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Viana do Alentejo em festa

Feira de Aires. A montra do melhor que a ruralidade tem para nos dar

A tarde de sábado decorria ao som do Cante em plena Feira de Aires, onde quatro grupos corais haveriam de subir ao palco. “É esta a nossa aposta. A ruralidade, a tipicidade, a cultura”, justificava o presidente da Câmara de Viana do Alentejo, Bernardino Bengalinha Pinto.

27 Setembro 2016

Puxando pelos atributos do Cante, mas também dos enchidos, dos queijos, da olaria, dos chocalhos, dos doces ou dos artigos para a lavoura. A maior montra do que a terra tem para exibir estava por ali reunida. E há projetos para o futuro do concelho. Feira de Aires está incluída, mas as atenções centram-se na dinamização económica.

Vamos por partes. Os segredos para manter uma feira carregada de história em que o sagrado e o profano se cruzam pela imediação do Santuário de Senhora d´Aires. “Há vários pilares que o justificam”, explica Bengalinha Pinto destacando o “bom tempo” que pautou o certame deste ano. É que quando São Pedro é mais generoso a adesão de visitantes cresce a olhos vistos.

“A questão religiosa continua a ser muito importante e nós temos tentado introduzir sempre aspetos com alguma novidade. Este ano iluminámos o Santuário. É um pequeno apontamento mas que deixa marca”, destacava o autarca à medida que o recinto da feira ia enchendo . Outros voos se poderão levantar em próximas edições. A igreja tem uma candidatura concretizada para requalificação da zona do Santuário e autarquia está a elaborar um projeto para requalificar a envolvente.

Quer isto dizer que o ordenamento do espaço que até aqui tem sido tarefa com limitações irá sofrer uma reestruturação, viabilizando uma feira franca em sintonia com as necessidades de Viana. Mas à hora de relembrar quem ajuda a levar o certame para a frente, Bengalinha Pinto não esquece os parceiros do Município que garantem animação ao longo dos dias. Só a título de exemplo, a Associação Equestre organiza a corrida de toiros, o Sporting de Viana deitou mão a um torneio de futebol. “É uma gestão partilhada que tem funcionado. Se fosse a Câmara a tentar fazer iria fazer menos bem”, admite o edil.

Agora o futuro do concelho que também passa pela ruralidade. Bengalinha Pinto sabe-o bem: Quantos mais atrativa for esta terra mais oportunidades para negócio serão criadas. Apontam-se baterias ao bloco de rega de Alqueva, porque com água ali à mão haverá argumentos para reanimar a “alma agrícola”. “Há projetos em carteira que nos dão esperança de dias melhores”, diz o autarca, enumerando com especial orgulho a arte chocalheira – que já é património do Mundo – ao lado da olaria que tem na calha um novo projeto de escala nacional.

Mas há mais. Numa época em que o mármore volta a estar em “alta” nos mercados internacionais, a autarquia coloca a fasquia num projeto mais amplo, numa altura em que uma empresa está a pedir um segundo licenciamento para uma pedreira. “O primeiro correu muito bem”, justifica, havendo empresários interessados em transformar alguma matéria-prima com a parceria do Instituto de Emprego e Formação Profissional e da Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo.

Ainda rumo ao futuro, Viana do Alentejo espera pela boleia do projeto Estrada Nacional 2, que vai ser o palco de uma nova rota turística que está a ser impulsionada pelos municípios atravessados pela via mais extensa do país, que liga Chaves a Faro ao longo de 738,5 quilómetros. Também a rota pedestre do Alentejo Central, que abrange todos os concelhos, pode trazer vantagens, tal como a candidatura de Évora a capital europeia da cultura em 2027. “Teria um retorno interessante para nós”, resume.

Os chocalhos em foco nos tempos modernos

Guilherme Maia, da empresa Chocalhos Pardalinho, assume a “grande responsabilidade” de dignificar ao máximo a arte chocalheira depois do fabrico ter sido classificado pela UNESCO como Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente. “Nós, os mestres vivos, temos a responsabilidade de dar continuidade à atividade que estava em via de extinção”, diz, dando nota positiva ao impacto da classificação da UNESCO nesta arte ancestral.

“Mesmo na feira nota-se mais gente, mais interesse, mais vendas e mais contacto por parte de pessoas que nos irão visitar no futuro na empresa”, refere Guilherme Maia, que após a classificação já contratou três aprendizes a quem procura ensinar a arte de fazer chocalhos, embora alerte o Governo para a necessidade de atribuir mais apoios à contratação. “É preciso termos meios para ensinar sem ter problemas financeiros, porque neste momento estamos a pagar para ensinar”, alerta.

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