Diario do Sul
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ENTREVISTA AUTÁRQUICAS 2017: ANTÓNIO COSTA DA SILVA, CANDIDATO DO PSD À CÂMARA DE ÉVORA

“Évora perdeu oportunidades que foram aproveitadas por outras cidades do Alentejo”

O candidato do PSD à Câmara de Évora aposta forte na economia para devolver a centralidade ao concelho. António Costa da Silva quer fixar jovens qualificados à terra e atrair novos investimentos. Propõe mesmo a criação de um cluster associado à agro-indústria para não deixar as mais-valias dos produtos da terra viajarem para outras paragens.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redação

20 Setembro 2017

Fez a apresentação da candidatura em plena Praça do Sertório e anunciou o slogan Évora é agora.
Foi para mostrar ao que vimos. Vimos para ganhar e fomos ao Sertório mostrar a nossa vontade e motivação. Foi um sinal que quisemos dar aos eborenses de que o PSD não vem a estas eleições só por vir.


Mas Évora é agora porquê?
Porque tem perdido muitas oportunidades. Évora tem tudo para dar certo mas, infelizmemnte, não tem dado. Tem tido condições de excelência pelo seu passado, história riqueza, património arquitetónico, pelo ambiente, pelos eborenses que lhe dão vida, que lhe dão identidade. Mas ao longo do tempo perdemos várias oportunidades que foram aproveitadas por outras cidades do Alentejo. Évora é uma capital que perdeu essa capitalidade.


Sobretudo onde?
Em diferentes áreas de serviços. Perdeu notoriedade na agricultura, perdeu notoriedade na agro-indústria, perdeu muita notoriedade que tinha no território e até no futebol perdeu notoriedade, estando no nível mínimo de sempre. A nossa expetativa é dar uma nova voz a Évora.


E o que faltou ao longo dos anos para se chegar a este estado de coisas?
Évora conseguiu uma coisa muito importante, e isso há que reconhecer, que foi a sua classificação como Património Mundial há 30 anos. Só que de há 30 anos até agora passou-se muita coisa e perdeu-se muita oportunidade. Évora tornou-se uma cidade de Interior que tem perdido população na última década, quando as pessoas são o mais importante em qualquer dos territórios. Sem pessoas não há riqueza nem crescimento económico. Acreditamos que o nosso projeto político pode defender Évora e tem de ser agora. As pessoas não podem estar à espera de continuar a ver as coisas a acontecer sem que tirem verdadeiro proveito da riqueza da cidade.


E como pensa mudar Évora caso seja eleito?
A nossa principal aposta é no crescimento económico, mas com ideias muito objetivas e sem fantasias. Propomos, desde logo, que a segunda fase do Parque de Ciência e Tecnologia seja desenvolvido e isso significa que estamos a ligar o mundo científico e tecnológico ao mundo empresarial. Estamos a ligar a academia e outras entidades do sistema científico e tecnológico que estão aqui e dar essa capitalidade a Évora. Isso vai permitir a instalação de empresas de jovens qualificados e que se fixem em Évora. Haverá lugar para que estudantes que estão em Évora fiquem cá, mas também os eborenses terão mais apetência para ficarem na sua terra.


É a importância do empreededorismo de que tanto se fala mas nem sempre funciona?
Há uns anos atrás eu estava nos fundos comunitários e falava-se que tínhamos aqui muitas incubadoras e que ia ser muito mau porque já eram incubadoras a mais. A verdade é que ficaram todas cheias de jovens qualificados que querem ficar por cá. Valeu a pena. Quando dizemos que queremos alavancar a segunda fase do Parque de Ciência e Tecnologia significa que vamos permitir que empresas âncora da área da tecnologia, património, aeronáutica, tecnologias da concentração solar, áreas em que nós temos grandes competências, possam estabelecer-se no parque. Não podemos estar na câmara sentados no sófá à espera que vão lá. É preciso fazer o que fizemos no passado e ir à procura das empresas e atuar junto do mercado. Umas das coisas que prevemos é que através do MARÉ (mercado abastecedor) se desenvolva um projeto de refrigeração de produtos agrícolas que será muito importante para a região.


Quer concretizar a ideia?
Significaria que estaríamos a aproveitar os produtos de Alqueva e a aproveitar o que já estamos a fazer na região. A refrigeração é a primeira fase de aproveitamento de produtos agrícolas do nosso território e não pode voltar a acontecer o que aconteceu com a cortiça e com o mármore, que eram produzidos na região e transformados fora.


Também tem defendido a criação de um agrocluster industrial. No que se traduz?
Houve um pensamento no passado que não avançou nada. Aliás, foi apresentada uma candidatura há dois anos da qual a câmara desistiu e que apontava à criação de um parque industrial na Giesteira. Entendemos que deve ser criada uma área destinada a empresas que vão tansformar os produtos de Alqueva cá. As pessoas podem perguntar como é que isso se faz se a câmara está endividada, mas isto é um círculo vicioso.


Círculo vicioso?
Sim. Estas empresas e estes projetos vão ser financiados com fundos comunitários que existem e que temos que aproveitar. Estamos a falar de financiamentos a 85% a fundo perdido. Com essa riqueza de certeza que vamos ter mais gente a comprar casa em Évora, vamos ter mais gente a fazer os seus projetos de família em Évora, vamos vender mais casas, haverá mais receitas de IMI. O problema da dívida da câmara resolve-se criando riqueza.
E como enquandra o turismo neste processo?É um área que, acredito, se vai continuar a desenvolver. Era mais uma que já tinha sido apontada há alguns anos, quando estava nos fundos comunitários. As pessoas diziam que se estavam a abrir demasiados concursos para hotéis em Évora. Aqui está uma questão sobre o que é ter visão para o futuro e perspetivar as tendências e as possibilidades que existem. É a importância de não se perder tempo. Quando abrimos concursos para hotéis de quatro e cinco estrelas para Évora estávamos a qualificar os territórios. Hoje, se formos ao Booking procurar um quarto para ficar em Évora, não arranjamos. Há quatro anos atrás diziam que era uma loucura, mas agora ninguém nos dá razão. A vida é assim e na política a vida ainda é mais cruel.


Na sua apresentação sublinhou que o turismo em Évora não pode ser o que todos fazem. Tem de ser autêntico, genuíno, único. O que preconiza para o setor, afinal?
Tem a ver com a nossa identidade, com a identidade do território. Queremos apostar na excelência patrimonial do nosso território, na excelência ambiental, na relação do homem com a natureza. A paisagem é fundamental e a riqueza que temos é ancestral, uma enorme herança, mais tudo o que está associado. Falo dos produtos do nosso território, o vinho, os queijos, os enchidos, mel, doçaria, a nossa gastronomia, os nossos restaurantes que são reconhecidos por quem vem de fora. Falamos do Cante alentejano e em Évora não há um espaço do Cante. Perspetiva-se um hotel, e eu conheço o investidor, dessa natureza. Repare que o turismo no Alentejo representa 2,8% do turismo nacional, o que é muito pouco. O Algarve é 35%.


Isto implica ter alternativas em várias áreas...
Sim, porque nós não podemos estar a competir com mar e sol, mas podemos continuar a crescer muito e a fazer com que as pessoas fiquem mais tempo em Évora a aproveitarem o nosso património. Por exemplo, no outro dia visitámos o Cromeleque do Almendres e encontrámos uns acessos inaceitáveis. Não se justifica. Évora tem um dos cromeleques mais antigos que existem e que passa completamente despercebido, tal como acontece com a Anta do Zambujeiro. Perdemos oportunidades porque não tratamos bem o nosso território.

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