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O Diário do Sul entrevistou Sílvia Pinto, Presidente da Câmara Municipal

Abre hoje a 16ª Mostra Gastronómica em Arraiolos

De 30 de outubro a 8 de novembro decorre em Arraiolos a 16ª Mostra Gastronómica do Concelho de Arraiolos, Feira do Tapete de Arraiolos e 8º Festival da Empada. Este certame promovido pela Câmara Municipal insere-se na ação municipal de divulgação e promoção das potencialidades do concelho e representa um momento importante para quem deseja conhecer mais da arte e do saber no concelho de Arraiolos. Este ano terá especial destaque a “Em

30 Outubro 2015

DS - A Câmara municipal desenvolve uma vez mais o evento Mostra Gastronómica. O que destaca na edição deste ano?

Sílvia Pinto - Desde logo mobilização dos agentes locais e a capacidade de atrair milhares de visitantes ao nosso concelho.
Depois aos sabores da nossa gastronomia juntamos os saberes do nosso artesanato mais representativo, de valor mundialmente reconhecido – O Tapete de Arraiolos.
Este ano demos um destaque maior aos vinhos, mostrando uma vertente muito importante para o concelho, uma vez que este tem condições geológicas e climáticas para a produção de vinhos de qualidade. Sendo que este é um setor onde as empresas vitivinícolas fizeram um investimento significativo, como é visível pelos vinhos que apresentam e pelos prémios, que alguns destes vinhos receberam.Temos também mais expositores, integrando nesta mostra gastronómica, os sabores dos produtos regionais e locais.
Na nossa gastronomia encontramos os enchidos e os vinhos, os queijos e o mel, o pastel de toucinho, os doces conventuais e os licores, numa mistura de sabores onde realçamos a Empada de Arraiolos, que terá o seu 8º Festival.

DS - Falou da empada de Arraiolos. Como a quer promover e de como pode ser um ícone da gastronomia local?

Sílvia Pinto - A “Empada de Arraiolos” é desde há muito um elemento da gastronomia local. A “Empada de Arraiolos” apresenta, na sua confeção, uma relação íntima com a Gastronomia de Arraiolos. E tem, naturalmente, traços duma ligação à terra e a uma ruralidade própria do Alentejo. De formas diversas foram transmitidos estes saberes seculares, envolvendo sabores tradicionais em salsa e manjerona, para citar apenas algumas das ervas aromáticas, que enchem de bons aromas a nossa cozinha.
A empada é produto de créditos firmados na gastronomia local, o que procurámos valorizar ao registar no INPI, I. P., a marca “Empada de Arraiolos ®”, dando ao concelho um novo instrumento de promoção deste produto, permitindo a sua distinção.
A Vila de Arraiolos tem neste produto da sua cozinha tradicional e na atenção que, merecidamente, a Câmara Municipal de Arraiolos lhe dedicou, com o registo da marca, um impulso positivo com influência decisiva na promoção da Empada de Arraiolos.

DS - Além dos tapetes e da empada, pode haver outros produtos que possa destacar no seu concelho?

Sílvia Pinto - Sendo o Tapete de Arraiolos e a gastronomia fatores importantes no turismo, este é apenas um segmento da oferta que o concelho dispõe. Essa oferta é diversificada, existindo também alojamento de qualidade, a par do património histórico edificado e monumental, da paisagem, dos Centros Interpretativos do Tapete e do Mundo Rural e doutros projetos de animação do território.
Isto no contexto do turismo, sendo que existem outras áreas sócio económicas onde o concelho tem potencialidades e onde a Câmara Municipal de Arraiolos não deixará de estar presente, assumindo as suas responsabilidades para o progresso do concelho.

DS - Esta aposta na diversificação da oferta do concelho, sem descurar o tapete, é para continuar? Em que moldes?

Sílvia Pinto - A questão da diversificação não se coloca só em relação a este setor do turismo. A Câmara Municipal de Arraiolos procura uma melhoria das condições físicas de suporte à atividade empresarial que venha aumentar a possibilidade de fixação de empresas, aumentando o emprego e apoiando a fixação de população, procurando rentabilizar as estruturas existentes, a sua posição entre a Área Metropolitana de Lisboa, Évora e a Estremadura espanhola, estabelecendo estratégias de desenvolvimento económico e social numa base de gestão dos recursos existentes, garantindo uma melhoria das condições da qualidade de vida das populações numa atitude abrangente e conciliadora quer ao nível social, económico e ambiental, quer ao nível territorial.
Por outro lado temos uma área de montado de sobro e azinho que encerra enormes potencialidades, na área agrícola.

DS - O seu concelho tem, naturalmente, potencialidades económicas. É pela via do seu desenvolvimento que pretende estancar a saída de pessoas e tornar Arraiolos um local onde se pode viver com qualidade?

Sílvia Pinto - Nós vivemos com qualidade de vida. Mas com situações mais negativas sobretudo nos domínios do povoamento, da demografia e dos rendimentos das pessoas.
Também sabemos que para o desenvolvimento de qualquer projeto muitas vezes são necessários pareceres de múltiplas entidades e por isso entendemos que deve existir uma cooperação permanente com a população em geral, a indústria e os agentes económicos, as organizações e instituições.
A autarquia garante uma cobertura da Rede de Águas e Saneamento que abrange a totalidade da população concelhia (no que respeita às redes) e a quase totalidade dos efluentes urbanos produzidos são encaminhados para sistemas de tratamento. Este fator evidencia a capacidade de resposta da edilidade não só face às garantias de qualidade de vida dos habitantes mas também no capítulo da gestão ambiental e proteção deste recurso vital.
Arraiolos tem muitos fatores positivos que lhe conferem padrões de qualidade elevada.

DS - Que incentivos a Câmara possui para atrair empresas e, consequentemente, pessoas?

Sílvia Pinto – A Câmara Municipal de Arraiolos procura trabalhar para encontrar soluções e respostas para os problemas das pessoas e apoiar os agentes económicos e sociais.
Fizemos ações de formação, informação e sensibilização ao tecido empresarial local; realizamos atividades de promoção do concelho – O Tapete está na Rua – Mostra de Atividades Económicas – entre outras iniciativas nesta área.
Procuramos responder com as armas que temos, num quadro de asfixia financeira do Poder Local, promovendo a Zona Industrial de Arraiolos e loteamentos oficinais em todas as freguesias para fixação de empresas;
Apoiando o movimento associativo e colaborando com todos os agentes socioeconómicos para o desenvolvimento do concelho;
Criando condições para apoio à Infância com a ação social escolar e oferta de manuais escolares; bolsas de estudo, prémios de mérito escolar; apoio às IPSS e aos estabelecimentos de ensino da rede pública.
Temos ainda outras respostas sociais, como a oficina Solidária / Programa de apoio a habitações degradadas para agregados familiares desfavorecidos; apoios às instituições com valências de centro de dia, lares e apoio domiciliário ou o Projeto sénior (Ginástica/Hidroginástica/Coral Sénior/Histórias contadas-Vidas partilhadas);
E na área da juventude procuramos apoiar a formação na colaboração com o IEFP e agrupamento de Escolas, ateliers de atividades formativas; experiências em contexto de trabalho com o Programa “Jovens +”.
Mas estas ações são insuficientes perante a gravidade da situação social vivida onde fazem falta políticas alternativas por parte do poder central.

DS - Vê o futuro com otimismo?

Sílvia Pinto - Vivemos um tempo onde nos dizem, permanentemente, que não há saída ou que só há outro caminho.
Se assim fosse não teríamos de facto futuro.
Mas a verdade é que não estamos condenados à pobreza, ao abandono das pessoas, negando-lhes direitos fundamentais, retirando-lhes dignidade, com políticas despojadas de humanidade. Existem alternativas e existem condições para encontrar outro caminho.
Por isso que resistimos e lutamos. E que acreditamos num concelho melhor, num concelho onde se conjuga qualidade e crescimento, com mais qualidade de vida.
Temos que acreditar numa sociedade mais justa e ter esperança numa vida melhor. Temos que ser donos do nosso futuro.

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