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Até dia 1 de julho

Feira de S. João é “uma referência para os eborenses e para os alentejanos”

Reza a história que a primeira Feira de S. João em Évora foi realizada a 24 de junho de 1569. O evento aconteceu precisamente no Rossio de São Brás, local onde ainda hoje se mantém. Iniciada que está mais uma edição deste certame a feira vai marcando diferentes gerações de eborenses e também de forasteiros que a visitam.

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

27 Junho 2018

Em 2018, a Feira de S. João tem como tema “Évora Pela Paz - 100 anos do Armistício” e decorre até 1 de julho.

Como já é habitual, junta diferentes vertentes. Para além da feira tradicional, há uma parte importante ligada às atividades económicas e setor institucional, mantendo ainda viva a componente agrícola e pecuária.

A par disso, há outros “ingredientes” que fazem parte da festa, como os espetáculos musicais, o desporto, as tasquinhas, as diversões, a tauromaquia ou o artesanato.

Em entrevista ao Grupo Diário do Sul, o presidente do Município de Évora, Carlos Pinto de Sá, destacou as novidades deste ano.

“Estamos perante uma feira secular de grande tradição em Évora e na região, que é uma referência para os eborenses e para os alentejanos”, começou por dizer Carlos Pinto de Sá.

Recordou que “é uma feira realizada no Rossio de São Brás, mesmo junto ao centro histórico e que tem estabelecido essa relação muito forte com a cidade, acabando por alterar o ritmo de vida da cidade, com impactos que por vezes não são agradáveis como é caso das questões relativas ao trânsito, ao estacionamento ou à receção de visitantes à cidade”.

No entanto, o autarca frisou que “esta é a grande festa do concelho, de reencontro das famílias e de amigos, muitos eborenses que estão fora aproveitam esta data para vir até cá”, assumindo que “procuramos manter as características identitárias da feira”.

De acordo com o presidente do Município de Évora, “temos a feira tradicional, que está um pouco por todo o país em regressão; mantemos a exposição pecuária, que é assegurada pela AJASUL no recinto do ex-Iroma e temos um conjunto de propostas que já são de tradição mais recente, com a presença das instituições locais, mostra institucional ou o programa cultural”.

Destacou que “uma das novidades deste ano é a possibilidade que tivemos de associar as comemorações do 66.º aniversário da Força Aérea Portuguesa (FAP) à Feira de S. João”.

O autarca explicou que “a FAP escolheu Évora para assinalar o seu aniversário, iniciativa que acolhemos com muito gosto”, constatando que “há um programa autónomo, mas que acaba por se cruzar com a feira”.

Considerou ainda que “esta associação permite ter um conjunto de iniciativas de grande valia e aumentar a atratividade da feira, nomeadamente com o festival aéreo que vai acontecer no último fim de semana da feira no aeródromo municipal”.

Segundo Carlos Pinto de Sá, “para além disso, vamos ter no pavilhão municipal uma exposição sobre os 100 anos do armistício e nessa mostra estará um avião que foi cedido com a colaboração da FAP”.

Outro aspeto salientado pelo edil foram “as alterações efetuadas no espaço da feira”, contando que “procurámos melhorá-lo um pouco e adaptá-lo à evolução que a feira tem tido, nomeadamente no que diz respeito à feira tradicional, mas também para dar melhores condições aos expositores”.

Focou também que “o jardim público continua a estar incluído na dinâmica da feira, com o palco principal, as tasquinhas e a mostra de turismo cultural”.

Quanto aos espetáculos que compõem o cartaz musical, Pinto de Sá assumiu que “temos vindo a procurar melhorar o programa cultural, mas ainda não atingimos a oferta que gostaríamos, porque ainda estamos sujeitos a restrições financeiras, apesar da recuperação que já fizemos”.

Sublinhou que, “de qualquer forma, apostamos no cruzamento de grandes nomes da música nacional, mas também nas propostas culturais de âmbito mais local”.

Além do palco principal, há a evidenciar “o palco jovem, que este ano é junto ao Monte Alentejano; o palco do Espaço Criança, no parque infantil; e o palco no recinto da mostra pecuária, no ex-Iroma, nos quais há diferentes propostas culturais”, precisou o autarca.

Ao nível do desporto, adiantou que “também temos um programa muito vasto, como o prémio de atletismo ou o skate park existente no Espaço Jovem, onde também está instalado um écran para assistir aos jogos do Mundial de Futebol”.

Relativamente à mostra económica, o presidente do município mencionou que “há três anos ensaiámos uma colaboração com o NERE, a ACDE e ANJE e em cada um dos anos, cada uma destas associações assegurou a mostra económica”.

Confessou que “a nossa vontade é que existam condições para que estas associações se possam juntar com a câmara para em conjunto organizarmos uma mostra económica com outra dimensão”.

No que diz respeito à lotação do espaço adiantou que “temos os lugares todos preenchidos, sendo que na área económica, incluindo a parte pecuária, ultrapassaremos os 150 expositores”.

Carlos Pinto de Sá comentou ainda que “na parte do artesanato, na exposição da área social e na mostra institucional tem havido um ligeiro crescimento”, explicitando que “só na feira tradicional é que tem havido uma redução significativa do número de feirantes”.

Na sua opinião, “há várias feiras dentro da Feira de S. João, que oferecem propostas muito diferenciadas para gostos também eles diferentes, dirigidas quer aos mais novos, quer aos mais velhos”.

 

Discussão sobre o futuro

da Feira de S. João

 

Carlos Pinto de Sá lembrou que “no mandato anterior iniciámos uma discussão sobre o futuro da feira, no âmbito da Comissão Municipal de Economia e Turismo, e constatámos que existem divergências profundas”, apontando que “não é fácil encontrar um denominador comum relativamente à avaliação da feira e do seu futuro”.

Para o autarca, em cima da mesa estão questões como “que tipo de feira devemos ter no futuro, continuar com uma feira generalista como temos ou evoluir para outro tipo de feira; ou qual a localização, devemos mantê-la no Rossio, que tem a vantagem de estar muito próximo do centro histórico, mas também várias desvantagens, não só ao nível de trânsito, mas também ao nível financeiro, pois todos os anos construímos o recinto”.

Assegurou ainda que “o modelo de gestão da feira ou a sua duração” são outros temas em debate.

Na perspetiva do edil, “seja qual for a opção tomada, haverá sempre necessidade de investimentos significativos, pelo que se põe a questão de como é que se financiam esses investimentos”.

Não obstante, assumiu que “este debate tem de ser aprofundado e alargado às instituições e à população, pois o modelo atual da feira está esgotado e não nos dá garantias para o futuro”.

Carlos Pinto de Sá realçou que “poderá ser necessário tomar medidas que vão romper com hábitos já antigos, mas esta discussão é necessária e temos de consensualizar qual o caminho, para se apostar na sua alteração”.

Concluiu que “precisamos que a feira se continue a afirmar como um grande evento de Évora e do Alentejo”.

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