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ENTREVISTA AUTÁRQUICAS 2017: CARLOS PINTO SÁ, CANDIDATO DA CDU À CÂMARA DE ÉVORA

“Dívida baixou para 72 milhões de euros e estamos pagar a 170 dias”

Carlos Pinto de Sá volta a ser o nome da CDU apontado à corrida da Câmara de Évora. Depois da maioria absoluta conquistada há quatro anos, o cabeça-de-lista do PCP e PEV fala de um mandato perturbado pela dívida, mas assegura que a tesouraria está mais desafogada, pelo que vêm aí novos desafios para o concelho.

Autor :Roberto

Fonte: Redação

21 Setembro 2017 | Publicado : 16:01 (21/09/2017) | Actualizado: 16:02 (21/09/2017)

Depois de quatro anos complicados marcados pela austeridade o que espera para o futuro caso venha a ser reeleito?
Há uma componente onde foram dados passos positivos, que foi na situação económica e financeira da câmara. Estamos mais à vontade agora. Imagine o que é ter herdado uma dívida de 90 milhões de euros, com um prazo médio de pagamento, em junho de 2013, de 867 dias, ou um défice orçamental de 18 milhões de euros negativos ou resultados negativos líquidos de 12 milhões de euros. Os credores e os fornecedores faziam fila à porta da câmara. Tendo ultrapassado a maioria destes constrangimentos esperamos ter uma situação mais desafogada.
 
E quais são os desafios?
Não são apenas os desafios do desenvolvimento, mas os desafios para cada uma das áreas onde Évora necessita de dinâmica de investimento e de chamar as pessoas à participação. A grande questão do desenvolvimento de Évora coloca-se numa perspetiva estratégica agora e todos são convocados para participarem nessse proceso.
 
Qual é neste momento a dívida e qual é o tempo médio de pagamento aos fornecedores?
A dívida baixou para 72 milhões de euros e estamos pagar a 170 dias. É uma redução próxima dos 700 dias face a junho de 2013. É bom  dizer que terminámos 2016 sem pagamentos em atraso. Ou seja, quando dizemos que não há pagamentos em atraso significa que estamos a pagar dentro dos prazos contratados com os fornecedores do município.
 
O centro histórico continua a ser transversal a todas as candidaturas e há vários anos. Os números oficiais dizem que se passou de 17 mil para 6 mil e tal pessoas e há cerca de 1500 a 1600 fogos devolutos, alguns degradados e com problemas. O que falta fazer?
Apostar na revitalização do centro histórico é essencial. Falamos de revitalização porque há quatro anos o centro histórico estava a morrer, não tinha atividade, o comércio estava a encerrar. Hoje já encontramos uma dinâmica muito significativa do ponto de vista da vivência. Hoje temos um conjunto de zonas onde a população convive, como a  Alcárcova de Baixo e a Praça do Giraldo, temos um centro histórico onde a população voltou e o turismo cresceu 20% ao ano, com um atividade dinâmica do ponto de vista económico absolutamente excecional e que temos de saber aproveitar. Temos novas lojas a instalarem-se, temos um conjunto de prédios que estão a ser recuperados. Neste momentos temos 83 obras de regeneração urbana a acontecerem no centro histórico e há décadas que isso não acontecia. Obviamente que temos de ir mais longe.
 
O que quer isso dizer na prática?
Significa que o centro histórico tem de ser revitalizado e ser requalificado para que possa desempenhar este papel nuclear e essencial para o desenvolvimento de Évora. Por isso é necessário olhar não apenas para o edificado, mas também para as questões da mobilidade, do trânsito, da vivência das pessoas, recuperando atividade e pessoas para dentro do centro histórico. É necessário alargar as atividades económicas que se foram afastando, é preciso que o turismo possa dar um contributo ainda maior para o desenvolvimento e isso é possível melhorando espaços públicos e a oferta. É para isso temos um programa estratégico que vai garantir um conjunto de investimentos de 9,5 milhões de euros até 2020 pela parte do município.
 
Quais são as intervenções na calha?
Vai ser recuperado e requalificado o Salão Central para uma sala multiusos,. Vai ser requalificado o Palácio D. Manuel, o Teatro Garcia de Resende. Vão ser intervencionados espaços públicos fundamentais e será criado um centro de acolhimento ao turista, porque temos graves deficiências no acolhimento a quem nos visita. Vão ser feitas intervenções em várias infraestruturas de acolhimento aos turistas e vamos ter ainda cinco milhões de euros para que os proprietários do centro histórico, as atividades económicas dentro do centro histórico e quem lá queira apostar possa ter um apoio para requalificar edifícios e alterar o seu uso. Será ainda trazido para dentro do centro histórico uma residência de estudantes, segundo um acordo que temos com a Universidade de Évora, que vai instalar 60 estudantes.
 
Quais são as prioridades para os próximos quatro anos que tem em carteira?
Desde logo o centro histórico, que vai dispor até 2020 de investimentos estruturantes na ordem dos 15 milhões de euros, entre investimento municipal e privado, além de outras entidades públicas. Vamos ter investimentos na área da educação, com requalificação de escolas da responsabilidade do município de um milhão de euros. Demos prioridade às escolas que ainda têm coberturas em fibrocimento. Essa intervenção já começou nas escolas de Santo António e São Mamede. No Palácio D. Manuel queremos colocar um centro de interpretação da cidade que possa acolher os turistas, mas também um centro de acolhimento ao turista regional, que convide as pessoas a visitarem o centro histórico e zonas rurais e também os outros concelhos do distrito.
 
Turista regional é uma expressão que registei...
Porque Évora tem que receber da região e tem que dar à região. Évora é a principal cidade da região e tem aqui uma responsabilidade do ponto de vista da solidariedade com a região, podendo agarrar neste turista e levá-lo a visitar outros concelhos do Alentejo, porque vale a pena fazer essas visitas. Depois há outros investimentos importantes nas áreas do ambiente e cultura. São mais de 20 milhões de euros que já estão garantidos do ponto de vista da contratualização até 2020. Por exemplo, na área da cultura estou a falar até de atividades dos agentes locais, com novos eventos, como aconteceu com Artes à Rua, em que o financiamento foi conseguido através de uma parceria. Queríamos que este apoio à cultura fosse um financiamento plurianual de forma a garantir que os nossos artistas e criadores pudessem ter uma estabilidade ao longo do ano .
 
Outro tema transversal é o Rossio. O que podem os eborenses  esperar?
Fomos os únicos a falar do Rossio e iniciámos esse debate para perspetivar o futuro da Feira de São João. Um dos alertas que fizemos foi que não podíamos receber os turistas no Rossio com pó no verão e lama no inverno. A intervenção é pesada, do ponto de vista financeiro e temos que garantir primeiro financiamento. Não havendo possibilidade de fazer já uma intervenção definitiva, julgo que temos de resolver o problema do pavimento , dos acessos e do ordenamento do trânsito. Ou seja, dar dignidade ao Rossio não inviabilizando uma futura opção de intervenção naquela que é uma das grandes praças de Évora.

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