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“Diário do Sul” em parceria com a Rádio “Telefonia do Alentejo” entrevistam Marcelo Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de Ourique

“Promover o concelho, mas nunca descaracterizando a nossa marca – o mundo rural”

Combater a dívida que assolava a Câmara Municipal de Ourique, que ascendia aos 22 milhões de euros, foi um dos objetivos que os executivos têm desde 2005. O último mandato não fugiu à regra nesse sentido, ao ponto de em dezembro de 2016, o passivo rondar os cinco milhões de euros.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Refação

22 Junho 2017 | Publicado : 10:42 (22/06/2017) | Actualizado: 15:18 (27/06/2017)

A afirmação é feita pelo atual presidente, Marcelo Guerreiro que considera todo o esforço feito quer pela autarquia, como pelos ouriquenses meritório. O autarca considera que arrumada que está a casa é preciso olhar para o presente e para o futuro com vontade de impulsionar o desenvolvimento do concelho. Um território que tem uma excelente localização, de acordo com o edil, e um património rural que deve ser valorizado e preservado. Marcelo Guerreiro avança que o facto de Ourique ser a capital do porco alentejano é uma distinção que tem tido fortes impactos a nível económico, mas também a nível turístico. O presidente do executivo defende que é ainda importante fazer chegar a água de Alqueva ao concelho para que este tenha ainda um maior impulso em termos agrícolas, ajudando a fixar a população.

Qual é o balanço que faz do seu mandato à frente da Câmara de Ourique?

São cerca de dois anos porque assumi a presidência a meio do mandato. Antes era vice-presidente. O balanço é positivo e muito satisfatório porque é um mandato marcado por momentos difíceis, onde os constrangimentos financeiros das autarquias estiveram sempre muito presentes. Onde os atrasos dos fundos comunitários marcaram claramente este mandato. No entanto, nunca virámos a cara à luta e nunca deixámos nada para trás mesmo com todos esses condicionalismos. Por isso, foi um mandato muito difícil, com grandes obstáculos e com grandes desafios. Neste momento que é também de balanço é o tempo de refletir sobre isso e dizer que estamos muito satisfeitos com o trabalho desempenhado nos últimos quatro anos. Conseguimos sempre dar a volta por cima e continuar as funções perspetivadas no início do mandato. Foi e continua a ser um trabalho sempre em prol das pessoas.

Identifica quais são as marcas da sua gestão?

A primeira foi recuperar financeiramente a autarquia. É preciso recordar que o município de Ourique, em 2005, tinha uma dívida que rondava os 22 milhões de euros e uma dívida que colocava fortes constrangimentos ao município. O que tem sido feito ao longo dos últimos 12 anos tem sido um trabalho contínuo de redução dessa dívida porque a sua diminuição é imprescindível para podermos agarrar todas as oportunidades. Ourique merece e é uma forma de ajudar a impulsionar ainda mais o concelho. Tem sido um caminho que temos feito passo a passo, pouco a pouco. Passados 12 anos dessa dívida muito grande que o município tinha na altura é com satisfação que terminámos o final do ano de 2016 com uma dívida a rondar os cinco milhões de euros. Isto resultou de um trabalho muito grande, muito longo, mas muito positivo que nos deixa cheios de orgulho principalmente porque não foi um trabalho desenvolvido meramente pelo executivo municipal, mas sim pelo esforço de todos os ouriquenses que colaboraram com a Câmara Municipal e se empenharam na criação de melhores condições financeiras na autarquia.

Para além do arrumar de casa, o que salienta mais em termos de ação?

A afirmação de Ourique como a capital do porco alentejano é um dos grandes marcos destes últimos três mandatos e a recuperação da credibilidade do município. Hoje é com orgulho que somos distinguidos e reconhecidos como a capital do porco alentejano. Tem sido um trabalho feito em parceria com a Associação de Criadores de Porco Alentejano e com todos os setores ligados ao porco alentejano. Um trabalho que tem tido um resultado enorme e que nos enche de orgulho. Esta é uma marca que identifica o território e que faz com que sejamos reconhecidos por coisas boas, positivamente, fora do concelho, pelo país e além-fronteiras. Recebemos em 2013, o Congresso Mundial do Presunto e, desde então, tem sido um serviço contínuo de afirmação de Ourique como capital do porco alentejano.

O que ficou por fazer?

Fica sempre muito porque a nossa missão é muito mais do que aquilo que nós queremos e do que ambicionávamos fazer. Nesse sentido, estamos a preparar o futuro e temos projetos em carteira. Iniciámos os projetos de reabilitação urbana em Ourique e nas freguesias. Defendemos também que é necessário criar as infraestruturas e condições de eleição para quem vive no interior do país. Daí que a reabilitação seja uma grande oportunidade que queremos criar nos próximos tempos.

A seu ver, quais são as potencialidades do concelho?

A maior é o mundo rural. O nosso concelho é riquíssimo em termos rurais. Não temos vergonha nenhuma disso como no passado alguns tiveram. O turismo também tem crescido muito ao longo destes últimos anos. Cada vez mais a nossa região é um destino turístico que se vai afirmando passo a passo, através de um trabalho em parceria com a Entidade Regional de Turismo e nós, aliados a essa estratégia, queremos afirmar Ourique como um destino turístico. Mas nunca esquecendo que é um local onde o mundo rural está no seu máximo esplendor e onde o turismo pode ser aliado em todas as suas expoentes máximas.

Ligação de Alqueva à Barragem do Monte da Rocha

significará um virar de página na agricultura do concelho

Como projeta a agricultura em termos de dinâmica económica?

A agricultura e a pecuária sempre tiveram um grande peso no concelho. Uma estratégia de desenvolvimento futuro do concelho assenta no desenvolvimento agrícola. No que concerne à pecuária apostamos na produção em extensivo que é algo que não se consegue fazer em qualquer lado. Por isso, é uma das qualidades que nós temos. Se fosse possível produzir porco alentejano em regime extensivo na China, não tenho dúvida nenhumas de que já nos teriam roubado o porco alentejano. Mas só é possível criar aqui, onde temos estas características ambientais únicas. Também é muito importante que seja concretizado um grande investimento público que é a ligação de Alqueva à Barragem do Monte da Rocha que se localiza no concelho de Ourique. A água de Alqueva já chega ao Roxo e, como tal, é possível fazer esta ligação ao concelho de Ourique, abastecendo a Barragem do Monte da Rocha. Isso seria um virar de página na agricultura do concelho porque permitiria criar áreas de regadio no concelho.

Em termos turísticos, o que tem para atrair os visitantes?

A nossa gastronomia e esta aposta que temos feito no porco alentejano. Um destaque também para o património histórico que temos, para o património religioso e um relevo muito grande para o património rural e ambiental. Temos desenvolvido um trabalho em parceria com os vários turismos rurais que existem no concelho e o que queremos é continuar a desenvolver esta estratégia para que o turismo rural saia valorizado. Nunca queremos descaracterizar este mundo rural que nós temos.

Vai candidatar-se nas próximas eleições autárquicas?

Sim, já anunciei. Serei candidato com grande motivação e grande satisfação. Irei disponibilizar-me para este trabalho que espero poder vir a desenvolver durante os próximos quatro anos.

Como perspetiva o futuro do concelho?

Vejo os próximos tempos com uma definição que terá de existir e que assenta em dar grande prioridade ao interior do país. É necessário identificar políticas de fixação de pessoas no interior. A grande maioria dos concelhos do Alentejo está bastante envelhecida, a desertificação é um problema que temos e, como tal, é preciso um trabalho conjunto para inverter esta tendência que, cada vez, nos vai penalizando e que vai deixando o interior do país mais deserto. A par disso estamos muito empenhados em desenvolver uma estratégia de promoção e preservação do mundo rural que permita atrair mais investimento, empresas e pessoas para o concelho de Ourique. Este território está muito bem localizado, está a pouco mais de uma hora e meia de Lisboa, a menos de uma hora do Algarve, estamos junto à autoestrada e temos ferrovia. Portanto, temos condições únicas e de excelência.

Que tipos de estratégias vão ser desenvolvidas?

Passam pela fixação de empresas que, neste momento, não temos. Passa por alargar a novas áreas industriais e também procurar incentivar o empreendedorismo através do gabinete de apoio ao desenvolvimento económico da Câmara Municipal. Mas, em termos de grande projeto, o que ambicionamos é que seja criada uma nova zona industrial, uma nova plataforma logística e que a par disso tenhamos sempre uma relação e um apoio muito estreitos com quem se quer fixar no nosso território. O município tem tido sempre uma postura de porta aberta procurando sempre ajudar quem quer investir e quem quer fazer mais neste concelho.

Qual é a mensagem que quer deixar aos munícipes?

Deixo uma mensagem de vontade de continuar a trabalhar em prol de Ourique e em prol da minha terra. Ser presidente da Câmara Municipal é uma grande responsabilidade, mas é uma possibilidade única e eu sinto, com uma enorme gratidão, que é uma oportunidade que poucos têm para fazer mais, melhor e diferente pelo meu concelho. Por isso, quero deixar este comprometimento de total disponibilidade para continuar a trabalhar com energia, total entrega em prol do futuro de Ourique e de todos os ouriquenses.

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