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Florbela Fernandes revela a prioridade se liderar socialistas

Candidata à distrital do PS quer recuperar Câmara de Évora

Florbela Fernandes lança a candidatura à liderança do PS no distrito de Évora já com as autárquicas no horizonte. Além de ambicionar manter as câmaras que os socialistas detêm na região, a candidata quer reconquistar autarquias que já foram do partido, dando especial relevo a Évora, município que o PS perdeu para a CDU. Mas fala ainda de outras intenções e justifica porque entrou neste desafio.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

29 Janeiro 2016

No que se baseia a sua candidatura à liderança do PS em Évora?

É uma candidatura das bases do partido que começou a desenhar-se em novembro e de forma transparente, quando comuniquei ao presidente da Federação, ao presidente da JS e aos coordenadores das secções do partido a minha disponibilidade para liderar uma candidatura à Federação do PS em Évora capaz de promover um novo projeto político para o distrito, sustentado no respeito por aqueles que têm mais experiência e no seu apoio, mas focado na construção do futuro do partido. Temos vindo a trabalhar internamente, tendo decidido tornar público este projeto após as eleições presidenciais, porque até lá, esse era o nosso principal objetivo político. A minha candidatura tem na sua génese responder a uma vontade de mudança e à disponibilidade manifestada por muitos militantes que me incentivaram a liderar um novo projeto político para o distrito. Um projeto que promova a renovação efetiva dos quadros políticos, também ao nível das suas lideranças, a inovação, modernidade e abertura a novas abordagens e formas de fazer política na construção de soluções para Évora e para o Alentejo, ao mesmo tempo que volta a apostar na aproximação do partido à sociedade civil e às suas bases.

Que PS se exige nesta altura?
Vivemos um novo tempo político que nos coloca novos desafios e exigências, totalmente diferentes daquelas que conhecemos durante mais de 40 anos. Exige-se um PS capaz de se mobilizar e de mobilizar a sociedade civil para encontrar as melhores soluções para os problemas das pessoas, numa ação política de proximidade, cooperação, transparente e de confiança, com as suas estruturas locais e com a sociedade civil. O distrito abriu-se ao mundo através do turismo, modernizou as suas infraestruturas, investiu na qualificação, alargou a rede de proteção social e saúde e diversificou a sua estratégia económica, sempre com o patrocínio do PS. Contudo, de há quatro anos para cá, com a governação da direita mais radical de sempre, operaram-se mudanças muito significativas nas nossas vidas. O país retrocedeu décadas, endividou-se ainda mais, empobreceu, envelheceu porque foi incapaz de fixar os jovens e a sua força anímica e fragilizou significativamente o Estado Social. Temos plena consciência de que vivemos um período conturbado, o que implica o redobrar das responsabilidades e um contínuo aumento das exigências que se fazem a quem tem o dever de liderar e governar.

O mandato que se aproxima coincide com a preparação das eleições autárquicas. Está preparada?
Um dos grandes desafios deste mandato federativo, para além do necessário apoio e suporte ao governo socialista em funções e ao nosso deputado à Assembleia da República, Norberto Patinho, será o desafio autárquico de 2017. O calendário autárquico, em conjugação com o novo quadro político nacional e com a realidade política local, onde a esquerda é o nosso principal adversário político e onde os movimentos independentes, não raras vezes oriundos no PS, têm retirado algum espaço ao Partido Socialista, exigem da próxima equipa federativa uma reflexão aprofundada sobre a forma de abordagem a este novo desafio. Contudo, o PS Évora não pode ter receio de tomar as decisões que se impõem e pugnar pela defesa de um projeto autárquico socialista capaz de liderar o poder local no distrito.

E está preparada?
Estou, Há mais de 20 anos que a minha atividade profissional se exerce na administração pública local. Conheço o funcionamento do poder local, as suas forças e as suas fraquezas. Conheço o distrito, cada concelho, as suas potencialidades e as suas fragilidades. Tenho profundo conhecimento do partido, das suas bases e das suas estruturas locais, que resulta do meu trabalho enquanto presidente do Departamento Federativo das Mulheres Socialistas de Évora ou dirigente federativa. Com a minha equipa federativa o compromisso autárquico passará por uma disponibilidade total para apoiar as secções e concelhias na construção dos seus projetos autárquicos que se querem ganhadores e em igualdade.

Pensa já em recuperar algumas autarquias que o PS tenha perdido recentemente?
O caminho autárquico do PS Évora tem sido difícil, mas sempre na senda do sucesso. O reconhecido trabalho de centenas de autarcas, militantes e simpatizantes socialistas conseguiu colocar o PS numa posição de liderança no Distrito, pese embora, o último ato eleitoral não tenha correspondido aos objetivos. Saliento, porque seria hipócrita não o fazer aqui, a Câmara de Évora como o maior desafio deste mandato, mas acredito que com a Concelhia de Évora e com os eborenses conseguiremos apresentar um projeto autárquico credível e ambicioso. Para além de Évora, não será menos importante recuperar Borba, Alandroal, Estremoz e Vila Viçosa, e ganhar Montemor-o-Novo e Arraiolos, onde tivemos uma subida significativa na votação em 2013. Quanto às atuais câmaras socialistas tenho a certeza que assim continuarão. Quero a liderança do PS na maioria dos órgãos autárquicos do distrito

Como pensa unir o partido, conhecidas que foram algumas divergências recentes entre militantes no distrito?
O PS está unido pela sua causa maior que é servir bem as pessoas. O processo para a instituição da próxima Federação do Distrito de Évora não tem qualquer interligação com esse passado que refere e que, aliás, foi democraticamente resolvido. A nossa candidatura é de total apoio e confiança na actual direcção do PS e na via política que António Costa está a prosseguir.

Tem condições para anunciar uma porta aberta ao diálogo caso chegue à liderança do PS?
No PS a porta do diálogo, do respeito mútuo e da liberdade de pensamento está sempre aberta, assim não posso abrir o que nunca esteve fechado. Viver em democracia implica dialogar, fazer escolhas e construir pontes. Os camaradas e os eleitores do PS podem contar sempre com a minha frontalidade e coragem para estar ao lado daquilo em que acredito. Há pouco mais de ano e meio, estive com a candidatura do camarada Capoulas Santos, porque naquele momento, naquele contexto, entendi que era o melhor projeto para o partido. Agora, acredito que o melhor serviço que podemos prestar ao PS e aos nossos eleitores é lançar novos quadros políticos, renovando, respondendo ao que já está a acontecer nos nossos adversários políticos.

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