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António Ceia da Silva, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo

“Começámos a criar um destino de excelência e isso nota-se pelo turista que já nos visita”

Turismo está em alta em pleno Alentejo. As boas notícias sucedem-se e o caminho está bem definido rumo ao destino de excelência. Garantia deixada nesta entrevista ao Diário do Sul por António Ceia da Silva, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo, a propósito do Dia Mundial do Turismo que se celebrou.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção - Diário do SUL

03 Outubro 2017 | Publicado : 12:10 (03/10/2017) | Actualizado: 12:11 (03/10/2017)

Os dados do Instituto Nacional de Estatística, que vão até final de julho, indicam um crescimento acentuado do destino Alentejo. Que leitura faz?
O Alentejo cresceu em todas as vertentes. Não só ao nível da procura em que houve, com um aumento muito significativo, mais dormidas, melhor taxa de ocupação de camas e de quartos, mas também mais proveitos, já que subiram acima dos 20%. Quer nos proveitos totais, quer nos proveitos aposentos. Isto é um crescimento contínuo que vem desde 2009 e que nos deixa satisfeitos e orgulhosos. É um trabalho de muitas pessoas, muitos agentes, de autarcas e empresários.

Digamos que o Alentejo está no mapa. E o ambicionado destino de excelência ainda demora?
Começámos a criar um destino de excelência e isso nota-se pelo turista que já nos visita. O turismo é o setor mais transversal que existe, porque depois é bom para o enoturismo, é bom para comércio local e para um conjunto de áreas muito relevantes, como o desenvolvimento rural e produtos endógenos. Tudo isso beneficia. Também ao nível da oferta, temos hoje mais unidades e começam a surgir muitos investimentos privados.

É este o caminho da tal excelência?
Tudo conta e cada vez há mais excelência e qualidade na região, porque houve uma estratégia pensada, refletida. Ainda hoje estamos com concurso para repensar toda a marca Alentejo ao nível do material promocional e com uma aposta mais forte no digital, nas redes sociais. Em breve será tomada uma decisão pelo júri e cá estaremos com mais materiais de promoção para conquistar novos mercados.

O turismo não representa apenas crescimento. Também tem uma visão de promoção da melhoria da qualidade de vida, proteção ambiental, defesa do património cultural. Tudo isto tem sido transversal ao Alentejo?
Sim. Ainda neste momento está a ser recuperado o Templo Romano, em Évora. Ainda há dias estive na Nossa Senhora de Aires e o pároco disse que havia uma candidatura aprovada de 1,8 milhões de euros para recuperar a capela e tudo à volta. Diria que toda a região tem mexido e que o turismo é o setor que mais contribui para emprego jovem, para fixar jovens no território, é o que mais tem contribuído para a imagem do Alentejo. É essa imagem que temos transportado na Entidade Regional de Turismo e que tem ajudado a atrair empresas e outras atividades no domínio da agricultura, porque há um conjunto de setores que vêm atrás desta imagem positiva.

É um processo necessariamente lento?
É claro que isto não se faz num dia e que demorou algum tempo. Nós trabalhamos com a marca Alentejo só há oito anos e um destino turístico para se afirmar tem que ter 30 anos de trabalho, no mínimo. Mesmo assim, a internacionalização também é visível. Há cada vez mais turistas estrangeiros, numa altura em que o mercado chinês já é o segundo mercado estrangeiro mais relevante na cidade de Évora, o que significa que há coisas que começam a surgir e isto acaba por ser uma bola de neve no sentido positivo.

Quanto à importância de se procurar crescer de forma sustentável. Isso tem sido acautelado?
É por isso que vai ser instalado no Alentejo o primeiro observatório da Organização Mundial de Turismo a nível europeu sobre sustentabilidade e isso deixa-nos orgulhosos. Essa tem sido uma preocupação nossa e é por isso que estamos a avançar com a certificação. É uma certificação biosfera reconhecida pela UNESCO e Organização Mundial de Turismo que visa qualificar o destino. Começámos pela restauração e alojamento, vamos depois para turismo rural, animação turística, equipamentos culturais, igrejas, museu.

Em suma, um processo que ambiciona melhor a qualidade das  infra-estruturas existentes...
Sim, mas para além disso, devemos lançar novos produtos muito virados para novos segmentos de mercado e combater a sazonalidade com um conjunto de projetos que estão em curso e vão avançar ainda este ano com reflexo em 2018.

O empresariado está mais sensibilizado para este fenómeno? Quer os que chegaram agora à região, quer os que já cá estavam há largos anos?
Sinto muito isso, criámos uma grande família do turismo e  todos estamos conscientes que custa muito, e que demora muitos anos, criar um destino que seja atrativo e que tenha excelência. É preciso garantir qualidade nos serviços e no acolhimento. Eu sinto que os empresários vivem o turismo no Alentejo como ninguém, conjuntamente com os municípios. E é este trabalho que tem feito o Alentejo crescer com sustentabilidade.

Já se percebeu porque é que o mercado francês disparou nos últimos tempos, havendo mesmo quem tenha optado por comprar casa cá? 
Cresceu muito , de facto, mas ainda não temos uma análise sobre o que levou a esta subida tão interessante. Desde logo, passará por um investimento da Agência de Promoção Externa que está a dar frutos, depois de muitos anos em que não houve ações promocionais neste mercado. Os turistas franceses já passam cá férias de sete dias e é verdade que alguns até compram cá casa.

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