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Diario do Sul
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Representante da Educação no Alentejo em entrevista

“É preciso apostar em eficiência, eficácia e qualidade da acção educativa”

Manuel Maria Feio Barroso, o novo delegado regional de Educação do Alentejo, entende a escola não como “um local de emprego de professores”, mas como uma “fábrica de construção de pessoas com princípios, tendo uma visão personalística, onde o aluno é o centro do mundo educativo”. Como tal, apontou como dois principais problemas – o abandono e o insucesso escolares – que disse querer contrariar nas funções que agora assume. P

Maria Antónia Zacarias

23 Fevereiro 2015 | Publicado : 16:17 (23/02/2015) | Actualizado: 16:20 (23/02/2015) | Fonte: Redação D.S.

Como entende esta função que, agora, inicia?
Como um desafio que tem a ver com os meus próprios valores de cidadania. Eu creio que adquiri ao longo da minha vida e experiência profissional conhecimentos e competências que me conferem esta possibilidade de aspirar a ser útil. Esta coisa do bem útil e do bem público são coisas que vêm da história clássica e às quais eu dou muito valor.

Qual é a educação que quer para o Alentejo?
A minha função na pirâmide da escala da decisão é demasiado diminuta e limitada. Em todo o caso é preciso referir a separação de poderes. Eu sou representante de um órgão da Administração Pública, não sou decisor político, não sou legislador e, como tal, eu vou cumprir funções e aplicar decisões. Em todo o caso, poderá haver um cunho pessoal também nessas matérias, não transgredindo as decisões, posso dar o meu entendimento daquilo que se pretende.

Mas, eu insisto, como vê a escola?
Eu entendo, em primeiro lugar, que a escola não é um local de emprego de professores. Defendo que a escola é um âmbito em que convergem um conjunto de sinergias, onde a criança e o aluno é o centro e está no centro. E aí afluem um vasto número de sectores, como a família, os professores, as várias orientações, os agentes do meio e, nesse sentido, se conseguirmos polarizar a escola como um centro educativo, então podemos considerar que a escola pode ser um agente forte de transformação da sociedade. Os problemas a que hoje assistimos nas escolas, como por exemplo, o bullying, tem a ver com a ausência desse processo de construção do aluno como eixo da comunidade.

“Encerramento de escolas deve ser avaliado caso a caso”

E qual é a sua opinião sobre o encerramento dos estabelecimentos de ensino?
O encerramento das escolas acontece como resultante de um processo socio-demográfico. Hoje, a planificação das redes escolares decorre da alteração da socio-demografia. Há zonas em que não se justifica haver escolas porque não há alunos. Outras haverá justificação para haver. Por exemplo, num bairro novo aqui em Évora, onde há famílias jovens, há a fortíssima probabilidade a curto prazo de avançar com estruturas pré-escolares e por aí fora. É preciso é haver consciência do que é o planeamento educativo. Tem que haver uma ponderação, olhar e decidir caso a caso, em declínio de uma visão economicista.

Quais são os principais problemas que o preocupam?
A mim incomoda-me muito as elevadas taxas de abandono escolar. Uma das medidas, que eu procurarei fazer junto dos meus superiores, é contrariar este problema. Depois o combate ao insucesso que só é possível se jogarmos com a qualidade e olhar para a escola como uma fábrica de construção de pessoas, onde haja uma visão humanista, personalista e universalista do aluno.

O que pretende trazer de novo em termos de educação para a região?
Se a escola continuar a ser uma estrutura fechada relativamente ao meio em que se inscreve, o futuro está completamente inquinado. Se a escola for uma entidade participante, envolvida na sociedade, em que a comunidade educativa em geral trabalhe em conjunto é possível que a escola tenha uma mudança completa. Eu creio é que é preciso dar um passo em frente. É preciso assentar este processo na eficiência, eficácia e qualidade da acção educativa.

Novo delegado regional de Educação quer parceria com a comunicação social regional



Manuel Maria Feio Barroso, o novo delegado regional de Educação do Alentejo fez questão que a sua primeira visita oficial fosse ao grupo de comunicação “Diário do Sul” por entender que deve haver sinergias entre as duas instituições na construção de uma melhor educação na região.


No dia em que tomou posse, na passada terça-feira, o novo dirigente foi recebido nas instalações do grupo “Diário do Sul” pelo administrador Paulo Piçarra e pelo director do jornal, Manuel Madeira Piçarra, que lhe contaram o passado, o presente e os projectos existentes para o futuro em termos de comunicação que pretendem que tenha impacto em toda a região.

Repercussões que o recém-empossado, Manuel Maria Feio Barroso defendeu que podem ser construídas em comum. A seu ver, o grupo “Diário do Sul” tem um jornal com um “histórico importantíssimo. Um jornal de grande projecção e com credibilidade da informação que apresenta”. Nesse sentido, considerou ser importante partilhar tanto quanto possível a informação, “porque entendo que a comunicação social regional tem um papel determinante enquanto parceiro da acção que eu agora começo a desempenhar”.

Manuel Maria Feio Barroso disse entender que a educação e o ensino não se confinam às paredes das escolas, aos livros, às bibliotecas, explicando que a educação passa por valores e por contributos que devem ser fundamentais para a transformação da sociedade. “E a sociedade começa, desde logo, na pessoa humana, na criança, no aluno. Entender a escola não como uma fábrica de transformação de materiais, mas na construção de um cidadão que seja um agente aditivo, ou seja, quanto mais conhecimento se tem, mais se tende a ter”, salientou.

O dirigente justificou, assim, a relevância da participação da comunicação social regional “na divulgação e no apoio à construção desta educação”.

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