução das exportações baixaram também os empregados. Embora, Borba esteja na média da taxa de desemprego, para mim isso é muito grave. Nos atendimentos que faço todos os dias, tenho pessoas que percebo, olhos nos olhos, que estão a sofrer. Não querem esmolas, querem trabalho, não querem desemprego, nem rendimento social de inserção, querem trabalhar. Quanto aos vinhos são um orgulho. Toda a gente faz bons vinhos, mas os de Borba são completamente diferentes dos outros. Temos a sorte de ter uma adega cooperativa que conseguiu levar o nome de Borba muito longe, bem como produtores privados que têm contribuído também. O enoturismo tem também ajudado este concelho. As antiguidades continuam a ser reconhecidas e procuradas.

Borba é conhecida pelas suas feiras e festas. Tem capacidade de oferta de alojamento face à procura existente?

A Festa da Vinha e do Vinho tem uma grande importância para nós, pelo seu dinamismo em termos económicos para o nosso território. Retomámos o certame das ervas aromáticas da Orada e os queijos e sabores de Rio de Moinhos com a realização destas iniciativas no parque de feiras e exposições. A festa de agosto, com a devoção ao santo Senhor Jesus dos Aflitos que chama sempre muitas pessoas, em que tentamos dar um aspeto moderno aliado à tradição é outro motivo de atração. No entanto, Borba tem poucos alojamentos de qualidade e é preciso que os privados comecem a pensar sobre isso. Não obstante, Borba tem tudo para ser a melhor terra do mundo.

Vai recandidatar-se?

O movimento vai recandidatar-se e se as pessoas confiaram neste movimento têm motivos para continuar a acreditar. Nós sabemos o que fazemos e temos paz de espírito. Todos sabemos o nosso valor, o que fizemos e o que não fizemos, mas o “povo é quem mas ordena” como dizia Zeca Afonso. E nós esperamos com toda a tranquilidade o escrutínio do povo sem problema nenhum.

“É preciso conhecer a realidade para resolvermos os problemas”

O que espera dos munícipes?

A franqueza que sempre tiveram comigo e eu com eles. Quem está nos cargos públicos é para servir e sem agradar a ninguém, mas atuando com realismo. É preciso que as pessoas percebam que o presidente da Câmara tem a missão de representar todos os munícipes. Quando nós temos orgulho na nossa terra e no nosso concelho, esse princípio básico faz de nós cidadãos melhores, mais credíveis para os outros e se alguém tiver que fazer crítica que a faça diretamente. As pessoas não devem ter medo nenhum de dizer na cara o que pensam que está mal, fazendo críticas construtivas, mas diretas. Quando estávamos em campanha eleitoral só fiz duas promessas. Uma era fazer um parque infantil e fiz e outra que foi a construção da ETAR de Rio de Moinhos que tem andado tudo muito devagar, mas já está aprovada e financiada comunitariamente em cerca de 900 mil euros. Ai do político local que pensa que sabe tudo e se algum político da oposição ou uma pessoa dita anónima me der uma ideia boa, eu aproveito-a. É muito importante termos capacidade de ouvir, perceber, falar todos os dias com as pessoas, aprendendo uns com os outros e sabermos que não somos o centro do mundo. Quem exerce um cargo público tem que ser humilde.

Já me disse que Borba é o concelho melhor do mundo e, para além dessa definição, como vê o seu território?

Borba não faz bem, faz muito bem, mas só poderemos melhorar ainda mais se reconhecermos a realidade que temos. Como há pouco referi, sabendo a nossa pequenez, somos grandes. Se soubermos exatamente o que falta ao concelho, poderemos resolver os problemas e a maior parte das vezes fala-se muito e aqui lembro aquele anúncio publicitário “falam, falam, mas não dizem nada”. Queremos ter um conhecimento real e perceber que todas as pessoas contam, os empresários são fundamentais para o desenvolvimento do concelho, sejam eles dos mármores, dos vinhos, do comércio e, acima de tudo, acabar com o desemprego que é preocupante e, acima de tudo, acabar com essa chaga brutal que é rendimento social de inserção. O problema não é quem ganha esses apoios, o problema é quem não ganha sequer isso porque muitas vezes quer trabalhar e não consegue. Eu não gosto de caridadezinha, nem nunca gostei. Nós temos que arranjar condições e a Câmara faz parte da solução. Também não concordo que a autarquia seja o maior empregador de Borba, nem concordo que outras instituições sociais o sejam. Isso é sinal que há pouco desenvolvimento em termos de empreendedorismo. Se as empresas tiverem muitos empregados é sinónimo de que há um tecido empresarial forte que faz crescer a economia e a taxa de empregabilidade. Em havendo riqueza, ela pode ser distribuída de forma justa e equilibrada que é isso que nós queremos.

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