Diario do Sul
Twitter rectangular

ENTREVISTA AUTÁRQUICAS ÉVORA 2017: PEDRO D’OREY, CANDIDATO DO CDS-PP À CÂMARA

«Reduzir dívida para mostrar bom caminho»

Pedro D’Orey Manoel tem 49 anos. É natural de Lisboa mas, porque vive em Évora há cerca de 26 anos, já se sente eborense e alentejano. É licenciado em Engenharia Agronómica e tem uma pós-graduação em Contabilidade e Gestão. Profissionalmente, gere as propriedades agrícolas da família. É filiado no CDS-PP desde 2004 e apresenta-se agora como candidato à presidência da Câmara Municipal de Évora.

Autor :Bruno Calado Silva

Fonte: Redação

20 Setembro 2017

Das linhas mestras que retratam o seu programa de eleitoral, destaca a reestruturação financeira do Município e uma intervenção no centro histórico. Da entrevista que deu à Rádio Telefonia do Alentejo e ao Diário do Sul, fica aqui o essencial.

Rádio Telefonia do Alentejo (RTA) – No seu programa está inscrita a criação de um gabinete de fomento económico municipal que decorre da preocupação que afirma ter com as empresas. Que organismo é este exactamente e o que é que pode trazer de novo?
Pedro D'Orey Manoel (POM) – O que nós queremos fazer de novo é ir para o terreno – o que acho que não está acontecer – e perceber quais são as empresas que andam à procura de locais para se fixarem, perceber o que é que exigem nos seus cadernos de encargos e negociar essas condições de fixação. E, dentro da legislação existente criar incentivos à fixação, sendo que estando a Câmara 'presa' ao Plano de Apoio às Economias Locais (PAEL), que leva a que as derramas e impostos estejam nos escalões máximos, temos a noção de que não será tarefa fácil. Daí que a redução da dívida da Câmara seja a nossa 'bandeira' e o pilar principal desta candidatura.


RTA – Quanto às empresas já existentes, nomeadamente, o comércio local, quais são as medidas que propõe numa altura em que está prestes a abrir uma grande superfície?
POM – O novo centro comercial está para abrir brevemente. Vai ser uma realidade e nós achamos que é uma estrutura necessária e com a qual concordamos. Mas defendemos que com uma intervenção apropriada no centro histórico – que é outro dos grandes pilares da nossa candidatura – é possível criar sinergias entre essa grande superfície e comércio local e tradicional. Conhecemos exemplos em que essas sinergias funcionam e é uma das formas de não deixar que o centro histórico morra.


RTA – Mas propõe mais medidas para a revitalização do centro histórico...
POM – Claro. Nomea-damente ao nível do urbanismo. Existem uma série de prédios devolutos, muitos estão nessas condições porque existem conflitos entre herdeiros e neste ponto defendo que a Câmara deve ter uma atitude mais pro-activa. Ou seja, ir ao encontro dessas pessoas e tentar perceber como é que apesar dos litígios, se consegue um acordo para a reabilitação desses imóveis, antes mesmo da resolução legal.
Por outro lado, propomos uma maior cativação de verbas dos orçamentos dos grandes projectos de reabilitação do património publico, como foi o caso da obra do Aqueduto da Água de Prata, para distribuir pelos comerciantes e pelos pequenos proprietários urbanos para auxilia-los na modernização e na manu-tenção dos seus prédios e lojas. Actualmente, a Câmara já salvaguarda esse tipo de verbas para recuperar os seus imóveis e os de outras entidades. E bem! Mas uma parte considerável dessa cativação deve ir obrigatoriamente para os pequenos proprietários.
Por fim, defendemos que o centro histórico necessita de ter mais actividades de rua, com uma calendarização, pelo menos, trimestral para chamar as pessoas. Não só para as de fora como para os que ali vivem possam desfrutar dessas actividades e no fundo viverem a sua cidade.


RTA – Voltemos à questão da dívida. Serão mais de 70 milhões de euros e o PAEL e ainda limita muito o investimento. Neste cenário como é que propõe reduzir este montante tão avultado?
POM – É verdade que qualquer município tem que ter dívida, desde que seja gerida de forma equilibrada e sustentável. E há aqui uma verdade de La Palice: para que isso aconteça, é necessário aumentar a receita e diminuir a despesa, mas este é um ponto essencial para manter um saldo positivo da dívida primária, excluindo o pagamento dos juros. Se isto acontecer e se o Produto Interno Bruto Regional ( PIBR) for superior aos juros da dívida, nós conseguimos amortizar dívida.
Depois, queremos rene-gociar todos os contratos de parcerias público-privadas, quer seja no fornecimento de água - sem nunca sairmos das Águas de Portugal - , eletricidade e todos os serviços que são prestados à Câmara por outras entidades. É necessário fazer sentir a todas as entidades externas que a Câmara está numa situação de dívida grave e que é absolutamente necessário reduzir preços, talvez por um prazo de cinco anos. Entretanto, quanto ao abastecimento de água, sabemos que as perdas na rede rondam os 40%. Ou seja, quase metade da água que o Município paga não chega aos consumidores. Reduzir este desperdício é fundamental para a redução da dívida. Sabemos que é necessário investimento para o fazer, e pensamos recorrer a fundos comunitários...


RTA – Mas isso choca com o PAEL que não permite recorrer à maior parte dos fundos. É como se fosse uma pescadinha de rabo na boca...
POM – Sim. Mas a solução é apresentar um plano de redução da dívida, a vários anos, que mostre que estamos no bom caminho e com isso conseguir uma maior flexibilidade financeira para suportar a comparticipação que cabe à Câmara neste tipo de projectos.


RTA – A Câmara tem cerca de mil funcionários. Alguma dessas medidas de redução da dívida prevê despe-dimentos?
POM – Não. Tem é que ser feita uma gestão criteriosa do pessoal da Câmara. É que ter mil funcionários e ainda ir sub-contratar prestação serviços, não nos parece a melhor solução para reduzir dívida. O que é necessário é trabalhar com a 'prata da casa'. E fazer uma gestão interna mais eficaz dos recursos humanos. No fundo fazer uma verdadeira reestruturação de serviços em que cada departamento tem que prestar contas e ser rentável. Defendo que essa reestruturação deve ser feita em consertação com os sindicatos e com as pessoas. Eu gosto muito de falar com as pessoas e de perceber quais são os seus sentimentos, mas as pessoas têm que perceber que se os serviços não funcionarem, se a Câmara não sair debaixo da alçada do PAEL, se não conseguirmos reestruturar a dívida têm que se aplicar medidas piores. Tem que haver boa vontade de ambos os lados, talvez passar pessoal de um sítios para os outros.
Uma outra medida passa efectivamente pela captação de investimento através de instalação de novas empresas através da criação do referido gabinete de fomento e, por último, uma coisa que está muito presente na génese do parido que representa a minha candidatura: a concessão à iniciativa privada da gestão e exploração do muito património cultural e arquitetónico, megalítico e religioso, especialmente aquele está abandonado, aumentando assim as receitas da Câmara.


RTA – Com estas propostas e outras que fazem parte do programa eleitoral que apresenta aos eborenses, que resultado é que espera ter na noite 1 de Outubro?
POM – Claro que quando nos candidatamos é sempre para ganhar. Mas temos que ser realistas quanto ao período político que vivemos e ao local onde estamos. Portanto, tudo o que seja eleger deputados na Assembleia Municipal, eleger para as Juntas de Freguesia em que temos expectativas fortes em pelo menos duas. Para Câmara, se eu for eleito vereador, já considero tudo uma grande vitória. Até porque este não é um projecto para acabar a 2 de Outubro. Queremos desenvolver o nosso trabalho durante os próximos quatro anos e no final submetermos uma nova candidatura, fruto desse trabalho. É um caminho que não vou fazer por obrigação mas sim por gosto e, por isso, este é um projecto para muitos anos.

Dê-nos a sua opinião

Incorrecto
NOTA: As opiniões sobre as notícias não serão publicadas imediatamente, ficarão pendentes de validação por parte de um administrador.

NORMAS DE USO

1. Deverá manter uma linguagem respeitadora, evitando conteúdo malicioso, abusivo e obsceno.

2. www.diariodosul.com.pt reserva-se ao direito de eliminar e editar os comentários.

3. As opiniões publicadas neste espaço correspondem à opinião dos leitores e não ao www.diariodosul.com.pt

4. Ao enviar uma mensagem o utilizador aceita as normas de utilização.