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Rodrigo Caeiro, diretor da CARMIM na área da olivicultura

“Este ano prevemos ter um milhão e meio de quilos para produzir 225 mil litros de azeite”

A CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz – não é conhecida apenas pelos vinhos, mas cada vez mais também pelos azeites que aqui são produzidos. Azeites finos, frutados, feitos a partir sobretudo da azeitona galega e resultado de um processo cem por cento natural, têm vindo a conquistar o mercado nacional e dar passos a nível internacional.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redacção D.S.

19 Novembro 2015

De acordo com o diretor da CARMIM na área da olivicultura, Rodrigo Caeiro, a ideia é valorizar este produto, criar novas referências e uma nova dinâmica no setor. Para já, a estratégia passa por afirmar as marcas Terras d’El Rei e Monsaraz no mercado, projetar uma marca recente que é Reguengos Gourmet e lançar, no próximo ano, um galheteiro onde o azeite é associado ao vinagre e que é um produto específico para a restauração.

A CARMIM tem vindo a projetar-se também no setor olivícola. É essa uma das estratégias desta cooperativa?

A olivicultura é tão antiga quanto a vitivinicultura na CARMIM. É um setor que tem mais sócios que a viticultura, apesar de apenas ter representado três por cento da faturação no ano passado, um valor muito inferior ao do vinho. No entanto, o nosso azeite é um produto de qualidade, fruto da tradição dos olivais dos nossos associados que têm proporcionado manter o sabor genuíno do Alentejo.

A produção de azeite desta cooperativa resulta de quantos hectares e quantos associados tem?
São cerca de mil hectares de olival que estão associados à CARMIM com a particularidade de serem tradicionais, que não evoluíram com os tempos, ao contrário das vinhas em que houve restruturações e modernizações. A olivicultura manteve muito as raízes. Posso afirmar que foi m setor que esteve um pouco esquecido na CARMIM, ao qual as pessoas se dedicaram pouco, o que originou a existência de muita flutuação ao nível da produção. Só como exemplo, em 2012 tivemos seiscentos mil quilos de azeitona rececionada, em 2013 tivemos dois milhões e seiscentos mil quilos e no ano passado obtivemos um milhão de quilos de produção. Quanto ao número de olivicultores temos cerca de 600 inscritos, sendo que a maioria tem acima dos 65 anos, e são proprietários de pequenos olivais de dois ou três hectares onde imperam as variedades que temos no Alentejo, nomeadamente a azeitona galega.

Que impacto tem esta discrepância de produção de azeitona ao nível das vendas do produto final?
Esta situação acaba por não permitir ter uma estratégia comercial estável que é o que esta direção pretende. Queremos valorizar o produto, criar novas referências e uma nova dinâmica no setor. Recorde-se que quando esta direção tomou posse, há um ano e meio, tínhamos duas marcas com várias referências. Terras d’El Rei que se dividia em garrafões de cinco litros, em garrafas de 0,75 litros com virgem e virgem extra. O Monsaraz era em garrafa de 0,75 litros em virgem extra. Aqui, houve logo uma redefinição em termos de estratégia.

Azeite genuíno feito
de forma artesanal
faz a diferença

O que fez a direção?
Optámos por o azeite virgem ser só ligado ao Terras d’El Rei, que é a marca base. E o virgem extra a Monsaraz, com um garrafão de três litros e garrafas de 0,75, 0,5 e 0,25 litros. Esta última integra um galheteiro que vai ser lançado no próximo ano, associado ao vinagre, e que é um produto específico para a restauração. Lançámos em julho deste ano, o Reguengos Gourmet que representa o topo das referências e da qualidade do azeite que nós temos em Reguengos de Monsaraz. É um azeite frutado, com muito aroma e com 0,4 graus de acidez, tendo permitido uma produção de 2.500 garrafas.

O que distingue o azeite da CARMIM dos restantes?
A nível de olival somos muito específicos. O facto de não termos evoluído ao nível de novas variedades tem-nos permitido manter aquilo que é genuíno em Reguengos de Monsaraz: o sabor, o aroma, a suavidade dos nossos azeites. Penso ser importante realçar também que todo o processo de produção do azeite é cem por cento natural, isto é, não há nenhum processo de transformação química. É feita a apanha da azeitona, esta é entregue na CARMIM, é pesada, lavada e moída. Depois é centrifugada para separar o fruto do caroço e das peles e é obtido o azeite. O azeito é produzido a frio, sem calor, para que não se percam os aromas e o frutado da azeitona.

Como está a decorrer a apanha deste ano e que azeites são esperados?
Este ano iniciámos a campanha mais cedo porque como a maioria dos nossos olivicultores tem a variedade galega, esta após a maturação faz um azeite muito suave, mas pouco frutado. Para se conseguir esse aroma mais frutado temos que ter a azeitona na CARMIM mais cedo, daí esta nossa estratégia. A campanha está a decorrer bem e as previsões são para obtermos um milhão e meio de quilos para produzir cerca de 225 mil litros de azeite. Estamos crentes que isto vai ser possível porque os olivais têm mais azeitona, há um maior aproveitamento do fruto e constata-se um pouco mais de vontade por parte dos agricultores. Isto é, os olivicultores estão mais motivados e para isso temos contribuído, sensibilizando-os, mas também recompensando-os pelo esforço que fazem. Esperamos que nesta campanha, o número de 2500 garrafadas possa evoluir bastante.

Grande recetividadeem Portugal,
mas também no Brasil e na China

Em termos comerciais, como tem sido a recetividade do consumidor aos azeites da CARMIM?
Os azeites estão colocados em pontos estratégicos, como lojas gourmet, em lojas especializadas no setor e têm estado a ter uma recetividade muito grande. Felizmente já não temos produto para as quantidades que nos estão a ser solicitadas. A CARMIM tem duas estruturas associadas a nível de vendas. Tem a Monsaraz Vinhos que faz todo o canal nacional e a Enoforum que faz a exportação. De salientar que 95 por cento do azeite é vendido no nosso país. A exportação está, agora, a dar alguns passos mais positivos com esta introdução do Reguengos Gourmet porque realmente é um produto de destaque. Estamos no mercado do Brasil, que é de grande consumo de azeite, e temos a China que é o novo consumidor de azeite. O nosso objetivo é transitar do garrafão para as garrafas e apostar mais na exportação.

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