merida enamora 2
Diario do Sul
Twitter rectangular

“Diário do Sul” em parceria com a Rádio “Telefonia do Alentejo” entrevistam Luís Mourinha, presidente da Câmara Municipal de Estremoz

“Se acreditarmos na nossa localidade, o concelho de Estremoz não terá problemas de desenvolvimento”

Consolidação das finanças do município, reduzindo a dívida e aumentando o património da autarquia, apostar na regeneração urbana, na recuperação do património como as muralhas do castelo e os quartéis num dos bairros típicos da cidade para promoção turística, na requalificação ambiental com a construção das ETAR e na captação de novos investimentos para a sede de concelho, bem como para as freguesias rurais com a construção de zonas industriais, foram os objetivos do mandato de Luís Mourinha à frente da Câm

Maria Antónia Zacarias

13 Junho 2017 | Fonte: Redação

O presidente considera que o território tem todas as potencialidades para ter um futuro garantido, assente na localização estratégica em que se encontra, mas também no setor dos mármores, do vinho com a produção de qualidade e do enoturismo, do artesanato com os bonecos de Estremoz que entende que vão reforçar as mais-valias de Estremoz quando tiverem o selo da UNESCO, como Património Imaterial da Humanidade.

Qual é o balanço que faz dos quatro anos à frente da autarquia de Estremoz?

É positivo porque conseguimos consolidar as finanças do município com a finalidade de termos uma estratégia firme e desenvolvê-la com alguma parcimónia para não criarmos dificuldades no futuro em termos financeiros. Resolvemos essa dificuldade que já vinha do mandato anterior. Reduzimos a dívida de 11 milhões para oito milhões, atualmente pagamos a 15 dias aos fornecedores e aumentámos o património da autarquia em 22 milhões de euros. Não podemos separar este mandato do anterior, pois houve investimentos que foram completados neste mandato. Mas, neste mandato, em concreto, o que sobressai foi ter acabado a revisão do Plano Diretor Municipal de forma a ser capaz de dar resposta ao que vai acontecer na próxima década. Vamos realizar um investimento à volta dos seis milhões de euros onde vai caber a recuperação de parte das muralhas, um novo espaço para a biblioteca municipal e mais intervenções em Evoramonte e Veiros.

Que ações foram executadas?

Apostámos muito também na recuperação ambiental. Não conseguimos ver aprovadas as ETAR’s de Evoramonte, Glória e São Domingos, mas fizemos a ETAR nova em Estremoz. Estamos ainda a preparar intervenções na rede de água e saneamento porque já há degradação de algumas áreas que estavam em utilização. Estamos a criar novas zonas para que as empresas se possam instalar no concelho de Estremoz e o exemplo disso é a inauguração da zona industrial dos Arcos que está agendada para o dia 25 de maio. Não esqueçamos que esta foi uma luta de 20 anos. A nossa aposta sempre foi de tentar criar em todas as freguesias um investimento de localização de pequenas e médias empresas. O primeiro que fizemos foi em Veiros, que está quase todo ocupado, depois fizemos uma zona industrial mais pequena em Santa Vitória e queremos desenvolver isso noutras freguesias. Pensamos que isto é importante para recolocar pessoas nas freguesias como combate ao êxodo para a cidade. O ambiente rural é muito bom para as freguesias, as escolas com menos alunos até têm melhores resultados do que as outras, destacando-se também o verdadeiro apoio que existe entre as famílias.

Pode identificar quais são as marcas do seu mandato?

Apostámos na regeneração urbana e na recuperação do património. Por exemplo, queremos apostar na área junto à Pousada de Estremoz. Já tínhamos a estratégia de adquirir edifícios que depois pudessem ser utilizados com fins culturais. Pretendemos numa primeira fase, fazer a qualificação do castelo, da zona de Santiago onde já temos também algum financiamento para recuperar os antigos quartéis no sentido de ser atrativa para se colocarem alguns negócios, lojas de artesanato, para que o turista quando vem a Estremoz possa estar mais do que um dia. As adegas estão a investir no enoturismo também para promoção do concelho. Há a procura de parques de campismo e de caravanismo e verificamos que existem muitos negócios que estão a ser procurados em Estremoz.

Ficou alguma coisa por fazer?

Há sempre coisas que não conseguimos fazer porque a Lei dos Compromissos atrasa as coisas per si. As normas de funcionamento dos municípios devem ser alteradas e facilitadas para sermos mais eficientes na realização dos nossos planos. Para fazer uma obra, os procedimentos administrativos demoram mais tempo que a execução da infraestrutura. Todos os presidentes que queiram trabalhar estão sempre no fio da navalha e não avançamos mais rápido porque temos um certo receio das coisas não avançarem nos fundos comunitários. Temos o exemplo da zona industrial dos Arcos que já está concluída, mas os fundos comunitários ainda não abriram para estas áreas, não estão ainda acessíveis. Quem discute e quem propõe em Bruxelas os nossos interesses não tem conhecimento da realidade.

Reconhece que Estremoz tem potencialidades?

Sem dúvida. Estremoz está num eixo estratégico, mas também temos tido ao longo dos anos algumas desvantagens porque a concorrência de Estremoz com Portalegre, Elvas e Évora, nem sempre nos tem favorecido. Só para ter uma noção, ainda era ministro o professor Cavaco Silva quando ficou definido em Bruxelas a constituição de várias zonas industriais - Elvas, Estremoz, Arraiolos, Montemor e Vendas Novas por estarem na EN4 - e a única que não foi apoiada ainda foi a de Estremoz. Todas as outras receberam fundos comunitários em devido tempo. Portanto, Estremoz está num centro nevrálgico, mas houve uma fase da vida do concelho que sofreu um impacto negativo com a antiga variante a Estremoz, mas isso foi superado. Hoje, os estremocenses sentem que estão numa cidade com boa qualidade de vida e muitas pessoas estão a chegar de fora e querem aqui instalar-se. Há loteamentos privados que estão a avançar e isso é exemplo de que as coisas estão a desenvolver-se em termos de investimento.

A barragem de Veiros também veio dar algum alento?

Sim, essa também era uma luta antiga. Hoje já está a produzir. Infelizmente, a chuva não tem sido amiga da barragem, porque nunca encheu, mas já está a produzir água para a produção de amendoeiras e de tomate. Está a ter rentabilidade, mas gostávamos que o município tivesse parte nesse benefício, ou seja, que o Estado nos proporcione uma parte dos impostos que são pagos para investirmos naquela zona.

Município pretende criar espaço para promoção dos bonecos de Estremoz

Um grande ícone do concelho são os bonecos de Estremoz. Que contributo dá a este território?

Esperamos em novembro ver a classificação dos bonecos de Estremoz como Património Imaterial da Humanidade. Já é muito importante que esta arte artesanal tenha entrado numa lista da UNESCO, porque a maioria das pessoas que nos visita quer saber a razão de ser dos bonecos. Vai ser uma pedra de toque e vamos ver se conseguimos criar um espaço para dinamizar os bonecos e o barro de Estremoz. Já estão a aparecer alguns jovens que estão a apostar no artesanato. Contudo, vai ser um trabalho de fundo captar pessoas mais novas para terem uma vida de emprego com esta atividade. Estamos a tentar adquirir um espaço para criar um centro interpretativo, mas os fundos comunitários não elegem este tipo de candidaturas.

Vai recandidatar-se?

Sim, vamos manter a equipa toda que está no município e na assembleia municipal. Vamos concorrer a mais freguesias do que concorremos no mandato anterior. Só posso concorrer mais um mandato, portanto, não ficaria bem comigo se não o fizesse. Agora fazer mais um mandato não depende de mim, mas da população, dos eleitores, mas penso que as expetativas são positivas. Somos um movimento de cidadãos e isto é o futuro. Basta ver as eleições francesas que são uma lição para muita gente. A minha análise é que os partidos estão um bocado doentes, não sabendo dar resposta às novas necessidades das sociedades.

Como perspetiva os tempos futuros?

Com otimismo. Há oito anos quando me candidatei tinha três ou quatro coisas que eu teria querido fazer e ainda não tinha conseguido. Uma delas era a zona industrial dos Arcos, a outra era tapar uma vala que estava a céu aberto junto à entrada de Estremoz, perto do monumento ao mármore, mas já está concluída. Depois a ETAR de Estremoz que foi feita. E, por fim, a ETAR da Glória, que já é a segunda vez que é rejeitada por motivos estranhos, bem como a de Evoramonte e a de São Domingos. Tínhamos o compromisso de fazer as ETAR’s em todo o concelho e é para cumprir, quer seja com fundos comunitários ou não. Se não houver financiamento, o município vai fazer o esforço de as fazer, executando uma já no próximo ano. Temos também um objetivo de médio e longo prazo que é fazer uma conduta, para no caso de uma emergência irmos buscar água à barragem de Veiros, para fornecer água para o concelho.

Qual é a mensagem que deixa aos munícipes?

A mensagem é que acreditem neles. Se acreditarem na sua localidade e em si próprios, o concelho de Estremoz não terá problemas de desenvolvimento, mantendo uma estrutura solidária e amiga com quem precisa. Portanto, penso que Estremoz está garantido para o futuro.

 

 

Dê-nos a sua opinião

Incorrecto
NOTA: As opiniões sobre as notícias não serão publicadas imediatamente, ficarão pendentes de validação por parte de um administrador.

NORMAS DE USO

1. Deverá manter uma linguagem respeitadora, evitando conteúdo malicioso, abusivo e obsceno.

2. www.diariodosul.com.pt reserva-se ao direito de eliminar e editar os comentários.

3. As opiniões publicadas neste espaço correspondem à opinião dos leitores e não ao www.diariodosul.com.pt

4. Ao enviar uma mensagem o utilizador aceita as normas de utilização.