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Inquérito

Metade das famílias da região deve em média 50 mil euros

Em cada duas famílias residentes no Alentejo há uma que tem alguma dívida com um valor médio próximo dos 50 mil euros, segundo revela o Instituto Nacional de Estatística (INE) com base nos resultados do Inquérito à Situação Financeira das Famílias (ISFF), realizado entre março e julho de 2013.

Roberto Dores

17 Novembro 2016 | Fonte: Redacção D.S.

Em cada duas famílias residentes no Alentejo há uma que tem alguma dívida com um valor médio próximo dos 50 mil euros, segundo revela o Instituto Nacional de Estatística (INE) com base nos resultados do Inquérito à Situação Financeira das Famílias (ISFF), realizado entre março e julho de 2013. A realidade regional enquadra-se na maioria dos distritos portugueses, tendo sido ainda apurado que 30% dessas famílias deram as casas como garantia.

O mesmo levantamento apurou que o valor da dívida hipotecária associada à residência principal exibia um peso dominante, atingindo os 82,4% na dívida dos agregados familiares, ainda de acordo com os dados mais recentes (de 2013), enquanto o peso do valor da dívida associada a hipotecas de outros imóveis era de 10,6% e o de empréstimos não garantidos por imóveis era de 6,2%.

O peso do valor dos montantes em dívida relativos a cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos bancários era de 0,8%.

Contudo, o volume das dívidas hipotecárias associadas à residência principal, no total da dívida das famílias, era menor quando o inquirido tinha 65 anos ou mais, era trabalhador por conta própria ou reformado, e nos 20% de agregados com menor riqueza líquida e para os 10% mais ricos.

Isto numa altura em que as penhoras na região estão a ganhar cada vez mais peso entre as causas que levam os orçamentos familiares a entrar em derrapagem financeira. Segundo o Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado (GAS) da Deco já foram abertas algumas centenas de processos de ajuda, com uma percentagem considerável a ser originada por penhoras devido a dívidas próprias ou de terceiros (de quem são fiadores). O aumento total nacional atingiu os 14%, quando em 2013 representava 6%, sendo já considerado um valor elevado.

Ainda de acordo com a DECO, estão em causa penhoras que acabam por desequilibrar o orçamento doméstico. Natália Nunes, coordenadora do GAS, explica que este problema é provocado por créditos que entraram em incumprimento ou prestações de serviços que deixaram de ser pagas, embora haja ainda “uma parcela que surge na sequência de dívidas ficais”.

Casa como último recurso

Nos últimos tempos têm dado entrada no GAS situações de famílias com rendimentos de tal maneira baixos que nem são suscetíveis de penhora, levando a que a execução da dívida acabe a recair sobre a habitação, já que a casa é o único bem que detêm. Contudo, Natália Nunes revela que em alguns casos estão em causa dívidas de 600 ou de 800 euros, admitindo não existir nenhum impedimento legal que trave estas situações. O desemprego e as alterações das condições laborais continuam a ser as principais causas de sobre-endividamento, mas o seu peso tem caído. Em 2013, o desemprego representava 35% destes casos e agora pesa 29%. E a deterioração das condições laborais desceu de 34% para 22%.

Já a alteração do agregado familiar tem (à semelhança das penhoras) subido. Mas enquanto que até há dois ou três anos anos era o nascimento de uma criança que vinha aumentar as despesas e de alguma forma contribuir para o desequilíbrio do orçamento, agora é o regresso dos filhos à casa dos pais.

Após vários anos de crescimento consecutivo, o número de pedidos de ajuda ao GAS estabilizou e mantém-se desde 2013 a rondar os 29 mil. Este ano, até outubro chegaram 26 030 pedidos, que deram origem à abertura dos referidos 2017 processos – a diferença explica-se pelo facto de muitos chegarem numa fase em que já não há possibilidade de reestruturação.

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