Diario do Sul
PORTUGAL 2020 SET

Uma só equipa de cirurgia, mas tutela dá prioridade às situações mais graves

Tempo de espera para cirurgias da obesidade chega quase aos dois anos no Alentejo

A obesidade é uma patologia que está a afetar, cada vez mais, a população portuguesa. O problema torna-se maior quando há casos de pessoas diagnosticadas com obesidade mórbida a que estão associadas normalmente outras patologias, como a hipertensão, a diabetes e o colesterol.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redacção D.S.

17 Outubro 2016

Em muitas destas situações são os centros de saúde que sinalizam e enviam para o hospital para que o doente possa ser acompanhado por uma equipa multidisciplinar. No caso do Alentejo, há muitas pessoas em espera, aproximadamente 230, sendo que a maioria espera aproximadamente dois anos pela cirurgia. Esta situação é explicada pela Administração Regional de Saúde (ARS) pelo facto de existir uma só equipa na região a fazer este tipo de cirurgia, bem como pelo elevado número de alentejanos com obesidade grave.

O gabinete de comunicação da Administração Regional de Saúde (ARS) afirmou que, na nossa região, só existe uma equipa para operar este tipo de obesidade, afirmando, contudo, estarem a ser preparadas mais equipas. Até lá, resta a estes doentes esperar. A mesma fonte adiantou que o programa inclui que a avaliação do doente seja efetuada por uma equipa multidisciplinar, por um período não inferior a três anos.

Segundo o Ministério da Saúde são abrangidas por este programa de financiamento as instituições reconhecidas pela Direção-Geral da Saúde, como centro de tratamento ou de elevada diferenciação para o tratamento cirúrgico da obesidade grave.

Para tentar dar resposta a este problema, a tutela garantiu que vai avançar com um programa para reduzir as listas de espera na cirurgia da obesidade. “Para isso vai disponibilizar 12 milhões de euros para operar dois mil doentes no próximo ano. Até junho estavam em lista de espera 1493 doentes”, sublinhou o Governo.

“Está a ser estudado um programa de financiamento específico a integrar no contrato-programa a estabelecer com os hospitais do SNS em 2017, incentivando-se a resolução destes casos, recriando um programa que já existiu e foi suspenso nos últimos anos”, frisou o mesmo ministério.

Acedendo ao Portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS), relativamente ao período compreendido entre abril, e junho, verifica-se que há 20 hospitais que apresentam tempos de espera, oito têm tempos de espera superiores aos máximos recomendados, onde está o Hospital do Espírito Santo de Évora.

Consultas para os doentes não prioritários
estão igualmente muito atrasadas

O “Sistema de Gestão da Lista de Inscritos para Cirurgias” mostra que, neste hospital, as cirurgias da obesidade estão a ser feitas, mas nos casos considerados urgentes. Assim, há quatro pessoas designadas como prioritárias que aguardam a cirurgia da obesidade há 40 dias, embora o prazo máximo previsto sejam 60 dias, o que significa que está dentro do tempo.

A situação complica-se acentuadamente no que diz respeito aos doentes não prioritários e não oncológicos, onde estão inscritos 229 que têm de esperar 709 dias, quando o que está previsto são 270 dias (daí os quase dois anos).

Olhando para o mesmo indicador, mas neste caso para as consultas de cirurgia da obesidade, há duas pessoas que são consideradas prioritárias e cujo tempo de espera pauta-se pelos 36 dias, 24 dias do que está previsto como tempo máximo de resposta garantido. Os doentes que estão a aguardar consulta da obesidade e que não são prioritários são 441 que têm que esperar 616 dias. É aqui que volta a notar-se uma grande discrepância, uma vez que o tempo previsto para a realização da consulta é de 150 dias.

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