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PSD apresenta candidatos às juntas de freguesia do concelho de Évora

Segurança e economia são as prioridades mas também é preciso mais dinheiro

Os candidatos do PSD às juntas de freguesia do concelho de Évora apostam forte na mudança à “boleia” da corrida à câmara promovida pelo cabeça de lista, António Costa da Silva. Também acreditam que “Évora é agora” e são unânimes em lamentar o parco financiamento atribuído às freguesias. Há quem fale mesmo de “abandono” entre os seis candidatos que apresentaram as suas propostas eleitorais aos microfones da Rádio Telefonia do Alentejo.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção Diário do SUL

29 Setembro 2017

Foram convidados todos os candidatos social democratas mas três não puderam comparecer.

Helder Rebocho, concorre à junta da Nossa Senhora da Saúde e Bacêlo, e começou por lamentar o estado de degradação em que se encontram alguns equipamentos públicos. Deu o exemplo do bairro Garcia de Resende e do parque desportivo descoberto, “com ervas com um metro de altura. Também o parque infantil está encerrado, porque não tem condições de higiene nem de segurança para as crianças frequentarem”.
Alertou ainda para o mau estado da ecopista e para a deficiente iluminação. “Temos candeeiros que não são próprios para aquele tipo de espaço”, antes de puxar pela falta de segurança. “Propomos fazer o levantamento das zonas mais preocupantes e, em colaboração com a PSP, tentar reforçar o policiamento noturno, recorrendo a apoio de guardas noturnos”, disse Helder Rebocho, antes de olhar para o desenvolvimento económico.
“Temos diversas zonas dormitórios que têm de ser revitalizadas e localizar novas funções comerciais. Queremos lançar um cartão para residentes que serve para acumular pontos e dar descontos noutras compras como sistema de incentivo a que se compre no bairro”, avançou.
Luís Martins (São Bento do Mato) chama a atenção para as particularidades que caracterizam as freguesias rurais face às urbanas, defende uma aposta ambiciosa no plano económico, que procure tirar partido da localização geográfica. “O Município deveria olhar para estas freguesias de forma diferente. Podemos falar da coesão dos próprios territórios, algo que tem sido descurado”, disse, exibindo o programa que privilegia a questão do financiamento da freguesia.
“Temos que assumir que as freguesias, sobretudo as rurais estão subfinanciadas. O município de Évora transfere para as freguesias 1% do orçamento anual municipal e com isto as freguesias estão subjugadas pelo município, sem liberdade para desenvolver qualquer tipo de programa”, acrescentou, propondo que o financiamento seja “duplicado”, justificando que quer trabalho para as pessoas, “mas é preciso que haja pessoas”, disse receando os impactos da desertificação na freguesia nos próximos anos.
Pedro Grazina (Horta das Figueiras e Malagueira) concorre a um união de freguesias que reúne hoje 35 bairros e mais de 22 mil habitantes. “Queremos um projeto novo para a cidade e   aceitei o desafio de me candidatar para mudar a cidade que em 40 anos teve apenas gestão comunista e socialista”, disse, começando por admitir que é preciso levar segurança às pessoas. Quer puxar as autoridades para a sua estratégia, mas não perde de vista a iluminação noturna na via pública.
“Tem que ser modernizada. Quando vamos passear à noite está tudo escuro e não sabemos porque é que isso acontece”, disse, estando ainda apostado em proporcionar acesso gratuito à esterilização de gatos e cães, juntando à lista das propostas a criação do conceito “lixo é posto ao sol”. E explica: “é na sequência das frequentes queixas dos moradores. A câmara diz que não tem funcionários ou que não tem dinheiro. Queremos mostrar que é preciso haver organização.”
Pedro Grazina ambiciona ainda dar atenção aos cuidados primários de saúde e ao combate à obesidade, defendendo “a prática desportiva, sendo preciso requalificar os espaços verdes nos 35 bairros. E há muito para requalificar”.
João Liberado (Canaviais) alertou que a população da freguesia cresceu imenso - cerca de 15% - sendo a localidade mais jovem, com uma média de idades de 39 anos, mas que carece de investimento público, segundo o próprio candidato.
“Dos Canaviais a câmara só tem levado impostos e depois há falta de água diariamente, as ruas estão uma desgraça, os cabos elétricos são uma vergonha. O dinheiro que pagamos em impostos deveria ser investido na freguesia, mas vai para outro lado”, acrescentou.
O candidato ambiciona ainda melhorar a higiene pública e a capacidade de recolha de resíduos para garantir uma freguesia mais limpa, sugerindo mesmo um ponto de recolha de resíduos subterrâneo “para facilitar a vida às pessoas” com mais dificuldade de mobilidade, alertando que “há lugar para a instalação de empresas” que ajudem a dinamizar a terra. João Liberado recordou ainda ter sido a junta que abriu a biblioteca pública com recurso a uma parceria, tendo como principal objetivo alcançar “analfabetismo zero”.
Rui Madeira (São Manços e São Vicente do Pigeiro) aponta aos jovens, considerando que a prioridade radica na fixação dos mais novos, criando condições para que possam ter futuro na terra. “Queremos aproveitar alguns dos edifícios para ali ter um espaço jovem com atividades e que permita a interligação”, disse, pretendendo ali instalar também o “apoio social de proximidade que queremos criar para a união de freguesias”, apostando na promoção de ações intergeracionais, com troca   de experiências e aprendizagem com os mais velhos em torno de algumas artes antigas.
Rui Madeira tem ainda em carteira a criação do museu do forcado em São Manços, admitindo tratar-se de um espaço dinamizador para a freguesia. “Será uma homenagem a um grupo que espalha o nome da freguesia pelo mundo inteiro”, sublinha, revelando que esta proposta já foi dada a conhecer aos concorrentes de outros partidos e gostava de a ver no terreno mesmo que não venha a ser eleito. O candidato ambiciona ainda vir a criar um gabinete de apoio à criação de empresas para ajudar na elaboração de projetos destinados a fomentar o emprego.
Hugo Barreiros (Nossa Senhora de Machede) quer aproveitar o parque industrial para atrair empresas à terra. “Está parado e o único candidato com coragem para referir essa situação foi o doutor António Costa da Silva. Estamos a falar de 12 lotes que poderiam ter 12 empresas a laborar, criando emprego e dando possibilidade às pessoas de cá se fixarem”, sublinha, lamentando que a estação do comboio local não possa ser aproveitada para atrair turismo face ao estado de degradação avançada em que se encontra.
“Dá dó ver aquele edifício”, lamenta, não encontrando ainda resposta para o subaproveitmento da “paisagem e situação geográfica tão próxima de Évora. Há um hotel que está encerrado e nem aproveitamos o parque infantil que está ao abandono”, insiste, não perdendo de vista o facto de “nem haver uma equipa de futebol porque ninguém quis apoiar”. à lista o candidato junta ainda a oportunidade em torno do ciclismo, à boleia de Francisco Romão, um nome conhecido do ciclismo que poderia ajudar a dinamizar. “As pessoa vão aos excelentes restaurantes que lá temos, comem e vão-se embora sem conhecer a aldeia”, resume.

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