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“Diário do Sul” em parceria com a Rádio “Telefonia do Alentejo” entrevistam Tomé Pires, presidente da Câmara Municipal de Serpa

“Criámos um centro de apoio ao desenvolvimento económico que Serpa necessitava”

A proximidade com a população, no sentido de conhecer as suas aspirações, expetativas, necessidades foi apontada, pelo presidente da Câmara Municipal de Serpa, como o pilar prioritário da governação do executivo ao longo deste mandado. Tomé Pires sublinhou a importância de proporcionar uma melhor qualidade de vida, sendo que a criação de postos de trabalho é uma das condições.

Autor :Redação

13 Junho 2017

Nesse sentido, o autarca afirmou que a edilidade tem feito grandes esforços no sentido de captar investidores, atraindo empresas capazes de contribuir para a dinâmica do concelho. Na sua opinião, isto será possível tendo em conta o impacto positivo que a albufeira de Alqueva tem tido ao nível da agricultura, ambicionando o início do funcionamento do aeroporto de Beja para ajudar à exportação dos produtos e à sua internacionalização. Contudo, lembrou que um território do interior não pode só valorizar o património edificado, alertando para a necessidade de promoção do património imaterial para atração de mais visitantes. O cante alentejano, Património da Humanidade, é um dos exemplos disso mesmo. Tomé Pires adiantou também que é importante que o Governo olhe para o país como um todo, de forma a que os concelhos do interior sejam discriminados positivamente.

Qual é o balanço que faz do mandato à frente da Câmara Municipal de Serpa?

Foi um mandato positivo, trabalhámos para isso. Sendo que um mandato de uma câmara do interior do país, ainda mais do Alentejo, tem sempre muito a ver com o que se passa à volta e com as condições que temos para trabalhar. É sabido de todos que nos municípios que têm poucas ou nenhumas receitas próprias, a sua atividade depende quase em exclusivo daquelas que são as participações dos impostos, aquilo que calha às autarquias. Não é uma esmola que é dada pelo Estado Central às autarquias, mas é o que as autarquias têm de receber para fazer aquilo que lhes compete. A Lei das Finanças Locais que determina o que os municípios deveriam receber nunca foi cumprida e isso torna, cada vez mais, difícil o papel e o trabalho das autarquias, sendo que depois há outro recurso que nos últimos tem vindo a ser utilizado, desde que Portugal entrou na União Europeia, que são os apoios comunitários que são muito importantes para as autarquias e para as suas dinâmicas.

De que modo é que foram sentidas essas dificuldades?

Quando apanhamos um mandato que fica entre o final de um quadro comunitário e o início de um outro dificulta sempre o papel das autarquias e a sua atividade no que diz respeito às obras e noutros projetos, noutras ações imateriais. No que concerne a investimentos maiores houve esse entrave. No entanto, houve muito trabalho em torno daquela que é a nossa maior preocupação que é estar perto das pessoas, perceber o que são as suas necessidades e dar a resposta, mas também aquele trabalho que deve ser feito juntando dinâmicas, entidades, ganhando proximidades. Neste quadro comunitário trabalhou-se muito! Na fase de candidaturas conseguimos muitas aprovações que uma parte delas está a ser iniciada e posso afirmar que nos anos de 2018 e 2019 vamos ter muitas concretizações porque o financiamento está garantido.

Quais foram as principais áreas de intervenção?

Trabalhámos muito nas ações que são imateriais, em que não são precisas grandes verbas para atuar, ou seja, no trabalho de proximidade com as entidades e pessoas. Fizemos trabalho no desenvolvimento económico do nosso concelho, junto com os produtores do nosso território, inclusive criámos um espaço físico para que todos os agentes económicos tivessem acesso mais rápido e mais direto aos serviços da Câmara Municipal. Ou seja, criámos um centro de apoio ao desenvolvimento económico de Serpa e esta ação trouxe grandes frutos. Houve uma grande proximidade de todos esses agentes, inclusive entre eles, pois muitos deles nem se conheciam e geraram-se algumas dinâmicas que resultaram na criação de uma Associação de Produtores do Concelho de Serpa.

Que vantagem trouxe para esses empresários e para o próprio concelho?

A vantagem para os empresários é que ficaram juntos, mais fortes, continuando assim a desenvolver trabalho e, em alguns casos, a aumentar a sua atividade. A criação desta associação permitiu ainda, em colaboração com a Câmara, que houvesse a possibilidade de se candidatarem a alguns fundos do quadro comunitário, conseguindo assim trazer mais investimento para o concelho. Através desta associação fizeram-se duas candidaturas que foram aprovadas em mais de meio milhão de euros. Uma tem a ver com a internacionalização do queijo de Serpa, para Londres, Espanha, Itália e Alemanha. A outra ação tem a ver com a qualificação das pequenas e médias empresas da margem esquerda do Guadiana, ou seja, juntamente com autarquia, esta associação chamou a si também a responsabilidade de dar formação às empresas, estando agora numa fase de diagnóstico sobre as formações que são necessárias tendo em conta os setores empresariais existentes.

Houve algum projeto que não foi feito?

Gostávamos de fazer muito mais. A requalificação do jardim municipal em Serpa e do mercado municipal são exemplos de projetos que são há muito desejados. O arranjo das ruas, a rede museológica municipal são obras que estão candidatadas e que significam cerca de oito ou nove milhões de investimentos e irão começar nos próximos dias. Uma vez mais reitero que, por tudo isto, 2018 será um ano de muita execução no âmbito do quadro comunitário.

Aeroporto de Beja e albufeira de Alqueva

são motores de crescimento

Em seu entender, quais são as potencialidades do concelho de Serpa?

Para que tenhamos um desenvolvimento no caminho da sustentabilidade há que utilizar os nossos recursos endógenos. O primeiro recurso é a terra e nos últimos anos com o alargamento do perímetro de rega de Alqueva, as potencialidades agrícolas são maiores. Já se nota um aumento de produção, em quantidade e em diversidade, embora seja preciso apostar mais em produções inovadoras, passando pela agro transformação e os serviços que lhes são associados. Temos tentado captar indústrias transformadoras, internacionalizando os nossos produtos. Fomos pioneiros e avançámos com a candidatura de liderar o centro de competências da agricultura biológica. O outro principal recurso é o património e a sua salvaguarda. Através da dinâmica turística é preciso utilizar este património para captar visitantes para dinamizar a economia local. Temos património edificado, mas também imaterial como o cante alentejano que é Património da Humanidade. Também outro património que, até agora, não tem sido aproveitado é o natural que precisa também ser promovido através da criação de estruturas de visitação como os passadiços do Pulo do Lobo, no Parque Nacional do Vale do Guadiana, que irão permitir mais e melhores condições para os turistas. Um investimento de quase 500 milhões de euros que foi aprovado neste quadro comunitário.

Face a este trabalho que referiu, vai recandidatar-se?

Sim, mas estamos numa fase de construção de todas as listas e do programa. Vamos continuar a trabalhar até ao dia 1 de outubro e depois desse dia, como estamos convictos. Queremos continuar a dar resposta às necessidades das populações dentro daquilo que nós somos capazes. Essa deve ser a preocupação de qualquer autarca, bem como reivindicar para o nosso concelho os investimentos que são essenciais. E preciso dar continuidade ao nosso trabalho, puxar pelo concelho de Serpa, adaptando-nos aos dias de hoje, promovendo um desenvolvimento sustentável.

O aeroporto de Beja é uma alavanca para o concelho?

Com o potencial agrícola que temos, havendo capacidade de produzir muito em quantidade e em diversidade nas nossas terras, se tivermos vias de comunicação terrestres e aéreas em condições há maior probabilidade de termos maiores empresas a operar no nosso território. Termos mais empresas na área da agro transformação a operar vai fazer com que tenhamos mais postos de trabalho e aí, digamos, está o segredo de tudo. Havendo postos de trabalho há pessoas, havendo pessoas há dinâmicas e é por aqui que devemos ir. Temos que puxar o máximo possível por esses trabalhos porque havendo trabalho, as dinâmicas multiplicam-se e isso faz com que tenhamos mais força para exigir mais para o nosso município.

A interioridade continua a ser um problema?

Aqui há sempre a tal dificuldade de que somos menos pessoas e se vamos pedir que se arranje a escola ou o centro de saúde, quem nos governa olha apenas para os números e ficamos nos últimos lugares do pelotão quando se trata de investimentos. Assim, reitero, que havendo mais pessoas, tudo será mais fácil e havendo aeroporto há mais condições para ter mais empresas e aí está o caminho para a possibilidade de nos desenvolvermos. Se o aeroporto de Beja estivesse a laborar, era com certeza, uma ferramenta que muito nos ajudaria a fixar essas ditas empresas que podem ser a resposta para os postos de trabalho.

Qual é a mensagem que quer deixar aos munícipes de Serpa?

A mensagem que quero deixar é que só há uma forma de viver que é lutar por aquilo que achamos que é justo. Logicamente que se queremos dar continuidade àquilo que foi feito pelos nossos antepassados, desenvolver as nossas aldeias, as nossas vilas, os nossos municípios, há que acreditar que isso é possível através de justas reivindicações e isso deve ser feito coletivamente. É preciso criar condições para os que cá estão e, ao mesmo tempo, trabalhar para os que querem voltar e até para os que quiserem vir para o Alentejo. A mensagem que deixo é mesmo essa: temos que acreditar que é sempre possível e essa possibilidade aumenta se nós nos juntarmos coletivamente em prol desses objetivos que são mais e melhores condições para o nosso território. Temos que trabalhar todos para a construção de um futuro melhor que os dias de hoje, havendo investimento no interior.

 

 

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