merida enamora 2
Diario do Sul
diario jornal

Ministro da Agricultura teve o primeiro ato público na Feira do Montado

Capoulas Santos anunciou forte atenção do Governo para o setor florestal

A visita ao certame em Portel, a Feira do Montado, foi o primeiro ato público de Capoulas Santos enquanto ministro da Agricultura, das Florestas e do Desenvolvimento Regional. Em entrevista exclusiva ao “Diário do Sul” disse que sempre teve uma grande preocupação com a preservação e revitalização do ecossistema do montado, quer pelas suas características ambientais, quer pelos produtos que vivem à sua volta.

Maria Antónia Zacarias

02 Dezembro 2015 | Publicado : 15:06 (02/12/2015) | Actualizado: 15:09 (02/12/2015) | Fonte: Redacção D.S.

O governante, empossado na quinta-feira, fez questão ainda de anunciar uma discriminação positiva para o setor agrícola, com políticas muito dirigidas para a agricultura familiar e tendo o Alentejo sempre no horizonte, sobretudo, no que concerne ao montado. O ministro fez-se acompanhar do deputado Norberto Patinho e pelo anfitrião e presidente da Câmara Municipal de Portel, José Manuel Grilo.

Porque escolheu a Feira do Montado para ser o primeiro ato público enquanto ministro?

Eu sou um visitante assíduo da Feira do Montado. Estou, naturalmente, mais um ano, aqui, com grande satisfação, sobretudo por constatar que é um certame que tem vindo a afirmar-se e que está focalizado para uma temática que é da maior importância para a região e para o país. É uma matéria que ocupa um espaço no programa do atual Governo, que apesar de não ter sido ainda aprovado na Assembleia da República, que dedica à floresta um espaço muito importante. A forma simbólica de o expressar é o facto da própria designação do Ministério da Agricultura ter passado a incluir também uma referência às florestas. Este será o Ministério da Agricultura, das Florestas e do Desenvolvimento Rural.

O que vai mudar em termos de políticas agrícolas?

O programa do Governo é muito claro e tem um conjunto de medidas muito concretas. Eu diria que este ciclo de política que aí vem caracterizar-se-á por dar um enfoque muito grande à justiça e à equidade entre os agricultores. Haverá um conjunto de medidas específicas que discriminarão positivamente a pequena agricultura familiar. Uma outra grande preocupação será garantir os pagamentos da Política Agrícola Comum (PAC) a tempo e horas, bem como um reforço muito grande para que os controlos sejam muito rigorosos e não haja devolução de dinheiro a Bruxelas, havendo uma afinação da máquina do Estado. E iremos dar um enfoque muito grande à floresta.

Em que sentido?

A floresta é um daqueles temas em que as políticas não são visíveis no imediato e, talvez por isso, tenha sido aquela que se tenha descurado mais no passado. Portanto, aquilo que vou fazer pela floresta não será seguramente visível no meu mandato. Mas como não aspiro nenhuma carreira política, acho que estou em condições psicológicas para tentar lançar algo que perdure a longo prazo. Nós temos na área da floresta um enorme potencial que, infelizmente, tem inúmeros problemas, e para o qual temos uma estratégia que eu irei pôr em prática e em que me irei empenhar muitíssimo.

Na sua opinião, de que precisa a região Alentejo?

Desde logo, estamos numa feira que pretende exaltar o montado e este ecossistema tem uma tripla função. Tem uma função ambiental importantíssima e que tem subjacente uma atividade económica relevante, mas tem sérios problemas. Existem problemas sanitários porque há uma enorme mortalidade dos sobreiros a que a ciência não tem dado resposta adequada. Por outro lado, os quadros comunitários de apoio, as execuções financeiras e a concretização de projetos têm sido muito reduzidas. Portanto, há que olhar em todas estas perspetivas para os problemas do montado porque a ele está associada a produção da cortiça, mas também do porco alentejano e de outros produtos, como o mel. Há um conjunto de potencialidades que temos que preservar e, sobretudo, rejuvenescer o montado.

Qual é a estratégia?

O objetivo passará também por utilizar fundos do quadro comunitário de apoio para adensamentos, uma vez que, há zonas de montado em que o número de árvores por hectare é manifestamente baixo e fazer novas plantações. Por outro lado, a vertente da investigação científica tem que tentar detetar e atuar sobre os problemas que afetam a mortalidade dos sobreiros e criar condições para assegurar as atividades que lhe estão associadas, para que no seu conjunto a economia da região possa beneficiar.

“É possível romper com a austeridade sem colocar em causa as contas públicas”

Capoulas Santos afirmou que, esta semana, vai ser submetida, na Assembleia da República, a aprovação do programa do Governo, para que depois, em plenitude de funções, o PS possa passar à ação governativa, salientando que “há uma agenda muito urgente e um conjunto de problemas muito sérios para tratar”.

O que espera deste Governo que integra?

Estes são momentos muito difíceis, mas são também momentos de esperança porque os portugueses têm passado, nos últimos anos, uma situação que, para nós, há uma ou duas décadas era inimaginável. Portanto, eu acredito que o modelo político que está subjacente ao programa do Governo se traduz nos objetivos que estão fixados, isto é, aumentar o rendimento e o poder de compra das famílias, através disso dinamizar a economia e criar emprego, o que significa, obviamente, o bem-estar para as populações. É evidente que não há milagres, não é possível inverter uma situação de um dia para o outro, mas creio que o Governo dará, desde o início, um conjunto de sinais positivos que demonstrarão, a curto prazo, que é possível conciliar o aumento de rendimento das famílias com o rigor das contas públicas. É isso que se espera deste Governo. Aquilo que nos propomos fazer é demonstrar que as realidades antagónicas - de que não é possível romper com a austeridade sem que isso coloque em causa as contas públicas - são conciliáveis. Manter rigor e, ao mesmo tempo, melhorar a situação das famílias, dar mais condições ao consumo para que a economia se possa desenvolver mais, para que se possa criar emprego e para que este ciclo seja um ciclo vicioso positivo.

Dê-nos a sua opinião

Incorrecto
NOTA: As opiniões sobre as notícias não serão publicadas imediatamente, ficarão pendentes de validação por parte de um administrador.

NORMAS DE USO

1. Deverá manter uma linguagem respeitadora, evitando conteúdo malicioso, abusivo e obsceno.

2. www.diariodosul.com.pt reserva-se ao direito de eliminar e editar os comentários.

3. As opiniões publicadas neste espaço correspondem à opinião dos leitores e não ao www.diariodosul.com.pt

4. Ao enviar uma mensagem o utilizador aceita as normas de utilização.