Diario do Sul
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Testemunho de um alentejano em Bruxelas no dia do atentado terrorista

Gonçalo Morais Tristão, agricultor, espera chegar hoje ao Alentejo

Os atentados em Bruxelas não deixaram ninguém indiferente, sobretudo porque, de acordo com os últimos dados, já se registam 21 feridos de nacionalidade portuguesa. Como se diz, muitas vezes, em tom de brincadeira, há sempre um português.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redacção D.S.

24 Março 2016 | Publicado : 17:23 (24/03/2016) | Actualizado: 17:26 (24/03/2016)

Neste caso, há muitos a viverem na Bélgica e outros tantos que escolhem este país como destino de férias ou viagens de trabalho. Entre eles está um alentejano, Gonçalo Morais Tristão, gerente da Casa Agrícola Monte do Zambujeiro em Redondo e representante do Centro de Estudos e Promoção do Azeites do Alentejo (CEPAAL) que, em declarações exclusivas ao “Diário do Sul” conta como têm sido estes últimos dias. Garante que nunca esteve verdadeiramente em perigo, mas alerta para a necessidade de refletirmos na melhor maneira de nos defendermos, sem abdicarmos das nossas convicções e do nosso modo de vida europeu.

Gonçalo Morais Tristão conta que chegou a Bruxelas na passada segunda-feira, véspera dos atentados, para assistir a uma Conferência Internacional sobre o Futuro da Agricultura, uma iniciativa da Syngenta (uma empresa global com a sede na Suíça, especializada em sementes e produtos químicos voltados para o agronegócio) e da ELO Europeen Landowners Organization (organização para uma maior sensibilização relativa às questões ambientais e agrícolas).

No momento em que aconteceu o atentado no aeroporto, diz que ainda estava no hotel, pronto para sair para o local da conferência. “Foi um hóspede que me avisou do que estava a suceder e logo liguei a televisão para perceber o que se tinha passado”, afirma. “Isso não foi impeditivo de me deslocar para a conferência, tendo feito quatro minutos a pé, sem qualquer problema. Foi já dentro das instalações onde decorria a conferência que soubemos da bomba no metro”, lembra.

Apesar do sucedido, o agricultor e dirigente salienta que a vida não parou, sublinhando que a conferência nunca foi interrompida, decorrendo de uma forma normal. “Por duas ou três ocasiões, a organização informou os presentes sobre os acontecimentos, garantindo a segurança do local onde estávamos e aconselhando a não sairmos dali até ao final”, realça.

Gonçalo Morais Tristão esclarece, contudo, que se apercebeu que, tal como ele, estava toda a gente a olhar para os telemóveis para receber informação e enviar mensagens. “Creio que as pessoas se sentiram um pouco confusas sobre o que estava a acontecer, apesar das garantias que nos tinham sido dadas”, sublinha.

Rumo a Amesterdão
para regressar
a Portugal

O grupo de portugueses que foram para a conferência “foi muito bem orientado pelos responsáveis da Syngenta que sempre nos acompanharam e que rapidamente organizaram um plano alternativo de regresso a Portugal”, sustenta. Esse plano passou por levarem-nos para a Holanda, mais precisamente para Amsterdão, por um autocarro reservado, de onde espera sair hoje de avião até Portugal. E sublinha: “A Syngenta trouxe para Amsterdão mais pessoas fora do grupo que estavam um pouco isoladas e desorientadas em Bruxelas”.

Gonçalo Morais Tristão conta que nunca tinha estado tão perto de um atentado terrorista, “mas para mim é evidente que a diferença não é entre estar perto e estar longe, como aí em Portugal. A diferença é mesmo entre todos nós que não sofremos nada e aqueles que morreram, que ficaram feridos que presenciaram e todos os seus familiares. Por esses, eu, como católico, rezo”.

“Atrocidade que está
cada vez mais presente
nos nossos dias”


Sobre estes atendados, que classifica de “atrocidade que está cada vez mais presente nos nossos dias”, defende que “temos de refletir na melhor maneira de nos defendermos, sem abdicarmos das nossas convicções e do nosso modo de vida. Devemos estar atentos e não facilitar. Oxalá tenhamos lideranças que tenham visão e que não se limitem a reagir de uma forma mais ou menos destemperada”.

Com vontade de regresso acima de tudo ao nosso país e ao Alentejo, Gonçalo Morais Tristão agradece a todos os amigos portugueses “que me enviaram mensagens de preocupação e, ao mesmo tempo, de alento”.

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