merida enamora
Diario do Sul
El Faro Familia

Carlos Zorrinho distinguido como Deputado do Ano no Mercado Digital

“Usar tecnologias com paixão para ajudar a mudar o mundo”

O eurodeputado socialista Carlos Zorrinho e colaborador do Diário do Sul há vários anos acaba de ser eleito “Deputado do Ano” na categoria Mercado Digital 2017. O galardão é atribuído pela publicação “The Parliament Magazine” e destaca o trabalho do eurodeputado alentejano logo no primeiro ano de mandato. Em entrevista ao Diário do Sul, Carlos Zorrinho não esquece a aposta na Alentejo Digital, ainda na década de 90 quando pouco ou quase nada se sabia sobre as autoestradas rasgadas pelo fenómeno internet.

Roberto Dores

29 Março 2017 | Fonte: Redação D.S.

O que representa esta distinção?

É sempre muito interessante quando somos reconhecidos pelo nosso trabalho. Este é um prémio atribuído anualmente nas várias áreas, que já foi conquistado há uns anos atrás pelos eurodeputados Carlos Coelho, José Manuel Fernandes, Capoulas Santos ou Edite Estrela. Ainda por cima, recebo o reconhecimento logo no primeiro mandato, atribuído por pelos leitores especializados da revista em Parlamento Europeu. Já foi importante que me tivessem colocado entre os três nomeados, mas o júri acabou por me atribuiu o prémio de eurodeputado mais relevante na área do Mercado Único Digital.

É uma área que funciona bem na Europa?

Também por isso estou honrado com o prémio. Depois esta área é um desafio grande, porque eu acredito que a união digital e as energias, onde mais trabalhos, são questões que estão a funcionar na Europa, num momento em que a Europa está entre o recuo e o novo avanço. Estes dois motores, da união digital e o mercado de energia são os que vão animando a União Europeia.

Que trabalho tem desenvolvido que possa ter ajudado a convencer o júri?

Fui relator para que os sistemas da União Europeia possam funcionar entre si. Sistema de saúde ou dados da educação. Fui relator para portabilidade, para que quem tem determinado conteúdo possa aceder e ver, por exempo um jogo de futebol ou aceder a um fime de outro país. Sou agora relator da Internet Universal, tratando-se de processos que, em certa medida, estão deixar marca no contexto europeu.

Após ter tomado conhecimento da distinção recordou o projeto do Alentejo Digital lá para os anos 90. Foi o princípio de tudo isto?

Eu nunca me esqueço disso. Quando eu falava em Alentejo Digital, as pessoas achavam que isso era uma coisa que não fazia grande sentido. Custavam muito a associar o digital, que é o futuro, a uma região que geralmente era vista como não estando na primeira linha.

Na altura era um conceito completamente inovador.

E depois espalhou-se por Portugal e pela Europa e hoje dá origem a este conceito que é a europa digital. Já esta semana tive aqui a oportunidade de ter a apresentação sobre o Porto Digital, que neste momento, como smart city, é um dos melhores exemplos e termos mundiais. Trata-se de uma cidade que produz os dados dos seus cidadãos para tornar a vida mais simples, com informação sobre qualidade ar, trânsito, sobre as horas a que se deve viajar, que oportunidades têm em termos culturais.

Para a maioria o caminho é longo, mas parece-lhe que nesta área o limite seja o céu?

Estamos a viver uma mudança tecnológica enorme, mas isso não significa que ela seja boa para as pessoas. Se o trabalho for substituído por robôs, se as pessoas deixarem de contactar umas com as outras e só estiverem nas redes sociais ou se deixarmos de ler jornais e apenas virmos os vários sites e tivermos todos a mesma informação, a nossa sociedade ficará mais desigual e pior.

Então como devemos avaliar o desafio desta revolução em marcha?

Aquilo que de facto é interessante é não deixarmos que seja a tecnologia a comandar a vida. Já houve muitas revoluções, como a revolução industrial quando se descobriu a máquina a vapor, mas temos que ser nós a comandar a tecnologia para mudar o mundo para melhor. Isso é política no seu sentido mais nobre.

É essa sua tentativa que é sublinhada nesta distinção?

 Quando há uma distinição como esta, em certa medida, as pessoas estão a reconhecer que há um esforço. Só pode ser isso. Não sou propriamente um grande especialista no uso das tecnologias. Sou catedrático em sistemas de informação, mas do ponto de vista concreto do uso do dia a dia não sou um dependente tecnológico. Agora o que eu procuro usar tecnologias com paixão para ajudar a mudar o mundo. Assim se pode justificar que em 751 eurodeputados tenham achado que eu posso ser aquele que, no mercado digital, dou um maior contributo.

Como é que Portugal tem acompanhado esta evolução?

Portugal está numa posição que, não sendo de topo, surge acima, por exemplo, do seu ranking económico ou social. Quer no plano tecnológico, quer nas energias renováveis.

E os outros membros da Europa?

A união digital e união de energia são o excelente exemplo daquilo que pode ser a Europa no futuro, mas nem todos os países estao à mesma velocidade, embora todos os que querem avançar tenham avançado. Cada um avança como pode e como quer em função dos objetivos comuns, fazendo as suas escolhas. Uns apostam mais no tecnológico, outros na energia, outros mais na indústria automóvel e outros no turismo. Ou seja, fazemos uma Europa que é diferente mas que trabalha para um objetivo comum. Se não for assim, um país até pode andar quase em marcha militar mas não adere à realidade.
 

Dê-nos a sua opinião

Incorrecto
NOTA: As opiniões sobre as notícias não serão publicadas imediatamente, ficarão pendentes de validação por parte de um administrador.

NORMAS DE USO

1. Deverá manter uma linguagem respeitadora, evitando conteúdo malicioso, abusivo e obsceno.

2. www.diariodosul.com.pt reserva-se ao direito de eliminar e editar os comentários.

3. As opiniões publicadas neste espaço correspondem à opinião dos leitores e não ao www.diariodosul.com.pt

4. Ao enviar uma mensagem o utilizador aceita as normas de utilização.