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Diario do Sul
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Entrevista a Felipe Pathé Duarte, alentejano e especialista em questões de terrorismo

“Disseminação de propaganda pelos novos media aumenta clima de tensão”

Os atentados de 11 de Setembro ficaram na memória para sempre, mas outros entretanto foram acontecendo, um dos quais na vizinha Espanha.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redação D.S.

11 Março 2015

Mais recentemente, o mais mediático ocorreu em Paris. Portugal corre também o risco de um acto terrorista acontecer? Para o alentejano Felipe Pathé Duarte - professor universitário no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna (ISCPSI), investigador no Centro de Investigação & Desenvolvimento sobre Direito e Sociedade da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, especialista em questões de terrorismo, porta-voz e membro da Direcção do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) – o nosso país tem um risco diminuído pelo facto da comunidade muçulmana ser uma minoria, mas sobretudo pelas ameaças partirem de franjas radicais. Contudo, o especialista entende que as Forças e Serviços de Segurança encontram-se capazes de mitigar uma ameaça.

O que pensa do clima de tensão que se vive no mundo, sobretudo, depois dos atentados em Paris, na Alemanha e na Bélgica?
A tensão jihadista existe desde meados dos anos 90 do século passado, tendo como ponto máximo os atentados de 11 de Setembro de 2001. No entanto, hoje encontrou condições favoráveis para uma maior projecção, seja através de plataformas territoriais (como o chamado Estado Islâmico), seja através da sociedade em rede (como a disseminação de propaganda pelos novos media).

Em seu entender, que tipo de risco corre Portugal?
Portugal corre tanto risco como outro qualquer país europeu. Contudo, sendo que a ameaça interna parte de franjas radicais da sociedade muçulmana, o nosso risco aí acaba por ser menorizado.

O que poderá o Governo português fazer no sentido de antever um atentado terrorista?
Um atentado terrorista vive essencialmente da impossibilidade de previsão e prevenção. As nossas Forças e Serviços de Segurança encontram-se capazes de mitigar essa ameaça.

Na sua opinião, o que leva um militar português a sair de Portugal para ir combater o Estado Islâmico? Que tipo de motivações poderá ter tido?
As razões poderão ser várias: desde o limbo identitário a um excesso de religiosidade, passando pela marginalidade social, falha de expectativas ou a psicopatia.

Esta é uma situação que começa a replicar-se no nosso país, mas um pouco por todo o mundo ocidental. Pensa que o facto dos órgãos de comunicação darem as notícias tem algum efeito? Pode falar-se de um fenómeno de “imitação”?
Há uma relação simbiótica entre os media e o terrorismo, que vive essencialmente da dimensão propagandística, multiplicando os reais efeitos de determinada acção. É preciso fazer o equilíbrio entre ser instrumento do terrorismo e o direito de informar a opinião pública.

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