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Diario do Sul
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Crise de especialistas

Falta de pediatras em Portalegre era previsível para Ordem dos Médicos

A falta de pediatras no Hospital de Portalegre há muito que era esperada pelo presidente da Ordem dos Médicos no Norte Alentejano.

Roberto Dores

23 Junho 2015 | Fonte: Redação D.S.

“Agora é que o assunto já é do domínio público, mas não era muito difícil de prever”, avança Jaime Azedo, médico naquela unidade de saúde, para quem “se no país há poucos pediatras, muito menos haverá em Portalegre. Ora, a partir do momento em que sabíamos que havia vários profissionais que estavam à beira da reforma, era fácil de perceber que vinham aí dificuldades”, diz o dirigente, sustentando que hoje em dia o hospital pode apenas contar com dois especialistas.

“Isto já era mau, mas o problema agravou-se a partir do momento em que o chefe de serviço se reformou. Tinha 70 anos. Isto era previsível”, lamenta Jaime Azedo, alertando que as urgências pediátricas deveriam estar abertas 24 horas por dia, mas a norma é que fechem durante a noite, sendo as crianças vistas por médicos de clínica geral.

Solução? “Não há”, admite o representante da Ordem. Isto porque os especialistas contratados pelas empresas ganham exatamente o mesmo trabalhando no Interior ou na zona de Lisboa. “Quer dizer que não ganham mais nada por virem para Portalegre e preferem ficar próximos dos grandes centros, o que também era previsível”.

Mais: “Se o Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde não tem autorização da tutela para pagar mais, não vai conseguir preencher as vagas nunca”, insiste Jaime Azedo, considerando “inconcebível” que as crianças do distrito não tenham o direito de ser assistidas por um pediatra quando precisam de ir ao hospital durante a noite.

A administração, por seu lado, garante que os casos considerados mais complicados, após a triagem, são encaminhados para os especialistas e que nenhuma criança fica sem atendimento.

Mas o caso já ganhou dimensão nacional, sendo mesmo adjetivado de “falha grave” pelo presidente da Secção Sul da Ordem dos Médicos, Jaime Mendes, alertando que “o problema é que a contenção é grande e as administrações vão cortando nas contratações. Só têm autorização para contratar empresas prestadoras de serviços, que, por vezes, lhes garantem os médicos e depois falham, obrigando ao encerramento das urgências”.

O mesmo dirigente confirma que os médicos não sentem atratividade pelo interior do país. “Muitos deles acabam por emigrar, mesmo os que são do Sul. Só entre janeiro e abril deste ano o Sul perdeu 96 médicos para o estrangeiro, depois dos 400 do ano passado”, recorda – como o “Diário do Sul” já tinha avançado.

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