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Programa da RTA, em parceria com a MetAlentejo

“Saúde Mental sem Tabus” deu “voz” aos familiares dos doentes

No programa “Saúde Mental sem Tabus” de setembro, emitido na passada quarta-feira na Rádio Telefonia do Alentejo, o objetivo foi dar “voz” aos familiares das pessoas com doença mental grave.

Marina Pardal

27 Setembro 2016 | Fonte: Redacção D.S.

Realizado em parceria com a MetAlentejo ­ associação para o bem­estar psicossocial da comunidade, o programa pretende abordar questões ligadas a esta problemática, bem como divulgar estruturas de apoio existentes nesta área.

Esta última edição contou com a presença de Ana Rita Oliveira, psicóloga na MetAlentejo, e de Joaquim Lopes e Madalena Queiroz, familiares de pessoas com história de doença mental.

Neste programa foram destacadas as dificuldades encontradas pelas famílias quando se deparam com a doença mental de um familiar próximo, bem como a importância de existirem grupos de apoio, como aquele que a MetAlentejo disponibiliza.

Para Ana Rita Oliveira, dar a conhecer os testemunhos destes familiares é de “grande importância”, salientando que “ajuda a combater o estigma, pois se o termo for tabu estamos a contribuir para o estigma”.

Ao mesmo tempo, a psicóloga referiu que é “mais uma forma de sensibilizar para a doença mental e de dar a conhecer as estruturas de apoio na comunidade, nomeadamente os grupos de autoajuda”.

Passando aos testemunhos dos familiares, Madalena Queiroz relatou quais as maiores dificuldades que tem sentido neste percurso.

“A maior dificuldade surgiu mesmo antes do diagnóstico, pois comecei a verificar alterações no comportamento do meu filho, como desinteresse pela escola, distanciamento em relação aos colegas ou um raciocínio próprio”, contou esta mãe.

Realçou que “inicialmente não havia uma resposta para esta mudança e mesmo recorrendo a psiquiatras, psicólogos ou terapeutas, a ausência de respostas era constante”.

De acordo com Madalena Queiroz, “ao fim de três anos, quando foi feito o diagnóstico de esquizofrenia a minha angústia apaziguou, principalmente por começar a perceber o que se passava”.

Para Joaquim Lopes, uma das principais dificuldades que viveu foi “a falta de apoio que senti enquanto familiar”, confessando que “tudo era uma novidade, os comportamentos alterados, o diagnóstico, as idas ao hospital ou o internamento compulsivo, mas o que dificultou todo o processo foi a falta de apoio, comunicação, empatia e compreensão por parte de técnicos de saúde mental”.

Importância dos momentos
de partilha 
e convívio

Os mesmos familiares explicaram ainda de que forma a MetAlentejo tem ajudado neste percurso.

Madalena Queiroz lembrou que “a MetAlentejo dispõe de um grupo de autoajuda para cuidadores/familiares de pessoa com doença mental”, frisando que “no grupo estamos em ‘pé de igualdade’ e reunimo-nos com o objetivo da procura de compreensão, empatia e na partilha da dor, angústias e vivências”.

Joaquim Lopes partilha desta opinião, focando que “o grupo ajuda-nos a aprender uns com os outros como lidar com a situação através da partilha de experiências”, considerando que “há um clima de conforto e entreajuda entre todos”.

Destacou ainda que, “por vezes rimos, por vezes choramos, mas o espírito de intreajuda contribui para isso, apesar das diferenças de diagnóstico de cada familiar”.

Por sua vez, a psicóloga também apontou as vantagens de um grupo de autoajuda para familiares de pessoa com doença mental.

“Este tipo de intervenção tem desempenhado um papel crescente e essencial na prestação de cuidados de saúde”, disse Ana Rita Oliveira, esclarecendo que “os grupos de autoajuda têm vindo a assumir-se como uma resposta muito importante para ajudar as pessoas a lidar com situações emocionais difíceis e geradoras de grande stress”.

Constatou ainda que, “tal como foi referido, as pessoas sentem-se aceites e compreendidas, o que reduz o receio de serem estigmatizadas e isoladas com o seu problema”.

A mesma psicóloga admitiu que “a MetAlentejo reconhece que existe uma grande falta de apoio aos cuidadores informais que sofrem em silêncio e que se encontram muitas vezes no limite da exaustão física e psicológica”.

Nesse sentido, adiantou que “os membros do grupo trabalham a sua autoestima e reconhecem a necessidade de que precisam de cuidar de si próprios, sem que isso conduza a sentimentos de culpa e de sensação de abandono do outro”.

Em jeito de conclusão, Joaquim Lopes expressou as perspetivas futuras em relação a este grupo.

“Pretendemos manter as sessões dedicadas à compreensão da doença e dos seus sintomas, mas também continuar a promover momentos em que investimos no nosso bem-estar, nomeadamente através de visitas culturais ou outros momentos de convívio”, garantiu este pai.

Quanto ao funcionamento do grupo SOS Metacuidadores, Madalena Queiroz informou que “decorre na segunda quarta-feira de cada mês na sede da Metalentejo”, revelando que “excecionalmente, a próxima sessão será no dia 6 de outubro, às 18h00”.

Para além disso, avançou que “é um grupo aberto, ou seja, a qualquer momento poderão entrar cuidadores/familiares de pessoa com doença mental que estejam interessados, sendo a frequência gratuita”.

Para mais informações visitar a sede da MetAlentejo, situada na Avenida Infante D. Henrique n.º 75, em frente ao Hospital do Patrocínio, em Évora.

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