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“Diário do Sul” em parceria com a Rádio “Telefonia do Alentejo” entrevistam António Recto, presidente da Câmara Municipal de Redondo

“Precisamos de incentivos para a interioridade”

O grande objetivo do mandato de António Recto, presidente da Câmara Municipal de Redondo, eleito pelo movimento MICRE, foi a população do concelho. A afirmação é feita pelo autarca que salienta as estratégias levadas a cabo no sentido de lhes proporcionar uma melhor qualidade de vida.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redação

13 Junho 2017

Para isso, o executivo realizou uma série de ações no âmbito do social, apoiando sobretudo as famílias mais carenciadas. António Recto garante que não há ninguém com fome, mas muitas pessoas passam grandes dificuldades. Outras prioridades elencadas pelo edil são a educação e a agricultura que continua a ser o pilar da economia do concelho, sobretudo o setor da vitivinicultura. Olhando para as potencialidades, António Recto considera a localização geográfica como determinante para o desenvolvimento do território, aliada à aposta no setor do turismo assenta na riqueza patrimonial edificada e imaterial. O autarca considera mesmo que a atividade turística pode criar postos de trabalho e devolver à terra aqueles que foram “obrigados” a sair por falta de oportunidades. Para o presidente da Câmara Municipal é chegada a hora de olhar frente a frente os munícipes e transmitir a ideia de que é com base na confiança que o futuro do concelho de Redondo tem futuro.

Qual é o balanço que faz do seu mandato?

São quatro anos de enorme dificuldade no concelho de Redondo. À semelhança do que se passou pelo país todo, desta crise que nos assolou durante estes anos e que estou convencido que vai perdurar, embora a economia esteja a recuperar lentamente. Durante estes quatro anos definimos como prioridade as questões sociais e fizemos tudo para dar resposta aos mais necessitados e continuamos com o mesmo programa. Não sendo uma competência total dos municípios, todos eles viraram as suas atenções para estas questões. A proximidade que nos liga às pessoas é a razão de ser desta nossa estratégia. Somos nós que conhecemos as pessoas, que sabemos as dificuldades que têm e somos nós que temos a responsabilidade de trabalhar para e junto delas.

Para além desta área, quais foram a vossas outras prioridades?

Há outras áreas que não foram desprotegidas e mantivemos um conjunto de obras, umas já concluídas, outras que estão a decorrer e outras que estamos em fase de adjudicação. Apostámos numa atividade cultural bastante razoável. Estamos num concelho que assenta a sua economia no setor primário, logo merece uma atenção redobrada, sobretudo a vitivinicultura que tem um peso enorme na vida do concelho. Temos trabalhado em articulação com as estruturas representativas dos agricultores porque, reitero, o setor primário é o economicamente mais representativo. Claro que gostaríamos de ter indústrias para a criação de emprego jovem. Estamos atentos ao desemprego que merece uma resposta para ajudar a melhorar o bem-estar dos munícipes.

A seu ver, quais são as marcas da sua governação?

Eu costumo dizer que a cultura também é social, também alimenta e nós temos um vasto programa cultural. Temos um conjunto de associações significativas e com algum peso no concelho, mas se não forem as autarquias a apoiar este movimento, as dificuldades são ainda muito maiores. É importante lembrar que o associativismo tem uma participação na sociedade com um valor que muitas vezes não somos capazes de calcular. Há que trabalhar com elas todas, independentemente das suas áreas de intervenção. Definimos também que a educação era uma prioridade e fomos dos primeiros a construir dois agrupamentos escolares, um em cada freguesia. Os alunos e os professores têm equipamentos que permitem uma boa aprendizagem. Mantemos todo o apoio e vamos mais além, pois no próximo ano letivo, vamos oferecer os livros até ao 9.º ano. Além disso, asseguramos as cantinas, os transportes escolares, as Atividades de Enriquecimento Curricular são asseguradas por técnicos do próprio município com formação específica. Colocamos ao dispor das crianças todos os equipamentos que o Redondo tem. Portanto, no ranking do Alentejo, o concelho de Redondo está muito bem classificado.

 

O que ficou por fazer?

Eu, por natureza, sou um insatisfeito. Queria acabar o mandato com mais coisas feitas, daí a minha insatisfação. O trabalho autárquico nunca está concluído. As estradas estão todas transitáveis, mas há sempre mais para fazer. Os desafios de hoje são completamente diferentes do que eram há 30 anos e eu sei do que estou a falar. Se no final do mandato tiver eliminado todo o desemprego e tiver a população do Redondo a viver com um nível de vida satisfatório, ficarei imensamente satisfeito. Embora saiba que as coisas não estão nas minhas mãos, mas este era o meu anseio. Não há fome no concelho, mas há famílias a viver com imensas dificuldades. Fossem criadas condições para que os que foram forçados a sair do nosso território possam voltar. Ainda não é isto que está a acontecer, mas estou convencido que vamos lá chegar porque estamos no bom caminho. Há-de haver uma inversão.

Na sua opinião, quais são as potencialidades deste território?

Redondo não é só vinho. Estamos muito bem localizados e é preciso valorizar esta localização. Redondo está a 20 minutos de Évora, a 20 de Reguengos, a 20 de Estremoz, a 15 de Vila Viçosa e a 40 do Alqueva, com uma serra a norte e uma barragem a sul. Esta localização dá-nos garantia, assim saibamos aproveitar estas potencialidades e consigamos ultrapassar alguns constrangimentos que vão surgindo. Para além do setor primário, que continuo a defender com base na economia, há outros como o turismo que é fundamental. Temos que olhar para o turismo com outros olhos, para um turismo de qualidade, para o turistas que vêm ao Alentejo e que sabem o que querem ver, como por exemplo, as nossas olarias onde se continua a fazer o que é tradicional, e para o mobiliário alentejano que só se fabrica nesta região. Temos um património arquitetónico e megalítico com enorme valor, um património a nível paisagístico valioso, um montado enriquecedor e um sopé da serra riquíssimo em fauna e em flora. Ou seja, temos tudo para proporcionar melhores condições de atratividade, conseguindo-se assim aumentar o número de visitantes. O turismo não pode ser um setor em que cada qual olha para si, deve ser sim articulado. A ERT tem feito um enorme trabalho com vários alentejos dentro do mesmo Alentejo, mas mesmo assim tem feito um excelente trabalho de promoção. Há que haver uma estratégia, feita pela ERTA para tornar esta região vendável turisticamente.

Ruas floridas têm um grande

impacto económico no concelho

Mas do ponto turístico, as ruas floridas são já um ex-libris do concelho de Redondo.

Sem dúvida! As ruas floridas de Redondo têm um grande impacto económico de âmbito regional. Durante nove dias alavancamos a economia não só do concelho de Redondo como de toda a região e até da Extremadura. 600 mil pessoas foi o número de turistas que recebemos de dois em dois anos. Este ano, para a promoção da festa fizemos uma rua móvel que já fez mais de 300 quilómetros dentro do país, esteve em várias capitais de distrito e outras cidades. A recetividade que tenho encontrado por parte da população em geral criou-nos a expetativa de que este ano vamos ultrapassar a barreira dos 750 mil habitantes, mas temos que criar condições para quem nos visita.

Que condições são essas?

Por exemplo, fazer uma refeição, estacionar o automóvel ou quer dormir. Já está tudo esgotado há vários meses. Qual é o investimento e o retorno? O investimento anda por volta dos 300 mil euros, mas se só 500 pessoas que nos visitam comprarem duas ou três garrafas de água gastam três euros, isto dá um milhão e meio, ou seja, um valor cinco vezes superior ao investimento da Câmara. Mas há aqui um investimento social e termos 500 pessoas a trabalhar nas ruas floridas durante todo o ano que se vão encontrando aos serões e aos fins-de-semana, fazendo uma convivência saudável, que junta várias gerações, todos envolvidos na construção das ruas floridas é superior ao milhão e meio de euros dos visitantes, revelando ser um valor muito superior a qualquer euro que seja contabilizado.

Vai recandidatar-se à Câmara Municipal de Redondo?

Vou. Já fiz a minha apresentação no final do ano, bem como dos cabeças de listas à assembleia municipal e às juntas de freguesia. Fui eleito por um movimento de cidadãos que tem 12 anos e em que os eleitores acreditam. Vamos, a seguir, fazer a apresentação das listas dos candidatos que está agendada para o mês de junho.

Como vê o futuro do seu concelho?

O futuro é maior desafio que qualquer autarca tem. Um presidente de Câmara não deve andar com bandeiras e pensar só no seu próprio concelho. Temos que nos unir, ter uma maior abrangência e tentar todos, especialmente os do interior, pender mais de 40 graus para o litoral, todos de mãos dadas para conseguirmos nivelar o país, até ser eliminado este desequilíbrio para acabar com os portugueses de primeiro e de segunda. Este é um desafio de todos os autarcas, especialmente desta faixa do interior porque necessitamos de investimento. O investimento privado será mais fácil, mas também só haverá se houver primeiro investimento público nestes territórios, que é o que nos tem faltado. O Alqueva não é tudo. Não nos podemos dar ao luxo de ter um aeroporto abandonado. O Alqueva contribui para a agricultura, mas não podemos ficar só por aqui, não podem ser só olivais e amendoeiras, tem que gerar riqueza e emprego. Se é com base no turismo que se cria condições para as empresas se instalarem, então que assim seja, mas que arranque rapidamente. Temos que ser ambiciosos para esta região. Redondo não cobra derramada há mais de 15 anos, isentou as taxas urbanísticas todas durante um ano e continua com as mesmas isenções feitas no edificado. Vendemos lotes na zona industrial a preço simbólico, devidamente infraestruturado, mas não é suficiente. É o que nós autarcas fazemos, mas precisamos de uma revisão do IRC em baixa feita pelo Governo, precisamos de uma eletricidade a custo mais vantajoso e de uma desburocratização dos serviços desconcentrados do Governo. Não há investidor que aguente isto. Precisamos de incentivos para a interioridade.

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