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ENTREVISTA AUTÁRQUICAS 2017: ELSA TEIGÃO, CANDIDATA DO PS À CÂMARA DE ÉVORA

“Quero ajudar os empresários a conseguirem financiamento para os seus projetos”

Elsa Teigão, 50 anos, é candidata do PS à Câmara de Évora e aposta na vitória, subindo mesmo a fasquia até à maioria absoluta. Em entrevista à Rádio Telefonia do Alentejo e Diário do Sul, deixou as ideias de um programa virado para o investimento.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redação

20 Setembro 2017

Tem dito que Évora precisa de ser uma cidade moderna. Acha que Évora não é moderna ou como é que poderia ser mais modernizada?
Estou preocupada com a estagnação a que se assistiu nestes últimos anos. Évora é uma cidade fantástica, com muito potencial e muito para dar às pessoas que nos visitam, mas tem sido maltratada e não tem sido aproveitada. Há coisas importantes a implementar pela autarquia, que têm a ver com a forma como a câmara se organiza para dar respostas aos eborenses e a quem quer empreender neste concelho.


O que propõe?
Dou o exemplo do Gabinete Smart City, que não exige, por parte da autarquia, nenhum esforço financeiro. Exige apenas uma reorganização e modernização dos serviços, que pode ser feito a qualquer momento com as pessoas que estão dentro da autarquia e que trabalham lá. É um conjunto de técnicos que têm uma missão específica de ganchear, procurar e fazer propostas de financiamento para projetos da própria autarquia, projetos para os empresários, para associações e até mesmo para pessoas em nome individual que queiram empreender. Nós, enquanto câmara, não temos que nos candidatar a tudo, mas podemos ajudar os empresários a conseguirem financiamento para os seus projetos com parcerias.


Acha que tem faltado esse empurrão?
Tem faltado alguma proatividade por parte da câmara e deste executivo comunista, que não tem sabido aproveitar os recursos que tem internamente no sentido de oferecer às empresas, associações e pessoas os seus préstimos na ajuda do empreendedorismo, pelo que este gabinete é muito importante com ligação com o NERE e o Parque de Ciência e Tecnologia. Depois, temos ainda o objetivo de criar o Gabinete Via Verde para o centro histórico. Isto depois de termos ouvido os empresários dizerem que têm tido dificuldade em obterem respostas por parte da autarquia relativamente aos licenciamentos e projetos que apresentam.


E como irá funcionar?
Este gabinete vai ter um regulamento. Os técnicos terão um tempo determinado para responderem às pessoas , porque alguém que quer investir no centro histórico, seja na reconstrução de uma casa ou na abertura de uma loja ou em empresas, não pode estar três anos à espera de uma resposta da autarquia. Queremos que em 30 dias seja dada resposta às pessoas, sendo esta uma forma de dinamizar e desenvolver a economia no concelho, permitindo que o centro histórico passe a ter alguma dinâmica, uma requalificação e uma outra apresentação.


Mas a cidade terá perdido oportunidades por causa dessa teia burocrática?
Um exemplo disso é a LAUAK, empresa aeronáutica, que saiu para Grândola. Tentou-se passar um pano sobre este assunto, mas o que é verdade é que em 2015 foi anunciado que iria instalar-se em Évora, como a Mecachrome, e depois viu-se que esse investimento foi para Grândola e nós perdemos cerca de cem postos de trabalho diretos e 300 indiretos. Perdeu-se essa oportunidade e não se captaram outras. A autarquia não deve estar passivamente dentro do seu gabinete à espera que os empresários venham ter com eles.


Que género de empresas mais interessam à cidade?
As pessoas só se fixam desde que haja desenvolvimento, embora seja sempre preciso considerar as questões ambientais e dos trabalhadores. A aeronáutica, iniciada nos mandatos do PS com as negociaçoes do cluster aeronáutico, é uma das prioridades. O líder da câmara e candidato da CDU já se associa ao cluster aeronáutico como uma das estratégais do seu partido e isso é muito bom. Quer dizer que todos reconhecem que aquilo que foi decidido na altura da liderança do doutor José Ernesto foi uma medida acertada. É preciso alargar isso e Évora pode liderar esse processo para criar o cluster aeronáutico do Alentejo. Há clusters aeronáuticos no mundo com uma área territorial muito maior que o Alentejo. Podemos captar investimentos para Évora e ajudar os outros municípios a desenvolverem-se. Além das fábricas, deveremos apostar também em fenómenos associados, como conferências internacionais e a recuperação do Portugal Air Show que é uma marca da câmara de Évora.


Entre as vossas propostas surge ainda a questão da indústria agroalimentar...
Porque também a consideramos estratégica. Existe em Évora e à nossa volta a produção de azeite, vinho, mel, cereais, cortiça. Tudo isto é muito importante para que fique aqui a riqueza se houver indústria transformadora. Évora e o Alentejo têm que ter uma outra forma de atuar, sem perderem investimento. As pessoas procuram qualidade de vida, que se traduz no bem-estar, educação, saúde, mas não há fixação de população sem haver emprego. Évora tem uma centralidade que é preciso aproveitar, porque não está longe de Lisboa nem de Espanha, mas também não pode deixar a população fugir para o Litoral ou para Espanha. É preciso um novo hospital e aproveitar as acessibilidades, mas é importante que Évora deixe de ter uma estrada nacional como única via a ser utilizada por camiões com resíduos perigosos e que fique entre dois edificios do hospital, na avenida S. João de Deus. É possivel fazer a circular norte, porque também foi possível fazer a ponte do Albardão.


Tem projeto para resolver a dívida na câmara?
A gestão de quatro anos da CDU não foi assim tão boa como Carlos Pinto de Sá diz ser. Se fosse boa a câmara de Évora tinha saído do PAEL como saíram 62 autarquias. Aliás, a dívida aumentou, ao contrário do que se está a fazer passar. Não vamos assentar a nossa gestão sobre a dívida, porque a dívida não chega para gerir, servindo como capa e desculpa para a inoperância de algumas ações por parte da CDU. Propomos uma gestão criteriosa tentando reduzir despesas, cobrando 30% da água que não está a ser cobrada, substituição das lâmpadas por energia LED que reduz 75% da fatura de eletricidade. Pretendemos ainda aumentar a receita própria, por exemplo, com uma medida que é a taxa turística, sem onerar os eborenses. Lisboa cobra a taxa e o turismo aumentou, porque a taxa turística é uma receita que permite requalificação urbana, mais cultura e mais iniciativas e dinamização do turismo.


É uma medida polémica...
Ouvimos os operadores de turismo locais, tendo-os como parceiros, porque depois também lhes será devolvida essa qualidade do turismo em Évora de que tanto se queixam. É o caso de não terem casas de banho para turistas ou dos nossos visitantes serem deixados no Rossio e depois virem por ali acima ao sol durante o verão.


A proposta que apresentam em torno da requalificação do Rossio também vai ao encontro deste objetivo?
É de extrema importância essa requalificação. Por exemlo quando acontece a feira de São João os autocarros não têm onde estacionar. É uma das queixas dos operadores, além de que a própria feira, naquele espaço, tem tido más condições, com piso térreo com buracos, fios por cima. Gasta-se muito dinheiro sempre que é preciso fazer a feira porque as infraestruturas não estão lá. Queremos dar dignidade ao Rossio, possibilitando que ali se realizem várias iniciativas, criando parque de estacionamento.


E sobre a proposta do parque Aqueduto?
Faltam em Évora locais de lazer, onde se possa ter um convívio entre as famílias, idosos, jovens, pessoas com animais. Esse espaço resolve alguns problemas como a ligação entre o centro histórico e o bairro do Granito e Bacelo para peões e bicicletas.


O que será para si um bom resultado no dia 1 de outubro?
Um bom resultado e único que eu considero é ganhar a câmara. O PS quando se candidata é para ganhar e é isto que estou aqui a fazer. Tentar por todos os meios e de todas as formas chegar à maioria absoluta na câmara. Se as pessoas fizerem um balanço e acreditarem no projeto que temos, eu penso que a maioria absoluta é uma hipótese muito forte.

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