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Diario do Sul
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Autoridades em alerta

Viaturas assaltadas junto aos Almendres e receios de vandalismo no cromeleque

Vários automóveis têm sido assaltados durante o dia no estacionamento próximo do Cromeleque dos Almendres.

Roberto Dores

01 Março 2016 | Fonte: Redacção D.S.

Segundo apurou o “Diário do Sul”, nos últimos tempos têm-se somado queixas dos turistas sobre o furto de objetos de valor do interior dos carros. As autoridades admitem que os autores dos crimes não serão residentes na região. Na linha da investigação estará a possibilidade de se tratar de indivíduos que recorrem a viaturas alugadas com matrículas espanholas para se fazerem passar por turistas. O possível vandalismo, como consequência de alguns sinais de visitas deixados durante a noite no local, também está a levantar receios.

É o próprio presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Tourega e Guadalupe, Joaquim Pintão, que assume estar “preocupado” com as ocorrências dos últimos tempos. “Até já colocámos duas placas de informação, em português e inglês, a alertar as pessoas para terem cuidado com os assaltos aos carros”, revela o autarca, lamentando que uma das placas já tenha sido vandalizada.

“Fizemos outras, que colocámos logo à entrada, estamos atentos ao problema e já falámos com as autoridades que também estão no terreno”, refere Joaquim Pintão, destacando que mesmo os carros trancados não têm escapado aos furtos. “As pessoas pensam que podem estar descansadas. Deixam malas, computadores ou máquinas fotográficas à vista e vão passear. Quando regressam ao carro, já está”, relata, pedindo aos visitantes do cromeleque para “terem muito cuidado”.

Mas as preocupações do autarca não ficam por aqui, numa altura em que também surgem receios em torno da conservação do monumento. “Tem havido algumas ações que nos levam a temer que o cromeleque possa ser vandalizado um dia destes”, insiste o presidente da junta, aludindo, por exemplo, a uma recente fogueira – segundo tudo indica, feita durante a noite - no meio do conjunto de menires. “Imagine que grafitam algumas pedras ou que até as derrubam. Era uma chatice e a verdade é que nunca sabemos quando pode acontecer alguma coisa deste género”, alerta Joaquim Pintão.

Recentemente o arqueólogo An-tónio Carlos Silva publicou no seu blogue “Memórias das Pedras Talhas” um texto que alertava, precisamente, para esta preocupação e até partilhou várias fotos ilustrando alguns dos últimos incidentes, como fogueiras, que ficam marcadas no terreno, ou uma espécie de retângulo feito na terra com recurso a sal. “A possibilidade de acesso livre a qualquer hora e em qualquer dia é muito prática e até pode ser romântica, mas não é sistema viável, pondo em risco a salvaguarda do monumento e a sua preservação a longo prazo”, escreve o especialista em arqueologia, que, ainda assim, elogia o civismo dos visitantes, admitindo que a zona se encontra limpa.

Recorde-se que o recinto megalítico dos Almendres é um dos maiores monumentos públicos da humanidade, constituindo o maior conjunto de menires estruturados da Península Ibérica. E ainda um dos mais importantes da Europa. A sua escavação permitiu a deteção de várias fases construtivas ao longo do período Neolítico (V e IV milénios a. C.), até alcançar aspeto semelhante ao hoje apresentado.

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