Programa de Aceleración
Diario do Sul
diario jornal

Ministro da Agricultura em entrevista exclusiva ao “Diário do Sul”

“A água e o regadio são essenciais para garantir a competitividade e combater as alterações climáticas”

Uma nova agricultura resultante dos investimentos realizados no regadio e, consequentemente, na agroindústria e na agropecuária é hoje um dos pilares determinantes da economia regional.

Autor :Maria Antónia Zacarias

01 Março 2018 | Publicado : 12:24 (01/03/2018) | Actualizado: 11:43 (06/03/2018)

Em entrevista exclusiva ao “Diário do Sul”, o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos afirma que Portugal e o Alentejo produzem mais, exportam mais e contribuem mais para o equilíbrio da balança comercial, garantindo aos portugueses, cada vez mais, produtos e matérias-primas de qualidade a preços acessíveis. A estratégia para o presente e futuro, segundo o governante, deve passar pela aposta em reservas de água, dando o exemplo do “Programa Nacional de Regadios”, até 2021, que vai beneficiar mais 90 mil hectares, dos quais 50 mil hectares no Alentejo.

O que mudou na agricultura nos últimos 40 anos?
Na agricultura e na sociedade português mudou quase tudo. Na agricultura, o impacto incidiu sobretudo nas infraestruturas, caminhos, eletrificações, agroindústria – adegas, lagares, centrais fruteiras, no investimento nas explorações, na tecnologia, na inovação, na organização, na qualificação de empresários e trabalhadores, mas sobretudo, na atitude. A maior transformação de todas incidiu na alteração do estatuto do agricultor. De profissão socialmente desvalorizada passou a profissão respeitada que detém hoje “status” elevado.

O regadio foi também uma das principais mudanças. Qual o impacto que tem tido, quer em termos da agropecuária e da agroindústria?
A água e o regadio são essenciais para garantir a competitividade e a vocação exportadora de certos setores, para criar riqueza e emprego e, sobretudo, para combater as alterações climáticas e para tornar o país mais resiliente e adaptado a esta inevitabilidade histórica. Para além de ter tornado o país autossuficiente e até excedentário, nalguns produtos, o enorme investimento feito nesta área, agora ampliado, até 2021 com o “Programa Nacional de Regadios” - mais 90 mil hectares, dos quais 50 mil hectares no Alentejo, correspondente a mais 500 milhões de euros - permitiu resolver o abastecimento de água às populações. Sem ele, viveríamos momentos dramáticos de escassez, comparáveis, talvez ao drama que hoje se vive na África do Sul.

Apesar do regadio, a seca tem consequências na agricultura…
Com seca, naturalmente, a economia agrícola ressente-se nalguns setores. Foi precisamente para atenuar os seus efeitos que se investiu e continua a investir no regadio. Os ciclos de seca fazem parte do clima mediterrânico e o desempenho da agricultura não se pode medir só por um ano bom ou ano mau, mas pelos resultados médios, em quantidades produzidas e em rendimento de uma série de pelo menos três ou cinco anos.

“Nova Estratégia Nacional para a Produção de Cereais”

Como classifica a produção de cereais no Alentejo?
Com a adesão à União Europeia, culturas houve que conheceram dificuldades, a par de outras que conheceram assinalável evolução positiva. Os cereais beneficiaram no anterior regime de apoios públicos consideráveis. Antes de entrarmos na União Europeia o preço pago ao produtor era mais do dobro do preço comunitário. Com a adesão, a harmonização progressiva dos preços negociada pelo então governo, em dez anos, foi tornando a cultura não competitiva e abandonada em vastos territórios. Portugal produz hoje, excluindo o milho, apenas cinco por cento das nossas necessidades em cereais. Há que salientar que o atual governo tem em fase de conclusão uma nova Estratégia Nacional para a Produção de Cereais que, desejo, inicie a inversão da situação a que chegámos neste importante setor.

Enquanto ministro da Agricultura acredita que as alterações ocorridas no setor foram benéficas?
Claro que sim. Portugal produz mais, exporta mais, contribui mais para o equilíbrio da balança comercial, garantindo aos portugueses, cada vez mais, produtos e matérias-primas de qualidade a preços acessíveis. Basta comparar hoje o preço do “cabaz alimentar” de uma família em percentagem do salário, com o que sucedia há 40 anos, para ver a enorme diferença positiva de que os cidadãos, enquanto consumidores, beneficiaram.

“Uma região agrícola diversificada no futuro”

O que se pode esperar no futuro para a região?
O Alentejo foi no passado uma região com a economia baseada quase exclusivamente na agricultura e, esta, sustentada em grande parte nos cereais de sequeiro. Daí a designação então usada de “celeiro de Portugal”. O Alentejo do futuro tem de ser muito mais diversificado e muito diferente. Uma região agrícola, certamente, mas uma região com população ativa repartida por diversos setores, com enfoque para o terciário e, o turismo em particular, mas também para as indústrias não poluentes, como a eletrónica ou a aeronáutica.

O que deve ser feito nesse sentido?
Tem de ser prosseguido o esforço que os governos socialistas sempre promoveram para atrair investimento e criar emprego, através de condições infraestruturais cativantes, como na rodovia e ferrovia, na atividade portuária, assim como, nas áreas da saúde e da educação. É um esforço que tem de ser continuado, e não interrompido a cada ciclo governativo, como infelizmente tem acontecido, mas que, felizmente, está agora em fase de relançamento.

Dê-nos a sua opinião

NOTA: As opiniões sobre as notícias não serão publicadas imediatamente, ficarão pendentes de validação por parte de um administrador.

NORMAS DE USO

1. Deverá manter uma linguagem respeitadora, evitando conteúdo malicioso, abusivo e obsceno.

2. www.diariodosul.com.pt reserva-se ao direito de eliminar e editar os comentários.

3. As opiniões publicadas neste espaço correspondem à opinião dos leitores e não ao www.diariodosul.com.pt

4. Ao enviar uma mensagem o utilizador aceita as normas de utilização.