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Caça

Ambientalistas defendem rola-brava e pedem fim de munições com chumbo

A Quercus lamenta que a proposta de portaria apresentada pelo secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Alimentar, Nuno Vieira e Brito, continue a autorizar o uso de munições com chumbo e “o abate de espécies que caminham a passos largos para a extinção”, segundo a organização ambientalista, para quem o calendário venatório para 2015/2016 é igual ao que vigora há três anos, conti

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redação D.S.

30 Abril 2015

Justifica a Quercus que o documento apresenta várias normas que “agravam a situação das espécies cinegéticas”, autorizando, por exemplo, o abate de rola-brava, uma espécie que diminuiu 73% desde 1980, enfrentando hoje sério risco de extinção, sendo já pouco observada no Alentejo, onde noutros tempos estaria a chegar em força nesta época do ano.

Aliás, o arrulhar da Rola-brava já chegou a anunciar o início da Primavera por toda a região. A ave migradora espalhava-se pelo território em inícios de Abril e ficava por cá até Setembro. Mas o destino tem sido cruel para a espécie. O seu canto foi desaparecendo de forma abrupta, pelo que os ambientalistas consideram ser chegada a hora de accionar o “alerta máximo” pela rola, reclamando junto do Governo a proibição da caça à rola brava com “carácter de urgência”.

Encontrar casais de rolas a nidificarem pelas zonas rurais já foi tão normal como ver andorinhas fazer ninhos nos beirais ou ouvir o canto dos cucos em Abril, num autêntico anúncio de que a Primavera estava de volta. Mas o Alentejo quase deixou de fazer parte da rota da ave, habilitada a voar cerca de dez mil quilómetros.

O mais a Sul onde a Rola-brava se mostra é entre a Serra da Arrábida e o Cabo Espichel. “Mesmo assim o desaparecimento tem sido galopante”, diz o vice-presidente da Quercus, João Branco, recordando que todos os anos as associações ambientais e algumas organizações de caçadores têm alertado os “responsáveis do governo” para o risco de extinção da Rola-brava, mas sem sucesso.

“A irresponsabilidade e insensibilidade demonstrada nesta matéria pelos governantes, está a levar ao desaparecimento da espécie em Portugal. É incompreensível como não se faz nada, quando todos sabemos o que se passa”, lamenta o dirigente.

Além da suspensão da caça à rola, a Quercus defende a monitorização desta medida para permitir avaliar o seu efeito nas populações e sugere a implementação do Plano de Gestão da Comissão Europeia para a espécie. Segundo a associação ambientalista, “as associações do sector da caça concordam, mas argumentam que Portugal não pode avançar sozinho na proteção desta espécie”.

Contra o uso do chumbo

A Quercus aproveita ainda para criticar o Governo por continuar a autorizar o uso de munições de chumbo e lembra estudos que “provam que o chumbo disparado pelos caçadores acaba por vir parar ao prato das pessoas que consomem caça e produtos de caça”. Em 2006, os ministérios da Agricultura e do Ambiente chegaram a acordo sobre a proibição faseada do uso de munições de chumbo na caça em Portugal. “Mas passaram nove anos e continuamos apenas com a interdição do uso de munições de chumbo em zonas húmidas dentro de áreas protegidas, mas sem aplicação prática, pois esta norma nunca foi regulamentada, tornando impossível o trabalho de fiscalização das autoridades”.

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