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Diario do Sul
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Primeiro semestre de 2018

PJ abriu 48 inquéritos no Alentejo por violência sobre crianças

Os três distritos alentejanos somam um total de 48 inquéritos abertos relativos a casos de violência sobre menores nos primeiros seis meses do ano. A maioria das crianças são vítimas de crimes sexuais. As estatísticas retratam uma subida na região face ao mesmo período do ano passado quando deram entrada nas forças de segurança 43 processos.

Autor :Roberto Dores

17 Outubro 2018

Os números são revelados pela Polícia Judiciária (PJ) que neste primeiro semestre investigou crimes associados ao abuso sexual, lenocínio, pornografia, prostituição ou violação. Os dados disponíveis dizem que mais de metade  dos crimes são  cometidos sobre menores, tendo sido já realizadas várias detenções.
Évora é este ano o distrito alentejano com mais inquéritos em curso (21) quando em período homólogo de 2017 contabilizava 12. Já Beja chega este ano aos 17 depois dos 23 do ano passado (menos seis). Por seu lado, Portalegre regista dez casos depois dos oito relativos ao primeiro semestre de 2017.
O caso mais recente ocorreu já este verão, dando conta da detenção de um homem de 29 anos, por suspeitas de abuso sexual de duas menores, de 11 e 13 anos, no concelho de Ourique. Segundo a Judiciária, “o arguido era visita dos pais das menores”.
Entretanto, o episódio mais mediático de 2018 relata o caso de um professor de uma escola básica do distrito de Beja que foi detido por suspeita de pelo menos 87 crimes de abuso sexual de crianças suas alunas e aguarda julgamento em prisão preventiva, segundo fontes judiciais.
O homem, de 47 anos, "usando da ascendência que lhe conferia o estatuto de professor", dizem as autoridades, conseguiu que "as suas alunas, menores de oito anos, se sujeitassem a atos de natureza sexual por ele praticados" desde 2015.
A realidade alentejana surge entre as mais baixas do país, avançando a PJ, responsável pela investigação de crimes sexuais, que os números referentes ao primeiro semestre deste ano estão abaixo do ano passado na maioria das regiões. 
As autoridades avançam que os abusos sexuais de crianças foram o principal motivo para abertura dos inquéritos, enquanto a pornografia com menores surge na segunda posição, seguindo-se importunação sexual e atos sexuais com adolescentes.
A pedopsiquiatra forense Ana Vasconcelos garante que estes crimes "perturbam as vítimas ao nível da sua auto-estima e confiança, podendo ainda perturbar as suas futuras relações amorosa e a sua sexualidade", diz a especialista, acrescentando que "as memórias episódicas traumáticas irão contribuir no futuro para uma personalidade alterada, sobretudo se as vítimas não forem ajudadas em tempo útil." 
A mesma especialista alerta que "muitas vezes as crianças calam-se, porque ficaram preplexas e confusas e não perceberam o que aconteceu. Há   todo um paradoxo de sentimentos a que se chama confusão de linguagem", resume. 

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