Diario do Sul
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Investigação recorre a depoimentos

Participou nas escavações em Troia? Os cientistas querem saber o que viu

Uma equipa científica vai começar a recolher depoimentos de pessoas que participaram em escavações ou eventos nas Ruínas Romanas de Troia ao longo dos anos. O projeto inovador arranca em outubro e tem o objetivo de reunir mais informação que permita “sistematizar o conhecimento contemporâneo daquele monumento nacional”, como contempla um protocolo já celebrado.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

27 Setembro 2016

O “Centro de Memórias das Ruínas Romanas de Troia”, com origem num protocolo de colaboração celebrado no início do ano entre a Câmara de Setúbal e o Troiaresort ambiciona “colmatar, num primeiro ângulo, lacunas investigativas que resultaram de várias explorações arqueológicas ao local durante o século XX e que foram particularmente ativas na década de 60”, segundo prevê o mesmo documento.

Os promotores do projeto recordam que muitas das campanhas contaram ao longo dos anos com o contributo de vários voluntários. “Embora as intervenções tenham enriquecido os conhecimentos existentes sobre as ruínas, careceram, por vezes, de registos documentais que relatassem e descrevessem os trabalhos desenvolvidos”, explica o mesmo documento, admitindo que a falta de sistematização científica “é mais evidente noutras campanhas arqueológicas da primeira metade do século XX, em que, inclusivamente, participaram figuras notáveis da sociedade setubalense”. São apontados os nomes de Arronches Junqueiro, António Inácio Marques da Costa e D. Rodrigo de Lencastre.

O projeto que agora inicia é conduzido por arqueólogos e técnicos da Câmara de Setúbal e da Equipa das Ruínas Romanas de Troia, consistindo em entrevistas a realizar, preferencialmente, no próprio local arqueológico, localizado na Península de Troia. “A mesma equipa vai também registar as memórias de pessoas com diferentes vivências relacionadas com as ruínas, uma vez que aquele espaço está intimamente associado a inúmeras atividades culturais e antropológicas contemporâneas, desde simples passeios a festas tradicionais”, acrescenta a câmara sadina.

Os interessados em contribuir com depoimentos para o “Centro de Memórias das Ruínas Romanas de Troia” podem inscrever-se ou solicitar mais informações através do telefone 939 031 936, do endereço centromemoriasruinastroia@gmail.com ou ainda na página de Facebook do projeto.

A imponência das Ruínas Romanas de Troia traduz-se num raro complexo de produção de salga de peixe nas margens do rio Sado, que será o maior do mundo romano, com vista sobre Setúbal, a “sua” antiga Cetóbriga. Por ali se produziu o distinto paté de peixe, celebrizado por “garum”, quando há 2 mil anos Troia ainda seria uma ilha com o nome de Ácala.

Foi por ali que o império romano ergueu fábricas para deitar mãos a uma espécie de “produção gourmet”, com paté de peixe que era conduzido a Roma, via marítima, para abastecer, sobretudo, as famílias mais abastadas. Um preparado muito apreciado nas cozinhas da época e um grande negócio para os seus produtores, que exploravam o bom peixe desta região. A construção do complexo foi feita na primeira metade do século I, tendo a ocupação romana perdurado ao longo de 500 anos. Foi para tirar partido das potencialidades do peixe da região e da excelência do sal do rio Sado, associados ao clima, que os romanos construíram esta conserveira.

O complexo é conhecido desde o século XVI, mas só 200 anos depois viria a ser sujeito à primeira escavação, por ordem da então Infanta D. Maria -futura rainha – que permitiu desvendar as casas da chamada rua da Princesa. Nos meados do século XIX os trabalhos arqueológicos conduziram à descoberta do núcleo residencial e de parte das termas. Foi já em pleno século XX que foram desenvolvidos grandes trabalhos pelo Museu Nacional de Arqueologia que puseram a descoberto a totalidade da termas e a maior fábrica de salga, além de várias necrópoles. Hoje fazem-se visitas guiadas ao sítio que mostram as fábricas, oficinas de salga, as termas e a muito fora do comum basílica paleocristã.

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