Diario do Sul
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Escritora troca Inglaterra por Portugal

Julie Hodgson “Eu nunca conheci um português mal educado”

Julie Hogdson é uma conhecida autora inglesa cujos livros para crianças e adolescentes já foram publicados em diversas línguas, incluindo a portuguesa. A origem da sua inspiração deve-se às muitas viagens feitas pelo mundo, mas foi o Alentejo o local escolhido para ficar até ao fim dos seus dias.

Autor :Leonor Centeno

17 Julho 2018 | Publicado : 11:32 (17/07/2018) | Actualizado: 17:03 (17/10/2018)

Julie Hodgson tem 56 anos é casada com John Hodgson e mãe de dois filhos. Nasceu em Inglaterra e viajou por vários países, mas foi em Portugal que encontrou outro significado. Apaixonados pelo clima, pelas pessoas e pela comida portuguesa, mudaram-se para Avis, distrito de Portalegre, que Julie descreve como sendo o paraíso.

Quando percebeu que queria ser escritora?
Quando tinha nove anos, escrevi meu primeiro poema, sempre senti uma afinidade com a escrita, e foi algo que se transformou em paixão quando fiquei mais velha.

Os livros que escreve são inspirados nas suas viagens?
Sim, são. As pessoas que conheço, os países que visito estão todos entrelaçados com aquilo que escrevo. É uma grande riqueza viajar e conhecer pessoas pobres e ricas porque acabamos por nos aperceber que, no fundo, somos todos iguais. Os nossos objetivos e desejos são os mesmos: amar e ser amados, ter uma família e sucesso dentro da nossa vida profissional.

"Sonhos de Natal em Évora" é uma das suas obras literárias. Porquê o tema Natal em Évora?
Foi a minha introdução a Évora, sempre amei esta cidade vibrante e também adoro o Natal, pelo que foi uma combinação perfeita.

Está a escrever algum livro de momento?
Sim, de momento estou a escrever um thriller chamado “Assistindo” para adultos. Sei que tenho por
hábito escrever para jovens e crianças mas, por vezes, gosto de fazer coisas diferentes e fora do baralho.

Como foi receber os prémios literários?
Para mim é uma honra ouvir alguém que não conheço dizer que meu livro é digno de um prémio.
Apesar de não ser uma pessoa que gosta de ser o centro das atenções, fico sempre feliz por saber que o meu trabalho é reconhecido. Alegro-me mais ainda quando são as crianças a dizer que gostam dos meus livros, porque são os melhores juízes.

Está em Portugal há algum tempo, gosta?
Adoro porque sinto-me muito confortável. Sempre que aterro em Portugal, sinto-me em casa e isso não acontece quando aterro noutros sítios. Num dos capítulos do meu livro, alguém me perguntou o que é que eu penso de Portugal e eu respondi que os portugueses são iguais ao clima português: brilham como o sol. Eu nunca conheci um português mal educado, e eu já conheci muita gente desde que aqui estou.

E porquê de ter escolhido o Alentejo?
Lembro-me de estar com o meu marido com um mapa à frente e tínhamos que fechar os olhos e apontar ao calhas para um sítio onde seria a nossa próxima casa. Assim o fizemos e calhou o Alentejo. Em apenas cinco minutos comprámos uma casa linda no meio do nada. Às vezes, demoro mais tempo a comprar uma batata no mercado, do que demorei a comprar a casa.

Já visitou outros sitios em Portugal?
Sim, Lisboa e Porto. Vivemos no Porto durante um curto período de tempo, mas havia demasiadas
pessoas e muita confusão. Eu gosto de silêncio e de calma.

Os seus filhos gostam de Portugal?
Um dos meus filhos tem 31 anos e está a trabalhar em Estocolmo, mas já esteve em Portugal. Temos uma casa em Avis e gostamos tanto que, em nenhum outro momento da minha vida eu fiquei durante tanto tempo num país, mas em Portugal fico. Eles sabem que aqui somos saudáveis e felizes. Já chegamos a viver na Suécia durante três anos e não gostamos tanto. Lá, as pessoas não são tão amigáveis como em Portugal. Nós gostamos de falar com as pessoas e conhecer as culturas e tradições locais criando empatia com elas.

E a comida portuguesa, é diferente?
Porco preto e bacalhau com natas... é tão bom. Comprei a Bimby para fazer bacalhau com natas e que rica compra que fiz! A comida portuguesa é a comida dos deuses. Até os próprios ingredientes são diferentes e acho que isso está relacionado com a exposição ao sol e com o amor que têm. Em Portugal as pessoas importam-se com as coisas. Nós já andámos por todo o mundo diversas vezes e as pessoas perguntam-me, onde querias morrer? Eu digo sempre Portugal.

Se tivesse que dar um conselho para novos escritores, qual seria?
O conselho que eu daria a qualquer pessoa nova que queira escrever é que comece no inicio e
nunca pare. E se alguém disser que o que está a escrever não está bom, então o melhor é parar e fazer uma reflexão para ver se pode mudar algo. A crítica deve ser sempre enfrentada como uma ajuda. Eu, por exemplo, sou muitas vezes criticada mas enquanto for algo construtivo é sempre bom saber. Todos têm a sua opinião mas o importante é que nunca se deve parar de sonhar e tentar.

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